TUDO É SOM. TUDO É FREQUÊNCIA. TUDO É ONDA.

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Convido as gerações atuais, adultos, que podem interferir na sociedade de uma forma ou de outra, que atentem para as várias culturas existentes no mundo e o resultado de suas condutas, sucessos e insucessos, mediante o cuidado que se tem com a música que se professa no país, e a música a que as crianças são submetidas desde cedo.

No livro O PODER OCULTO DA MÚSICA – a transformação do homem pela energia da música - de David Tame, ele nos convida no próprio título a repensar o que a música traz para cada cultura.

Num de seus capítulos, “ A MÚSICA COMO MOLDE PARA A SOCIEDADE”  Peço licença para transcrever um trecho apenas :

“Tomemos a China como exemplo:

“ Todos os anos, no segundo mês, poderia encontrar-se o Imperador Shun jornadeando para o Leste, a fim de passar revista ao seu reino e certificar-se de que tudo estava em ordem no imenso território. Entretanto, não o fazia verificando os livros de contabilidade das diferentes regiões. Nem observando o modo de vida da população, nem recebendo petições dos súditos. E tampouco entrevistando os funcionários regionais em posição de mando. Não, não empregava nenhum desses métodos, Pois na China antiga se supunha haver um método muito mais revelador, acurado e científico de averiguar o estado da nação. De acordo com o antigo texto chinês Shu King , o imperador Shu Shun percorria os diferentes territórios e ... experimentava as alturas exatas das suas notas musicais.

De volta ao palácio, se desejasse controlar a eficiência do governo central, que fazia ele? Buscava pareceres de entendidos em traçar normas de viver? Examinava a economia, ou o estado da opinião pública?

O imperador não desconhecia nenhum dos métodos acimae, em determinadas ocasiões, é possível que recorresse a todos eles. Mas, o mais importante, cria ele, era ouvir e verificar as cinco notas da antiga escala musical chinesa. Mandava vir à sua presença os oito tipos de instrumentos musicais conhecidos na China e ordenava que fossem tocados por músicos. Em seguida, ouvia as canções populares locais e as árias cantadas na própria corte, verificando se toda essa música estava em perfeita correspondência com os cinco tons. (...) Consoante a filosofia dos antigos chineses, a música era a base de TUDO. Eles acreditavam, em particular, que todas as civilizações se afeiçoam e moldam de acordo com o tipo de música que nelas se executa.. A música de uma civilização era melancólica, romântica? Nesse caso, o próprio povo seria romântico. Era vigorosa e militar? Então, os vizinhos dessa nação devem se acautelar. Além disso, uma civilização permanecia estável e inalterada enquanto a sua música permanecesse inalterada. Mas o mudar da música ouvida pelo povo levaria inevitavelmente a uma mudança do próprio estilo de vida.”

Por este pequeno trecho deste livro precioso que nos traz reflexões importantíssimas, podemos parar e pensar por que tantas ações passionais? Por que tantos crimes passionais? Por que tanta depressão? A música deveria trazer alento à alma, alegria, amor à vida, porque os sons podem provocar a mudança de humor. Mas o que temos? Sexo, ações primitivas, instinto, agressividade, pessoas jogando nos microfones suas piores frustrações para milhares de pessoas.

(...) E se a música que o imperador ouvisse executada nas aldeias tivesse desatado a tornar-se vulgar e imoral, não duvidaria o imperador de que a própria imoralidade se estenderia pela nação, a menos que se fizesse alguma coisa para corrigir a música.”

Vejam o quanto é sério tudo isso. A gravidade do som que se ouve ser curativo ou altamente destrutivo em qualquer sentido.

O mesmo nível de importância que os políticos de hoje atribuiriam a assuntos miliares ou econômicos, atribuía Confúcio à música do reino.”

David Tame – O poder oculto da música – trechos das páginas 16 e 17.

E acreditem: tem muito mais para se pensar, refletir e considerar.

O que você ouve?

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.


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