Para cada época uma experiência

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Dizem que passatempo de virginiano é arrumação, digamos que eu prefira manter tudo arrumado que arrumar sempre, dá muito menos trabalho manter as coisas nos seus devidos lugares do que viver em uma arrumação infinita. E pela primeira vez em anos, depois de muitas mudanças de residências e várias arrumações e limpezas sem fim, decidimos botar a casa em ordem de uma vez por todas. E dessa vez tenho fé de que arrumamos lugar definitivo para cada objeto da casa, e que conseguiremos manter a ordem. Caixas e caixas de lixo, mais caixas de doações, e a sensação de ambiente renovado e casa limpa.

Adoro poder renovar, não acumular, e sempre doar para quem quer que precise. Não sou a favor do: ‘Vou guardar, porque um dia irei precisar’. Até minhas coleções não ocupam muito espaço. Exceto por uma, livros! É o item que eu amo, não troco por kindle algum, acumulo, não empresto e amo! Já consegui ler pelo menos dois livros por mês, hoje em dia a leitura anda bastante estagnada. Pego um livro, começo, desisto, começo outro. Estou tentando voltar com esse bom hábito que eu tanto amo. Títulos é o que não faltam, afinal um bom amante de livros jamais deixa de adquiri-los. Mas se engana quem pensa que eu sempre amei esse mundo da leitura, não acredito que as escolas e o ensino brasileiro saiba mostrar à criança como é bom ler. Tenho ódio dos clássicos, e suas palavras difíceis, que na época eu só conseguia entender com os resumos prontos da internet. Guardo um único, de Eça de Queiroz, pelo qual tenho apego. Todos os outros aprendi a admirar e a apreciar, bem mais tarde. Eis um grande problema no ensino por aqui.

Aprendi a amar os livros, na época do tão querido Harry Potter, aquele bruxinho que tinha a minha idade na época em que o livro foi lançado e que fez uma geração inteira amar e se deliciar com cada parágrafo daquela coleção que tinha uma história fascinante. Admito que amo até hoje tudo que se trata desse mundo de magia e que envolve o HP. Acredito que os livros devam ser apresentados de acordo com a idade dos alunos. Como amar Graciliano Ramos na 5ª série, e tantos outros?

Lembro-me quando eu estava na casa da minha avó, e na gaveta do criado mudo do seu quarto ela guardava o seu perfume favorito dentro da caixa original para ‘ocasiões especiais’. O perfume era Gabriela Sabatini, um cheiro que eu guardo na memória com todo amor, todas as vezes que eu sinto por ai. Foi um presente da minha mãe para ela, e cada gotinha era usada com muito amor. Mas ao mesmo tempo, não consigo me imaginar usando esse perfume ou até o clássico Chanel n°5, são considerados pelos nossos narizes como cheiro de ‘senhoras’. Não que essa categoria seja pejorativa, mas talvez por terem marcado aquela geração. Acredito que perfumes assim como livros, devam ser apreciados na época certa da vida, imagine só uma criança de 2 anos usando um J’adore ou um Ferrari Black? Simplesmente, como se diz aqui no interior, ‘não orna’.

Assim penso, de algumas coisas na vida, e espero que certos ‘costumes’ mudem com o tempo, para que as pessoas consigam valorizar o que se deve ser valorizado em cada momento da vida. Principalmente para criar amor e dar valor.


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.​