Consultas pelo SUS em Franca fazem pacientes esperar meses em filas

Secretaria de Saúde diz que tenta suprir a carência de médicos com a realização de concursos

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Há cinco meses, a sapateira Ana Cláudia Ribeiro Garcia recorreu à Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Guanabara, em Franca, para agendar uma consulta com um ginecologista. Com um nódulo no seio, recebeu a informação de que não havia data disponível e foi orientada a procurar atendimento em outras unidades.

Após várias negativas, decidiu pagar para passar por um especialista. “Eu tive que pagar uma consulta, mesmo estando desempregada. Eu também tive que pagar os exames, porque quando eu vim pedir para eles marcarem, eles disseram que, como eu tinha feito a consulta no particular, tinha que ser tudo no particular.”

O problema é enfrentado pela caixa Dulcelene Aparecida da Silva, que há seis meses tenta um agendamento com um ginecologista. Segundo a moradora, apenas gestantes são atendidas nos postos de saúde. “As recepcionistas falam para você tentar um encaixe, mas você chega aqui meio-dia e eles fazem um ou dois encaixes. Então, você perde tempo e passa raiva. Eu vou continuar esperando, porque eu não tenho o que fazer. Não tenho condições de pagar.”

Sem se identificar, uma funcionária confirma que os atendimentos não são feitos nos postos. Segundo ela, apenas uma médica, que mora em Ribeirão Preto, realiza atendimentos na unidade às quartas-feiras. “Não estamos marcando, a gente manda o nome para a Secretaria e eles distribuem. A demanda é maior do que o número de médicos. Aqui tem muita procura. Demora um mês a um mês e meio para marcar”, diz.

No bairro Vila Sebastião, a situação é a mesma. A cozinheira Maria Aparecida de Souza Pasti esteve na unidade para agendar consultas para ela e para a filha com um ginecologista, mas recebeu a resposta de que é preciso aguardar. “Faz tempo que eu e minha menina estamos precisando e não tem vaga. A recepcionista pediu para eu deixar um telefone. Quando tiver médico ela liga, mas vai saber quanto vai ter vaga.”

Saúde mental

Mãe de um filho com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), a supervisora de vendas Kelly Cristina Lucas diz que apenas dois psicólogos e um psiquiatra infantil atuam na cidade inteira para cuidar de crianças com a doença. As consultas no Núcleo de Atendimento à Infância e Adolescência (NAIA) podem levar até seis meses para serem realizadas e os acompanhamentos são feitos em grupos.

“Se uma criança surta agora, eu não tenho para onde levá-la, porque o médico do NAIA vem uma vez por semana. Já aconteceu comigo de chegar no Janjão para buscar a psiquiatra infantil e não tem. Ficamos muito sozinhos. É imediata a necessidade de mais cuidadores.”

Prefeitura

Procurada, a Secretaria de Saúde de Franca informou que busca meios de suprir a carência de especialistas com concursos e comprando procedimentos em situações emergenciais.

Ainda segundo a Secretaria, os pacientes devem entrar em contato com a Ouvidoria, pelo e-mail na [email protected], para que os encaminhamentos sejam feitos conforme cada situação.


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