Joana D'Arc Felix recebe no Rio de Janeiro o prêmio de Personalidade do Ano

Importância da educação foi a tônica da premiação, que destacou a a professora e pesquisadora francana

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A 15ª edição do Prêmio Faz Diferença, realizada na noite desta quarta-feira no hotel Copacabana Palace, no Rio, prestou uma homenagem aos brasileiros que serviram de inspiração para o país e o mundo em 2017. 

A importância da educação foi destaque da premiação neste ano, uma iniciativa do jornal O Globo em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Eleita Personalidade do Ano, a cientista Joana D’Arc Felix relembrou sua trajetória, marcada por muita luta e preconceito, desde os 6 anos de idade.

— Conheci o racismo ainda muito nova, quando ouvi de um professor que eu não seria nada na vida. Naquele momento pensei em desistir, mas meu pai me disse que eu deveria ser maior que aquilo — recorda Joana, que recebeu o troféu das mãos do diretor-geral de mídia impressa do Grupo Globo, Frederic Kachar, e do diretor de redação do Globo, Alan Gripp.

Desde então, a pesquisadora de 54 anos seguiu à risca o conselho: entrou para a Unicamp aos 14, terminou o mestrado aos 19 e aos 25 anos passou para Harvard, nos EUA.

A professora Heley de Abreu Silva Batista, ganhadora do Prêmio Faz Diferença na categoria País (in memoriam), foi representada pelo irmão Marcôney de Abreu. 

Heley teve 90% do corpo queimado e morreu para salvar crianças no incêndio criminoso a creche de Janaúba (MG). 

Visivelmente emocionado, Marcôney recebeu a homenagem da editora de País, Maiá Menezes, e da diretora editorial, Ruth de Aquino. 

Ele disse que o reconhecimento dela tem dado forças à família.

— Se não fossem essas homenagens e o reconhecimento de prêmios como esse do Globo, nós estaríamos doentes por causa da dor e da saudade.

O diretor-geral de mídia impressa do Grupo Globo, Frederic Kachar, destacou a importância dedicada à educação pelo prêmio Faz Diferença este ano.

— Hoje, mais uma vez, trouxemos pessoas que são exemplo de ética, de coragem, determinação e cidadania, mesmo. E a educação, foi a tônica deste ano. Foi uma marca desta edição e mostra como a educação transforma e está na base de tudo, é a base do respeito — afirmou Kachar, que classificou este edição de a mais emocionante já ocorrida.

Ao ser premiada na categoria Economia, a auditora fiscal do trabalho, Fernanda Giannasi, agradeceu ao Globo pelas reportagens sobre o amianto, contra o qual ela lutou por décadas. 

O amianto foi finalmente banido do país no ano passado, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A ativista também fez um apelo aos ministros do STF para que a corte mantenha sua decisão:

— Faço aqui um apelo. Em nome das vítimas do cancerígeno amianto, banido em mais de 60 países, peço ao STF que não flexibilize nem retroceda em sua decisão histórica de 30 de novembro de 2017, quando baniu total e definitivamente, a fibra cancerígena, a catástrofe sanitária do século XX, do Brasil.

A editora executiva Flávia Barbosa e a editora de Economia, Luciana Rodrigues, entregaram o prêmio à auditora.

Vencedora na categoria Desenvolvimento do Rio, a empresa Subsea 7 foi representada por Cláudio Nogueira, diretor de recursos humanos para o Brasil da companhia, que atua na construção de equipamentos submarinos para o setor de petróleo e tem base em Niterói e Rio das Ostras. 

A Subsea 7 foi reconhecida pela iniciativa de inclusão e capacitação de jovens nas regiões onde atua.

— Estamos muito felizes com esse prêmio, pois somos uma empresa de alta tecnologia no Brasil e no Rio que investe pesadamente na qualificação de profissionais brasileiros, mas que entende que tem uma responsabilidade social nas regiões em que atua — afirmou Nogueira.

Ao entregar o troféu à empresa Subsea 7 junto com a colunista Lydia Medeiros, o vice-presidente da Firjan, Carlos Fernando Gross, ressaltou que a premiação é um importante incentivo ao empresariado.

— O prêmio é importante porque estimula os empresários, os artistas a criação. Fica uma marca e as empresas gostam desse reconhecimento, porque reconhece o trabalho e o esforço — disse.

À frente do talk-show "Conversa com Bial", na TV Globo, o jornalista Pedro Bial que recebeu o Prêmio Faz Diferença Segundo Caderno/TV dos colunistas Patrícia Kogut e Ascânio Seleme, fez de seu discurso de agradecimento uma homenagem aos outros vencedores da noite.

— É um orgulho estar aqui, mas não sabia bem que diferença que eu tinha feito. Agora ficou claro para mim que a diferença que eu faço é dar voz e espaço para as pessoas que fazem diferença.

O goleiro Jackson Follmann, sobrevivente do acidente aéreo que vitimou o time do Chapecoense, recebeu o Prêmio Faz Diferença — Esporte em nome de seus amigos também sobreviventes, o lateral Alan Ruschell e o zagueiro Neto.

Ele dedicou o troféu, entregue pelo editor executivo Alexandre Freeland e pelo editor de Esportes, Márvio dos Anjos, aos companheiros mortos na tragédia.

— Não é mérito estar aqui vivo. Dedico o prêmio aos que estão no céu, aos que rezaram por nós. Estou emocionado e agradeço o carinho de todos. Me emociono ao ver os vídeos sobre o acidente e com o carinho de todos. Muito obrigado.

O professor Roberto de Oliveira Ferreira, que ficou conhecido após viralizar nas redes um vídeo em que aparece tocando violão para os alunos durante um tiroteio, dedicou o prêmio Faz Diferença na categoria Rio a sua mãe Catarina. 

Em seu discurso, ele contou um pouco do estranhamento que sentiu ao assumir a vaga em um Ciep de Paciência, bairro pobre da cidade. E falou sobre como apreendeu a valorizar acima de tudo a vida de seus alunos.

Segundo ele, muito mais do que ensinar música, hoje ele se importa em ver seu alunos crescendo, virando adultos e formando família.

— Lá é preciso ter muito atenção com a vida humana. Aprendi isso com o tempo - afirmou, sendo muito aplaudido.

— É um exemplo! - gritou um grupo em coro da plateia.

A editora executiva Maria Fernanda Delmas e a editora de Rio, Gabriela Goulart, entregaram o prêmio a Roberto.



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