MINHA HISTÓRIA COM RELAÇÃO À MÚSICA- FASE 5 : CASA DOS MÚSICOS E AS FLAUTAS

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​2001. 2002. 2003. 2004.

Aniversário de Franca

Parabéns Franca Querida!


No dia 07 de Maio de 2001 abri a Casa dos Músicos. Era uma casa que pretendia atender crianças gratuitamente ou com taxas simbólicas e também alunos que tivessem condições de arcar com os estudos. Foram dadas 80 bolsas de estudos nesta época.

A Casa tinha 9 salas: a Sala do Piano era Johannes Brahms, Biblioteca e Sala de Vídeo Franz Liszt, Recanto Floral Frederic Chopin, Arquivo Robert Schumann, Sala de Estudos J.S.Bach, Ludoteca Musical Wolfgang Amadeus Mozart, Espaço Aberto Franz Schubert, Sala das Artes Eugène Delacroix, Espaço Villa-Lobos. Era uma festa só. A casa pequena mas cada cômodo tinha uma história. Nas paredes, gravuras dos compositores, suas casas, pessoas ligadas a eles. Gravamos um CD sobre uma VISITA CULTURAL. As pessoas chegavam para visitar e em cada cômodo era contada a história da vida do músico, ouviam algumas de suas músicas, no final da visita iam para a sala das Artes desenhar, pintar,expressarem de alguma forma tudo o que ouviram e vivenciaram.

A Ludoteca Mozart era a preferida das crianças. Brinquedos musicais pedagógicos e instrumentos para experimentação. Várias atividades: Alfabetização Musical através de Jogos e Brincadeiras, Flauta Doce, Canto, Piano, Formação de Monitores, Teatro, Visitas Escolares.

Meus filhos aprenderam bastante ali. O mais velho com 18 anosLucas, era o responsável por toda parte de informática, pelo Arquivo Robert Schumann, gravações, edições, criação de folder, atender telefone e receber pessoas. O mais novo, Eduardo, com 8 anos,  aprendeu todas as histórias dos músicos, era um verdadeiro recepcionista cultural, contava as histórias e participava de todas as turmas de Alfabetização Musical através de Jogos e Brincadeiras, desde os pequenos de 2 anos até 10 anos de idade. Foi um excelente monitor. Eu, trabalhava no Estado com 26 horas/aula no período da tarde e algumas manhãs e em outros períodos lecionava na Casa dos Músicos em todos os cursos. Muito trabalho e muita alegria. Eles estudavam de manhã e faziam suas tarefas lá na Casa dos Músicos que funcionava até 21 horas todos os dias.

Nesta época, fizemos algumas apresentações no Teatro Municipal, vendíamos ingressos e a plateia concorria ao sorteio de UM PIANO VERTICAL USADO. Comprávamos o piano com o dinheiro dos ingressos e era feito o sorteio na apresentação. Só alegria! Muito trabalho!

Apresentamos peças de teatro com a vida dos compositores, encenada por crianças de 2 a 10 anos de idade, que eram gravadas previamente pelo Lucas num computador 486 que demorava pra responder aos comandos mas ele, com a maior paciência e vontade de aprender, fazia um trabalho de primeira qualidade. Quando íamos para o Teatro Municipal as crianças dublavam a si mesmas para evitar terem que falar alto ou esquecerem suas falas. Que período maravilhoso! Gratidão a meus filhos que abraçaram os projetos e a alegria! Fomos muito felizes ali.

Chás, cafezinho, biscoitinhos, muita alegria!  A característica marcante da Casa dos Músicos era a alegria.







O número de alunos aumentando, eu sozinha para dar todas as aulas, os filhos crescendo e com mais afazeres e cursos, o aluguel subiu absurdamente por um índice da época, alunos à procura de bolsas de estudos todos os dias, mas não tinham dinheiro para pagar o ônibus para ir às aulas ( a Casa ficava estrategicamente perto do Terminal de ônibus). As aulas de Alfabetização Musical tinham uma taxa simbólica para estes alunos ou era gratuito, mas os alunos de classes sociais mais elevadas também frequentavam pelo mesmo valor simbólico. Pedi afastamento sem remuneração no Estado para poder continuar atendendo bem na Casa dos Músicos. No ano de 2003 e metade de 2004 fiquei afastada.

Um dia, enviei uma circular expondo a situação do aluguel e pedi que os alunos pagantes passassem de 20 para 25 reais mensais para ajudar neste reajuste em Agosto daquele ano. E foi quando ouvi de uma pessoa muito bem de vida: - meu filho estuda aqui pelo valor da mensalidade. Repensei minha vida, a proposta, reavaliei o quanto eu estava trabalhando das 6 da manhã às 23 horas diariamente, meus filhos com outras necessidades escolares, e ouvir um comentário deste nível e outros na área pedagógica, me fizeram mudar de rumo.

Ainda na primeira metade de 2004, fiz uma especialização no Instituto Sathya Sai em Ribeirão Preto – em Valores Humanos em Educação.

Mas neste ano resolvi fechar a Casa dos Músicos e retornar ao Estado. O curso de Valores Humanos me chamou urgentemente para a sala de aula em escolas públicas.

E foi assim. Pedi remoção de escola, para uma mais central onde tinha vaga e consegui. Chegando lá, apresentei as apostilas do curso de Valores Humanos e a diretora abraçou imediatamente a ideia me pedindo pra fazer isso.

E ainda: as flautas.

Surgiu também a oportunidade de fazer um curso na OSESP em São Paulo que preparava professores para instituir a música em sala de aula e depois os professores poderiam levar os alunos na Sala São Paulo com tudo pago pelo governo. Levei 180 alunos no primeiro ano e 90 alunos no segundo ano que fui obtera capacitação.

Concomitante, eu lecionava flauta para35 professores, diretores, funcionários de escolas públicas que quisessem aplicar o projeto “Flauta Doce um Novo Horizonte & Um toque de cidadania”em suas escolas. Todas as 2as e 6as feiras tínhamos 3 horas de aula que eu preparava mesclando o curso de Valores Humanos e alfabetização em Flauta. No final de um ano tínhamos 6.000 flautistas na cidade. Marcamos um encontro na praça central mas infelizmente choveu torrencialmente no horário marcado e não foi possível todos chegarem e registrarmos este momento.

Fomos nos apresentarno Poliesportivo para receber o Secretário da Educação da época, mas ele faltou ao compromisso.

Foi lindo este projeto.

A música que impulsionava os ânimos e cantávamos antes de começar era AOS QUE VÃO CHEGAR – de Beto Eliezer . Esta letra clama por um futuro promissor.