Sonho?

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Esta noite tive um sonho bastante incomum. Daqueles sonhos que nos fazem debater sobre o colchão. Que faz encharcar de suor os lençóis.

Sonhei que, de repente, meu país havia caído em mãos de corjas de canalhas da mais imunda índole. É óbvio que não ocorrera assim do nada, mas, peguei o sonho já parido, o que o antecedera, ocorrera quando eu estava acordado.

Sonhei que grandes líderes mundiais não passavam de criancinhas mimadas, brigonas, que fantasiavam guerrinhas de estilingue e mamonas, com aviões e ogivas nucleares.

Sonhei que não havia mais manifestações culturais e que todo nosso entretenimento, não passava de um borrão pretencioso e altamente manipulador.

Este sonho era todo regido por uma trilha sonora bastante agressiva, repleta de mensagens subliminares, preconceituosas e extremamente pobres. Um misto de sons repetitivos, que tendiam a alienar-me.

Neste sonho, eu estava entre multidões, armadas de cartazes, apitos e narizes de palhaço. Sei que manifestávamos, mas, não ficara muito nítido contra o quê, ou, quem o fazíamos. Gritávamos palavras de ordens e exigíamos mudanças que nunca praticamos em nós mesmos.

Ah leitor! Pense num sonho confuso. Sonhei que destituíamos do poder, verdadeiras quadrilhas, com pseudônimos e tudo. Mas, curiosamente, delegávamos poder a outras quadrilhas.

Como nos filmes de cowboy, bandidos e mocinhos duelavam nas ruas, mas, não era fácil identifica-los, pois, os anos de convivência os assemelharam.

O ponto mais crítico deste meu sonho se dera, quando percebi que ninguém ouvia os protestos que eu tentava emitir. Todo mundo se agredia aos gritos, porém, ninguém ouvia. Tentei propor-lhes reflexão, mas, disseram-me que estavam atarefados, que tinham mais o que se fazer, do que desperdiçarem tempo pensando. Quando mencionei leitura, obtive risada.

O ponto curioso é que, apesar do caos, todo mundo sorria, embalados por alegorias festivas e espetáculos midiáticos. Eis que fiquei a ponderar, como um povo tão feliz poderia estar passando por tamanha catástrofe? Somente em sonho mesmo.

Sonhei que pessoas morriam em filas de hospitais, sem que lhes fossem concedida a clemência de um atendimento. Vejam só, até onde a imaginação dos sonhos é capaz de nos levar.

Estas mesmas pessoas que morriam à mingua, definhavam uma existência decrépita, desfalcados de elementos básicos, necessários à existência humana dentro de uma sociedade.

Ah! Temo mesmo ter enlouquecido. Pois, até onde eu sabia, para findar um sonho, no caso, um pesadelo como este, bastava abrir os olhos, mas, no meu caso, não ocorrera a salvação da realidade. E, mesmo acordado, sinto que ainda estou preso àquele maldito sonho.


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.


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