MINHA HISTÓRIA COM RELAÇÃO À MÚSICA FASE 3 – CONTINUAÇÃO: VIDA PARTICULAR E ESCOLAS

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​Não me esquecendo destas fotos das fases anteriores, mas colocando-as agora, venho atender aos pedidos daqueles que me recordaram a fase. Enfim, encontrei os registros.

Nesta foto da esquerda para direita : Heloísa Viscome, Luci Ponce, Silvinha Alonso, Elenice Novelino, Márcia, Maria Heloisa R. Alves, Simone. Sentadas: eu e Taciana Viscome.

Conversando com algumas pessoas sobre a FASE 3, fomos relembrando de outras atividades musicais que não foram colocadas nesta fase e ainda a trajetória de vida particular. Vamos continuando a fase 3 :

Era 1992 quando conheci através da Revista Flashback um professor de violão que publicou um anúncio nesta revista pedindo contatos musicais. Naquela época ainda conversávamos via carta pelo correio. Fizemos amizade trocando experiências musicais e até hoje, agora com Whatsapp continuamos a trocar artigos musicais sem nunca termos nos conhecido pessoalmente. Este professor , sabendo do trabalho que iniciei em casa para crianças chamado Musicalizar- Si , onde eu desenvolvia atividades de música, ritmo, coordenação motora, artes em geral com crianças de 3 a 10 anos de idade . Neste ano engravidei do meu segundo filho.

Foi uma gravidez bastante alegre e produtiva musicalmente. Parecia que aquela criança dançava , cantava e falava o tempo todo no ventre.

Neste ano de 1992 também cursava Graduação em Pedagogia.

Apareceu um convite para prestar um exame para implantação de música no Estado de São Paulo, chamava-se Projeto PAM ( Projeto Alfabetização Musical)e eu, grávida de 6 para 7 meses fui prestar a prova na FDE em São Paulo. Eram 5 bancas examinadores, 5 provas das mais variadas habilidades musicais: prova sobre improvisação vocal, prova escrita de teoria, prova de solfejo, de escuta musical, de criatividade, enfim ... passei por todas as bancas e fiquei aguardando o resultado pela Diretoria de Ensino que na época tinha sede em Ribeirão Preto. Como o resultado estava demorando chegar ( pelo telefone fixo ou telegrama) resolvi ligar em São Paulo e saber o resultado. Tinha uma vaga apenas para minha região. E eu passei. Liguei em Ribeirão Preto então, pedindo que me enviassem a confirmação por escrito ( telegrama) , pois estaria com eles esta função. Enviaram e comecei a me preparar. O Estado pagaria ao professor o curso, a estadia em São Paulo, alimentação, tudo, por 30 dias para ser capacitado para desenvolver este projeto na região que compreendia Franca a Pirassununga.

Mas...meu médico Ginecologista na época, o querido Dr Cleomar , me alertou: grávida de 5 meses passar por este enduro, com 35 anos de idade, eu não aconselho. E foi então que escolhi a maternidade, uma escolha divinamente certa, pois não há no mundo recompensa maior do que gerar um filho, que já me trazia tantas alegrias mesmo dentro do ventre. Parecia que nas provas que eu prestava ele pulava lá de dentro me ajudando e incentivando. Hoje acredito que isso realmente aconteceu. ! Em Maio de 1993 ele nasceu com quase 5 kilos, 51 cm e com uma força incrível no comportamento!​

Aquele amigo professor de violão, Paulo de Tarso de Niterói, me incentivou a apresentar uma proposta na Escola Cooperativa de Franca – 1996- que abria suas portas e inscrições para professores de música e outras disciplinas. Apresentei uma proposta escrita em papel vegetal com caneta nanquim à mão, onde na capa coloquei um desenho ilustrativo de uma banda de animais dançando, cantando e tocando instrumentos. Foi aprovada. Lecionei nesta escola para todas as séries da 1ª a 8ª , sendo que em cada uma delas desenvolvíamos algo diferente relacionado à música: bandinha rítmica, expressão corporal, flauta doce, história da música e a partir da 5ª série os alunos entrevistavam profissionais francanos que atuavam nas mais áreas musicais da cidade: Banda Municipal, grupos de Rock, sertanejo, corais, etc. Convidamos os profissionais para irem até a escola se apresentarem para os alunos e também os alunos iam onde eles se apresentavam. Um trabalho rico, prazeroso, mas que não teve continuidade porque a escola instituiu uma ficha individual do aluno onde a cada aula o professor teria que preencher o rendimento do aluno em pelo menos 5 itens e discorrer sobre eles. Eu passava o final de semana fazendo e ainda assim não conseguia terminar porque eram 8 salas e fazer aluno por aluno um relatório semanal era humanamente impossível com tantos itens a discorrer. A burocracia me fez pedir demissão e me afastar deste trabalho.

Foi quando na metade deste ano, lecionando na Escola Mário D´Elia , a diretora me pediu que fizéssemos um trabalho com os alunos mostrando a eles a utilidade de cada disciplina estudada na escola. Surgiu a ideia de entrevistarmos profissionais ligados às áreas correspondentes às disciplinas escolares e escrevermos sua biografia. Na área de Artes, optei pela música, convidando o compositor francano Beto Eliezer, que prontamente nos atendeu e nos inspirou com seu disco Luz no Fim do Túnel que acabou sendo o tema da peça de teatro de mesmo nome, onde a trilha sonora de toda a peça era de seu disco. Em suma, era um trem do metrô com seus passageiros indo trabalhar em suas mais variadas profissões, quando uma nave espacial sequestra o trem e o leva para a Mata Atlântica para observar como as pessoas conseguiriam se localizar e saírem dali mediante os conhecimentos que tinham adquirido nas mais variadas profissões e disciplinas escolares. A peça tinha vários atores, um deles era o ‘ ignorante ‘ que não tinha conhecimento algum e dependia das outras pessoas. Foram homenageados: jogador de basquete da cidade, um historiador, uma professora de Ciências, uma professora de Geografia, o músico que cedeu seu disco para o trabalho e presenteou os alunos, um tradutor de inglês, um poeta e escritor ,etc. Assim, cada profissional relacionado com a disciplina escolar mostrou para quê utilizava os conhecimentos da mesma. Culminou com uma peça de teatro realizada no Teatro Municipal da cidade onde fizemos o cenário com árvores de verdade plantadas em latas de 18 litros emprestadas pelo horto florestal. Foi um acontecimento ímpar! Era então 1996.

Em 1997, fizemos o projeto citado no artigo anterior: Namoro: 500 anos em 50 minutos premiado por Ziraldo.

A partir deste projeto com 150 atores, onde nos apresentamos em vários locais, fui chamada para trabalhar no Colégio Objetivo implantando música e teatro para ser um diferencial e poderem sair do ‘cadernetão’. E realizamos o “Projeto Flicts em busca de seu lugar “ que eram os compositores eruditos – trabalhando o preconceito que todos sofreram. Concomitante, a peça do CEFAM no mesmo ano com 240 atores: “Flicts encontra suas almas gêmeas”. Estes foram citados anteriormente com maiores detalhes. Posteriormente farei artigos somente com fotos e datas para que todos fiquem felizes e possam guardar as fotos!

Neste mesmo ano de 1998, ganhei bolsa quase integral para meus dois filhos para estudarem lá e em 1999 ingressei no curso de pós-graduação em Didática para a Modernidade, com bolsa oferecida pelo Colégio Objetivo em parceria com a UNIFRAN.

Neste ínterim, eu era professora do Estado com aulas eventuais. Para quem não sabe o que é isso: são aulas que podemos pegar quando um professor tira licença, ou é afastado, não se recebe 13º salário, nem férias, e o valor das aulas era menor. Exceto o CEFAM , onde fui convidada a dar aulas mediante uma entrevista e prova.

Também em 1998 prestei concurso para me efetivar como professora de Artes no Estado. Passei e assumi no ano 2000 como efetiva, passando pelos 3 meses de período experimental e depois usufruindo dos benefícios como os outros colegas já efetivados.

1999. A pós graduação em Didática para a Modernidade, teve como TCC ( trabalho de conclusão de curso) o tema : MÚSICA ERUDITA : DIAMANTE E ÁGUA. Neste trabalho relatei as experiências vividas em creches, escolas públicas e particulares e argumentei sobre o valor da música fazendo a equivalência ao diamante, sua resistência, seu brilho, durabilidade, se for lapidado adquire mais valor no mercado e à água que permeia qualquer lugar, é límpida, fonte de vida, simboliza o que há de mais puro. Quando passei pela banca final, me convidaram para escrever o Doutorado sem passar pelo mestrado. Mas o tempo era todo dedicado a ser mãe, dona de casa, professora do Estado, dar algumas aulas de piano e preparar aulas. Recusei porque teria que pedir licença sem remuneração por 2 anos.E neste ano de 1998, em Julho teve outro acontecimento na vida particular: me separei judicialmente e teria que seguir a vida com os dois filhos e mais responsabilidades.

Estou escrevendo tudo isso porque tenho ouvido insistentemente perguntas sobre minha vida particular aliada à profissional, como foi, como é, como podemos conciliar e me pedem para escrever, publicar no facebook, fazer vídeos , pois dou assessoria para professores de Arte implantando música nas escolas. Resolvi atende-los em sua curiosidade ou necessidade de saber como funcionou, registrando aqui onde tenho a coluna semanal. A recusa em ‘ falar de minha pessoa’ era grande , primeiro porque cada pessoa é uma, e a vida de uma não vai ser igual á de outra, se for o caso de servir de alguma inspiração. Segundo, porque é desagradável falar de si mesmo, parece-me egocentrismo. Mas cedi, devido ao número de pedidos. E por fim agradeço porque isso está me proporcionando fazer uma análise neste resumo cronológico do que realmente foi minha vida. Não tinha parado para analisar ainda. Obrigada ao Jornal que disponibiliza a Coluna semanal e obrigada a todos que me pediram para fazer este tipo de relato.

Peço também desculpas pela FASE 3 da última semana onde tentei resumir e acabei me esquecendo de fatos, projetos, pessoas, estou tentando organizar agora.

Em 1999 no Colégio Objetivo, em parceria com a Diretora da Escola,( a inesquecível Tia Su – Sueli Baldoino a quem devo gratidão pela imensa ajuda que me deu enquanto estive lá) realizamos o projeto VI * VENDO FRANCA que consistiu em paródias de músicas de compositores francanos sobre a História e lugares da cidade de Franca, culminando em um CD de mesmo nome. Fomos com as crianças para o estúdio, os CDs foram gravados profissionalmente, distribuídos para os alunos, Tia Su se encarregou de fazer contato com os patrocinadores e ficou um trabalho bastante rico.

Ainda no Colégio Objetivo realizamos projetos sobre os EFEITOS DA MÚSICA – um deles no Trânsito. O outro em sala de aula nas provas de Matemática. Foram para a UNIFRAN e estão nos anais da Iniciação Científica.

Caros amigos professores de Arte que me pedem estes relatos: a música tem um universo de possibilidades, a Arte também. Temos vida particular sim, conciliar tudo é uma questão de envolver os filhos ou familiares em suas atividades para que também usufruam dos benefícios da Arte. A União é a chave! E lá na frente poderão olhar para trás e ver o quanto fez diferença para as pessoas!

Viva a Música! Viva a Arte!​

Escola Cooperativa. Bandinha Rítmica com instrumentos confeccionados por eles.

Alguns alunos de Piano Conservatório Pestalozzi 1982.

Escola Dinâmica Espiral:

Pianista da Bandinha Rítmica da Escola Dinâmica Espiral

Profissionais homenageados no Projeto Luz No fim do Túnel:

Luz no fim do túnel – Peça de Teatro

BANDINHA RÍTMICA DA CRECHE JOSÉ MARQUES GARCIA

PROJETO MÚSICA NO TRÂNSITO – SENSIBILIZAÇÃO – COLÉGIO OBJETIVO

Flautas na inauguração da Praça Nossa Senhora da Conceição

Gravação do CD VI*VENDO FRANCA – no Estúdio – alunos Colégio Objetivo.​

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.