Segundo especialista, timidez surge conforme as experiências do indivíduo

Comportamento é comum, embora em excesso atrapalhe as relações e exija atenção especial e ajuda

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Você morre de vergonha de levantar a mão e fazer uma pergunta em sala de aula? Odeia ter de apresentar os resultados da empresa numa reunião da diretoria? Quando vai a uma festa, fica num canto e evita falar com desconhecidos? Na rua, abaixa os olhos ao passar por estranhos? Se você disse sim para algumas destas situações, certamente você é tímido.

A Psicologia define timidez como um padrão de comportamento humano caracterizado pela inibição em determinadas situações. Há pessoas que se sentem constrangidas na sala de aula, mas são descoladas em casa ou no churrasco com os amigos mais próximos. “Precisamos saber antes de tudo que a timidez é uma característica do indivíduo, nunca devemos pensa-la como uma doença ou nomea-la como algo ruim”, defende a psicóloga Amanda Nogueira Decarlos.

Segundo ela, a pessoa não nasce tímida, ela é construída conforme suas experiências pessoais e sociais, sendo que o indivíduo é construído socialmente na relação com o outro e se isso está adoecido, é preciso ser considerado e trabalhado. “É uma forma de aprendizagem, o indivíduo que apresenta traços de timidez por muitas vezes não foi formado em um ambiente rico o suficiente para poder expressar ideias, onde por muitas vezes foi julgado ou ridicularizado, e a partir de então, começa a olhar a situação de se expor de maneira negativa e então se fecha”, ob-serva.

Amanda diz que cada indivíduo expressa a timidez de forma diferente, apresentando dificuldades de se relacionar e se expor. Por isso, é importante analisar até que ponto a timidez está sendo apenas uma característica da personalidade do indivíduo ou uma passagem para um problema psíquico como a fobia social, quando se tem medo da exposição, vergonha, medo de não se achar atraente o suficiente, podendo até se tornar algo mais grave, como a depressão. “A partir do momento que a timidez te impede de sair de casa, construir vínculos sociais e amorosos, dizer o que pensa, gerar ansiedade quando exposto a uma situação onde é preciso expressar ideias, aí sim precisa ser analisada como algo que vem ocasionando sofrimento psíquico. A partir de então, é necessário o acompanhamento com profissionais que o auxiliem no entendi-mento desse processo”, pondera.

O corpo fala

O próprio corpo dá sinais da timidez. Isto porque a inibição pode ser acompanhada de alterações fisiológicas, como aceleração da respiração e dos batimentos cardíacos. Nas situações de timidez, a pessoa sofre uma espécie de bloqueio e não consegue exprimir seus pensamentos e sentimentos. “Mas é preciso saber diferenciar a vergonha da timidez. Esta última é um traço da personalidade, já a vergonha é um sentimento que foi ocasionado por algum acontecimento”, destaca Amanda.

Mas a timidez também pode ser usada de forma positiva. Para a psicóloga, ela pode ajudar a pessoa a não se expor demais, ter momentos introspectivos necessários para o autoconhecimento. “Costumo pontuar sempre com meus pacientes que é preciso viver com equilíbrio, nem com muito e nem com pouco, apenas com o necessário. O autoconhecimento dentro desse processo de timidez é indispensável, saber até que ponto você pode se expor, falar o que pensa, o que se encaixa dentro da procura pelo equilíbrio”, diz Amanda, que afirma ser possível tratar a timidez com psicoterapia, trabalhando as questões geradoras de sofrimento, reorganizando questões internas e dando novos significados aos medos e angústias.

NO FOCO

Amanda Nogueira Decarlos – Psicóloga Clínica Unimed Franca (conveniado) e consultório particular

CRP: 06/124251

Telefone (16) 9.8127-7835


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