MINHA HISTÓRIA COM RELAÇÃO À MÚSICA FASE 2

Profissão e maternidade

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​Continuando a trajetória de uma professora de piano, como me pediram pra escrever, vou tentar resumir bastante.

Agora me tornei professora da Escola Técnica Musical Pestalozzi, uma Fundação Educacional de renome em Franca, idealizada pelo Dr. Thomaz Novelino e sua esposa Maria Aparecida Novelino. Merecem reverência eterna por esta iniciativa!

Alguns alunos particulares continuaram tendo aula em minha casa, pois não podiam assumir o valor de um cursono Conservatório. Mas outros foram para lá e continuaram os estudos. Era 1977.

Meus alunos e alunos da professora Maria Angela L. Folgosi no Salão Anália Franco em 1978.

Ganhei o Prêmio Governador do Estado, diploma e medalha de ouro como melhor aluna de piano. Mas nada disso tinha importância para mim a não ser ensinar outras pessoas a tocarem piano e também estudar para o Aperfeiçoamento.

Entrei na Faculdade Pestalozzi, que um ano depois se tornou UNIFRAN, para fazer o curso de Educação Artística. Foram 3 anos intensos. Manhã , desde as 7 horas e à tarde até 18 h ,dando aulas de piano, à noite a faculdade e das 23 haté 01 da manhã estudando piano para o aperfeiçoamento,no abafador ( pedal surdina),para não incomodar ninguém. Temos que aproveitar a juventude e a saúde!

Na falta de algum aluno, ia para o piano estudar, tanto em casa como no Conservatório e assim, o piano foi meu remédio, meu alento, minha fuga, meu presente, meu bálsamo, minha vida! O piano me salvou de uma depressão, pois perder um pai que era meu melhor amigo e representava tudo na vida pra mim, não foi fácil. Salve a música! O piano e quem me deu a oportunidade de trabalhar lecionando, alunos, mestres e Instituição Educacional!

Foi uma época de ouro, onde pude ganhar muito dinheiro, a Fundação pagava muito bem e ainda distribuía os lucros aos funcionários, todo mês de Setembro. Era um Educandário, tinha fábrica de calçados, Creche, Ensino Fundamental e Médio, Conservatório, Observatório astronômico, Fazenda,Orquidário... Uma potência, sem fins lucrativos.

Quando me casei, depois de 3 meses engravidei e tive uma gestação difícil, me afastei das aulas com licença saúde ia e voltava o ano todo e os alunos sentiram muito. Depois que meu filho nasceu, ainda continuei trabalhando, mas foi ficando inviável pois, não tinha com quem deixa-lo e queria muito estar presente em seu crescimento. Fui conversar com Dona Aparecida Novelino e pedi um acordo, para liberarem meu FGTS para que eu pudesse cuidar da família. Ela, sábia, me disse que esta agora era minha missão maior e que quando eu quisesse voltar as portas estariam abertas. Fizemos o acordo e o acerto. Pude equipar minha casa que não tinha nem TV, comprei vários eletrodomésticos e quitamos compromissos assumidos anteriormente.

Um músico tem o lado familiar. Tem o lado pessoal. E mãe tem o chamado forte de cuidar de um filho. Foi o que fiz.

Meu piano continuou na casa de minha mãe porque não cabia na nova casa. Continuei dando algumas aulas lá, alguns alunos do conservatório não quiseram continuar os estudos lá e vieram ter aulas particulares.

Com uma parte do acerto que tinha feito na Instituição montei uma loja de artigos para bebês, na casa de minha mãe, na salinha onde antes ficava o piano. Podia levar meu filho, trabalhar no período da tarde até 20 h e voltar para casa na loja e dando aulas de piano. Fizemos um investimento contando com juros baixos de 3%que de repente de um mês ao outro se tornaram 33% por uma medida do Governo Collor. Foi a derrocada. A loja faliu.

Quando meu filho estava com 9 meses, começou a ter infecções de garganta repetidamente e no período de 1 ano e 2 meses ele teve 28 amigdalites chegando a se tornar septicemia. Não sabíamos a causa, que só foi descoberta quando ele tinha 5 anos de idade : alergia à lactose. Foi internado em Ribeirão Preto, particular, no Hospital São Lucase graças a Deus pude vender o carro que tinha comprado com herança de meu pai, vender terreno que eu tinha comprado como investimento, telefones que antigamente eram investimento, e poupança que tinha feito para poder pagar o Hospital . Aleluia! Meu filho conseguiu se recuperar e saiu do hospital depois de 15 dias internado entre a vida e a morte, com 2 anos e meio de idade. Quanto sofrimento! Quanto aprendizado! Quanta gratidão a Deus por aquele bebê lindo, que nos ensinava tanto, ter se recuperado! E fizemos o Natal mais feliz de nossas vidas, ele ganhou sua bicicletinha e até o Papai Noel da Acif foi em casa visita-lo. Só alegria!

A música estava ali presente, na alma. Eu cantava pra ele todo o tempo em que estávamos em casa, desde o primeiro dia, no banho, nas brincadeiras, em tudo. Era cantar para este bebê maravilhoso que recebemos como presente divino e que passei a chamar de Medalha de Ouro nas Olimpíadas da Vida.

Mas as dificuldades financeiras batiam à porta, minha casa financiada estava prestes a ser penhorada, meu marido era recém-formado em Odontologia, poucos clientes e não sabia cobrar pelo serviço. Seguindo o conselho de minha mãe, me inscrevi para dar aulas no Estado, como professora de Artes. Era 1988.E fiquei no Estado até 2010, quando me aposentei juntando tempo de serviço em escola particular e tempo de serviço no Estado, totalizando 33 anos de registro na Educação, sem contar o tempo de registro desde os 15 anos de idade na farmácia que meu pai tinha e eu trabalhava nas férias com ele.

Esta foi a segunda fase, digamos assim.