Francana Joana D'Arc Félix palestra no Amapá sobre educação e ciência

Formada em Harvard e professora em Franca ela foi a Macapá para falar das experiências de vida

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Professora doutora Joana D’Arc Félix de Sousa


Uma das mulheres mais reconhecidas no mundo da química e da sustentabilidade, com 72 prêmios e uma história de vida pessoal e acadêmica reverenciada, a professora doutora Joana D’Arc Félix de Sousa palestrou, na quinta-feira (06), em Macapá sobre a importância da educação e da ciência na transformação de vidas de crianças e jovens.

O encontro ocorreu no auditório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)  do Amapá, na Zona Sul da capital. 

O espaço, que tem capacidade para comportar 120 pessoas, ficou lotado. Estudantes do ensino fundamental, médio, acadêmicos, professores, cientistas amapaenses ficaram atentos às falas da palestrante, que dividiu um pouco da experiência de vida dela.

A professora Juzileide Sena veio do município de Porto Grande a 102 quilômetros de Macapá, só para assistir a palestra. Com ela vieram a diretora, alunos e outras amigas da Escola Estadual Elias Trajano, onde trabalha. Para a educadora, conhecer Joana D’Arc é a realização de um sonho.

“É um momento ímpar, de saber da força que tem essa mulher, de todas as dificuldades pelas quais ela passou. Ela é uma inspiração. Só quem trabalha com iniciação científica sabe os percalços. Na escola a gente usa a ciência como resgate dos alunos e está dando muito certo, temos vários projetos desenvolvidos”, falou.

Filha de pais semianalfabetos, Joana D'Arc contou que viveu na pobreza e não acreditava que a sua realidade pudesse mudar. O pai, profissional de curtume, foi o maior incentivador, e ela encontrou nos estudos a chave para transformar uma vida de muitas dificuldades

“Meu pai sempre me dizia ‘filha, confia em Deus que tudo vai dar certo, mas estuda’. E eu dizia ‘como vou poder mudar nossa realidade pai? Olha a pobreza ao nosso redor’. Eu usava roupa remendada, sapato furado, mas meu pai me fez acreditar e não desistir”, relatou a cientista, que completou.

“A proposta é mostrar exemplos de que, por pior que sejam as dificuldades que cada um esteja passando, que é possível. Vou falar de vários momentos de dificuldades pelos quais passei e de muitos momentos que pensei em desistir”.

A mulher negra e pobre, que superou a infância cheia de limitações e chegou a uma das universidades mais prestigiadas do mundo, atua na Escola Técnica Estadual de Franca, onde desenvolve, entre outros estudos, pesquisas para preservar o meio ambiente.

Laís Gabriely Araújo, aos 9 anos, é uma pequena cientista amapaense

E foi esse traço da trajetória dela que chamou a atenção da estudante Laís Gabriely Araújo, que aos 9 anos já é uma pequena cientista. A menina desenvolveu um adubo ecológico feito com aparas de lápis. A ideia se tornou projeto científico que, depois de ser premiado em Macapá, será apresentado em uma feira conhecida nacionalmente. Laís é aluna da Escola Estadual Santa Maria.

Para a cientista premiada, o incentivo à educação científica deve iniciar nos primeiros anos de escolaridade.

“O ideal é que a educação científica inicie a partir do ensino fundamental, para que a criança comece a desenvolver o raciocínio lógico. Assim teremos profissionais excelentes, mas é preciso ter investimentos e, principalmente, focar na capacitação dos professores”.

A pesquisadora Joana D'Arc coleciona 72 prêmios ao longo da carreira

Mais sobre Joana D’Arc

Ganhadora de 72 prêmios, Joana D’arc Félix é professora de química e pesquisadora na Escola Técnica Estadual (ETEC) de Franca, onde nasceu. 

Ela desenvolve pesquisas com reaproveitamento e aplicação de couro e pele suína, cimento ósseo para reconstituir fraturas, colágeno para tratamento de osteoporose e osteoartrite, pele humana artificial para transplante utilizando sobras de pele suína, fertilizantes, entre outros.

Em parceria com alunos do ensino médio, acumula 15 patentes nacionais e internacionais. Filha de empregada doméstica e de um profissional de curtume, Joana D’arc foi admitida na Universidade Estadual de Campinas, com apenas 14 anos de idade.. 

Continuou seus estudos na Unicamp, onde cursou mestrado e doutorado. Publicou artigos sobre a síntese de fármacos e foi convidada a realizar estágio de pós-doutorado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. 


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