MINHA HISTÓRIA COM RELAÇÃO À MÚSICA FASE 3: A MÚSICA NAS ESCOLAS

Era 1988.

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A Diretoria de Ensino de Franca publicou um chamado para professores de Arte, para se inscreverem com urgência, foi quando iniciei na Escola Amália Pimentelno dia 18 de Maio. Havia me formado em Educação Artística em 1979 mas não pretendia lecionar em escolas, pois minha habilidade era musical. Mas chegando na escola e tendo como diretor Sr Vicente Benate que percebeu minha veia para a música, incentivou-me a trabalhar com as crianças do Ciclo Básico priorizando este vertente da Arte. Foi o que fiz e para minha surpresa foi bastante agradável dançar com eles, organizar teatros musicados, bandinhas rítmicas, expressões corporais, origami e até um campeonato de pipas.

Temos habilidades que não conhecemos ou talvez meus pais tenham me colocado em cursos variados de Desenho, Pintura, bordado, datilografia, violão, piano,além de ter tido uma infância bastante criativa em brincadeiras , amarelinhas na rua, no fundo do quintal montávamos teatro, estendíamos lençóis nos varais , fazíamos o palco e apresentávamos nossas peças de teatro, brincávamos de escolinha, subíamos nas árvores colhendo as frutas e de vez em quando fazendo moradia nas árvores. Tudo isso contribuiu para que eu pudesse lecionar com criatividade e alegria. Eu fui uma criança que brincou muito. Estudava bastante por exigência dos meus pais, mas nas férias... o dia inteiro inventando coisas pra brincar.  Atravessava às vezes a cidade e ia para o Bairro Santa Rita onde tinha um buracão onde levávamos papelão pra escorregar e às vezes sem papelão mesmo e voltava pra casa toda suja mas feliz!

Até 1996 fiquei nesta escola que me proporcionou explorar todo meu potencial criativo, fizemos o Dia da Vovó , com horta de plantas medicinais e deixamos um livro com as páginas escritas pelas crianças com receitas medicinais das vovós. O diretor da escola acolhia todos os projetos e ajudava em cada um deles com seu incentivo e presença. Certa vez levamos 100 crianças para cantarem no anfiteatro da Universidade de Franca e o diretor tocou atabaque pra nós. Época boa.

Depois disso, o Estado dividiu as escolas de Ciclo Básico, Ensino Fundamental e Médio e fui transferida para Escola Mário Déliaque igualmente acolheu os projetos relacionados à música e fizemos 3 peças de teatro grandes, uma delas sendo requisitada por escolas particulares , para que apresentássemos para eles. Eram 150 alunos atores fantasiados de época, na peça de nome NAMORO: 500 ANOS EM 50 MINUTOS, criada especialmente para o Projeto Prevenção Também se Ensina , onde abordávamos a História da Música desde o descobrimento do Brasil até a década de 90, circundada por fatos históricos de cada época, doenças, imigração, entremeando os cuidados com prevenção às doenças DST e AIDS.  A vice-diretoraEvangelina , grande incentivadora também)  nos inscreveu no Concurso da Melhoramentos. E ganhamos! 

1999. CEFAM num projeto maravilhoso de música e teatro com o título : FLICTS ENCONTRA SUAS ALMAS GÊMEAS, que também foi realizado no Colégio Objetivo com o título FLICTS EM BUSCA DE SEU LUGAR. Ambos projetos tratava da História da Música e o personagem Flicts participando da conscientização sobre o Preconceito, pois Flics era uma cor que não era aceita em nenhum lugar, assim como os músicos eruditos que sofreram tanto para serem reconhecidos. Bastante leitura, figurinos de época, adereços e apresentamos a peça do CEFAM com 240 atores para escolas infantis que lotaram o Teatro Municipal da cidade. 

UMA CENA DE FLICTS E O MENINO MALUQUINHO PASSEANDO NA ÉPOCA DE MOZART.

Ganhamos por 2 anos consecutivos o Prêmio da Editora Melhoramentos e Ziraldo  por causa destes projetos que promoveram a leitura e cultura geral.

Em 1998 prestei concurso para me efetivar no Estado porque até então, trabalhava como professora eventual, não recebia férias nem os benefícios que o cargo oferecia. Fui para a escolha em São Paulo e tinham 2 opções quando chegou minha vez : Praia Grande ou Escola Hélio Palermo, na periferia de Franca. Assumi no ano 2000.  Foi um período maravilhoso com alunos ávidos pela música e realizamos um projeto de teatro com a vida dos compositores, desenhos de seus rostos e no ano seguinte a pedido deles : aprenderam a ler partituras tocando flauta doce. Os ensaios eram de 400 alunos na quadra, eu os regia com o acompanhamento no teclado e era um silêncio total para os ensaios, eles não queriam perder esta oportunidade de ouro. Fui incentivada pela diretora da escola Mary Spagnolo e a viceMaria Lúcia Silva, e a coordenadora . Sem o apoio da vice que acompanhava as flautas para onde fôssemos, seria difícil. Levamos os 400 alunos para tocarem na praça Barão, foi um momento único.  Fomos convidados para tocar no Jantar do Congresso da CTBC onde o tema era : Com pouco se faz o muito.

Grupo de alunos de FLAUTA DOCE – Ensaiando na quadra e depois alguns se apresentando no Congresso da CTBC.

Antes disso, tive um problema de saúde assim que assumi, fiz retirada do útero e 5 meses depois tive trombose. Para ser diagnosticada passei por um exame de contraste que me deu um choque anafilático. Fiquei morta por 2 minutos. E esta experiência inesquecível foi linda, suave, reconfortante, posso dizer que morrer é a coisa mais linda, a sensação de alívio que dá é algo indescritível. Vi tudo que descrevem ...a luz parecendo um sol, um ser angelical, e uma paz divina! Observava os procedimentos que faziam para me salvar : injetar cortisona, fazer massagem no peito, etc. E nenhum medo, nenhuma sensação ruim . Apenas PAZ!

Mas fui reanimada e voltei. Isso foi no ano 2000.

Em 2001 montei a Casa dos Músicos. Mas isso é um assunto para outro dia!

E salve a música ! Ela traz alegria às escolas! Realização pessoal e auto-estima elevada aos alunos!