Dia Mundial do Doador de Sangue é celebrado nesta quinta-feira, 14 de junho

Apesar das constantes campanhas, índice de doadores regulares ainda é considerado baixo em Franca

Postado em: em Saúde

​Nesta quinta-feira (14/06) é lembrado o Dia Mundial do Doador de Sangue. A data, criada em 2014, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem o objetivo de agradecer o empenho dos doadores voluntários e conscientizar o público em geral sobre a falta de doadores por todo o mundo. E não é pra menos. Por mais simples que seja, esse ato pode salvar muitas vidas. No entanto, embora muitas pessoas saibam a importância desse gesto solidário, ainda falta muito para que os hemocentros do país operem com uma quantidade necessária para atender a demanda. Em Franca, a situação não é muito diferente, já que doar sangue não faz parte da cultura brasileira. E os dados confirmam isso: a OMS – Organização Mundial de Saúde recomenda que de 3% a 5% da população seja doadora. No Brasil, a porcentagem é de apenas 1,8%. No Estado de São Paulo e em Franca, a taxa é de 2,3%. “A maior dificuldade é conscientizar da necessidade de doação regular de sangue. Temos a necessidade de um fluxo regular ao longo do ano todo e, muito frequentemente, passamos por períodos de queda do número de doações”, salienta o médico hematologista do Núcleo de Hemoterapia de Franca, Marco Benedetti.

No Núcleo de Hemoterapia de Franca, da meta atual de colher 1,4 mil bolsas para abastecer a região de abrangência, os números ficam apenas entre 1,1 e 1,2 mil bolsas por mês. A média diária é entre 28 e 38 bolsas, subindo para entre 60 e 90 aos sábados. O dado surpreendente é que uma bolsa de sangue pode salvar quatro vidas.

As agências transfusionais atendidas pelo Núcleo de Hemoterapia de Franca são as da Santa Casa de Pedregulho, Patrocínio Paulista, Ituverava, Igarapava, Miguelópolis, Ipuã, Guará, Franca, Hospital e Maternidade de Ituverava, Hospital de Sales de Oliveira, Hospital do Coração de Franca e Hospital São Joaquim de Franca.

Ciente da grandiosidade do ato, a professora Maria Ângela Borges, 54 anos, já doa sangue há mais de 10 anos. ''Meu sobrinho foi vítima de leucemia, a partir disso eu percebi o quanto uma doação podia beneficiar uma pessoa. Passei a contribuir com este gesto de amor", ressalta.

Auxílio aos doentes

No Brasil, ao ano, cerca de 3,5 milhões de pessoas realizam transfusões de sangue. No total, existem no país 27 hemocentros e 500 serviços de coleta. O sangue é um recurso importante tanto para tratamentos planejados como para intervenções urgentes. Ele ajuda pacientes que sofrem de doenças crônicas graves, como a doença falciforme e a talassemia, além de servir de apoio para procedimentos médicos e cirúrgicos complexos. O sangue também é vital para tratar feridos em emergências. “No Núcleo de Hemoterapia de Franca atendemos principalmente os pacientes encaminhados para transfusão do Hospital do Câncer e da rede pública para transfusões ambulatoriais”, reforça Marco.

Marco Benedetti diz que a maior dificuldade é conscientizar os doadores da necessidade de doação regular de sangue

Foi por falta de informação que a analista financeiro Fabiana Sanches Ferraz de Moraes, 41 anos, demorou a se tornar doadora de sangue, embora admita que sempre sentisse vontade. “Tinha medo em relação aos procedimentos da doação em si, mas devido às constantes campanhas, me questionava o motivo de ainda não doar. Li uma reportagem que explicava todo o processo da doação e que inclusive não era apenas do sangue, tinha plaquetas e vários outros destinos. Mesmo assim, demorei. Até que, aos 33 anos, quis me tornar doadora de medula óssea, decidindo também a doar sangue”, conta ela que possui o tipo sanguíneo A+ e que nos dois últimos anos doa sangue três vezes ao ano.

Fabiana admite que demorou a se tornar doadora de sangue por pura falta de informação

A importância do sangue

Segundo Marco, em uma doação são retirados cerca de 400 ml de sangue, que possuem quatro componentes diferentes, utilizados em situações clínicas importantes, cada um deles com uma característica própria de armazenamento e duração. Primeiro, separa-se o concentrado de hemácias, ou seja, o concentrado de glóbulos vermelhos, entre todos os componentes, o mais conhecido. Ele é utilizado em pessoas com anemia, que sofreram acidentes ou passaram por cirurgias.

Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas, uma vez que em uma doação são retirados cerca de 400 ml de sangue

Depois, retira-se o concentrado de plaquetas, componente fundamental no tratamento de câncer, nas quimioterapias e nos transplantes, principalmente no transplante de medula óssea. O terceiro componente é o plasma. Embora menos utilizado, ele é fundamental para alguns problemas de coagulação. O quarto é o crioprecipitado, menos utilizado, porque hoje já existe a possibilidade de fabricar fatores específicos para hemofílicos e pessoas com alterações graves de coagulação.

Outro problema de igual equivalência à falta de cultura da doação de sangue é que em Franca, de 16 a 18% das pessoas que comparecem para doar sangue acabam não podendo doar por vários tipos de impedimentos, tais como: pressão excessivamente alta no dia da doação, anemia que é constatada na avaliação anterior à doação, uso de alguns medicamentos que atrapalham a doação, temperatura elevada no dia da doação, e vários outros. “Do sangue doado, de 1 a 3% tem alguma alteração sorológica, que leva ao descarte da bolsa”, esclarece o médico.

Estrutura eficiente

O Núcleo de Hemoterapia de Franca possui 25 colaboradores, sendo dois médicos, três enfermeiras, quatro técnicos de enfermagem, uma farmacêutica, quatro biomédicas, uma agente captadora, uma auxiliar administrativa, quatro auxiliares de limpeza, um auxiliar de central de materiais, três zeladores e um aprendiz. Ele funciona para a coleta de doações às segundas-feiras, das 8h às 19h; de terça a sexta das 8h às 16h e aos sábados das 7h às 11h. No entanto, existe todo um trabalho interno de fracionamento, processamento, realização de exames, entre outros, que ocorre em horário diferente das doações.

O Núcleo de Hemoterapia possui 25 colaboradores para captação, orientação, fracionamento, processamento e realização de exames

Com o tipo sanguíneo O+, a professora de inglês Patrícia Paula Coimbra, 20 anos, decidiu engrossar as estatísticas de doadores da cidade, após passar por um quadro de depressão ocasionado pela separação de seus pais e crise financeira. “Sentia uma grande tristeza e uma incapacidade de acreditar em mim mesma. Sentia-me inútil. Chegava a me perguntar o porquê de existir nesse mundo sendo que eu não ‘servia para nada’. Foi aí então que caiu a ficha: já tenho 18 anos, posso doar sangue! Mesmo não estando em uma faculdade e em um emprego, eu tinha a utilidade de salvar vidas, e isso me inspirou. E inspira até hoje”, revela Patrícia, que todas as vezes que se sente desmotivada, se lembra disso: que alguém por aí pode estar precisando de algo que ela tem. Inclusive, após a sua primeira doação de sangue, ela decidiu doar cabelos para o Centro de Voluntários de Franca do Hospital do Câncer e se tornou também doadora de medula óssea. “Assim que aparecer alguém eu largo tudo para poder ajudar quem está sofrendo! Se fosse eu no lugar dessas pessoas que estão enfrentando problemas de saúde, eu gostaria que existissem pessoas como eu: que se doam sem pensar duas vezes”, reforça a professora de inglês, que doa sangue regularmente, sempre respeitando o intervalo de quatro meses.

Doar-se ao próximo

Para Patrícia, a doação de sangue é um ato de amor puro. “Quando eu doo sangue eu faço uma meditação, uma oração, para que a pessoa que receber aquele sangue fique saudável, consiga ser feliz, consiga superar a difícil situação que está passando. Também peço saúde a Deus, para que eu continue ajudando essas pessoas”, diz ela, que tenta convencer outras pessoas sobre a importância desse gesto solidário.

Patrícia percebeu que tinha a utilidade de salvar vidas e desde então, mais do que sangue, doa amor

Em Franca, entre 15 e 20% dos doadores do Núcleo de Hemoterapia são doadores de primeira vez. São doadores de toda a região para qual o Hemocentro fornece sangue. Inclusive, existem grupos organizados de doadores em cada cidade, que incentivam as doações e as organizam periodicamente. “Temos na região o mesmo percentual de doadores por tipo que no restante do Brasil, com a seguinte distribuição por tipo sanguíneo: O+ 36%, A+ 30%, B+ 9%, AB+ 3,5%, O- 4%, A- 9%, B- 4%, AB- 0,5%. Estes percentuais de tipo a tipo mudam ligeiramente de país a país”, explica Marco, acrescentando que em situações onde existe a necessidade de tipos sanguíneos mais raros, o Núcleo de Hemoterapia de Franca possui um programa de fenotipagem de doadores e quando detectado algum paciente que precisa de um fenótipo específico é feito contato com os doadores que têm o fenótipo necessário para o paciente. “Assim, trabalhamos com doações programadas e agendadas para este grupo de doadores”, completa.

Mobilizações anuais

O corpo humano tem em média cinco litros de sangue, e cada doação equivale a aproximadamente 10% do sangue existente no corpo. Além disso, a reposição do sangue no corpo responde a um período mínimo de dois meses para homens e três meses para. E, ao contrário do que muita gente pensa, o sangue retirado não traz riscos ao doador. “Esse gesto significa amor, por isso, quando vou doar, chamo algumas pessoas para irem comigo e elas sempre têm alguma desculpa, o que vejo como um ato de egoísmo, talvez porque nunca tenham precisado. É difícil entender os motivos, até eu que comecei a doar tarde, me questiono quantas vidas poderia ter ajudado antes”, salienta Fabiana, que hoje se sente feliz em ser uma doadora de sangue. “Sempre espero ansiosa pela data de doar novamente. Ser doadora representa esperança, amor e caridade. Sou grata em poder ajudar o próximo”.

Em Franca, entre 15 e 20% são doadores de primeira vez, oriundos de toda a região atendida pelo Hemocentro

Além de uma atitude de solidariedade, doar sangue é um ato simples e seguro que não provoca prejuízo à saúde do doador. No entanto, o sangue tem prazo de validade e, por isso é preciso que doadores voluntários compareçam diariamente aos bancos de coleta. Dia 14 de junho é lembrado como o Dia Mundial do Doador de Sangue, com o objetivo de conscientizar sobre a necessidade da doação e agradecer aos voluntários  pela atitude, que pode salvar vidas. “Temos em Franca e região uma população bastante solidária e que atende prontamente quando solicitada. Temos muitos doadores que já doam rotineiramente e muitas outras pessoas, empresas e instituições que procuram estimular a doação de sangue e o espírito solidário”, enfatiza o médico Marco Benedetti.

Ele diz que ao longo do ano, várias campanhas também são realizadas na cidade com boa adesão dos doadores. “O nosso desafio é o de tentar cada vez mais conscientizar os doadores para doar regularmente, independentemente de campanhas ou da época do ano. Por isso é sempre importante falar sobre o tema, esclarecer dúvidas e tentar conscientizar um maior número de pessoas”, finaliza Marco Benedetti.

Quem pode doar

No Brasil, pessoas entre 16 e 69 anos podem doar sangue. Para os menores de 18 anos é necessário o consentimento dos responsáveis e, entre 60 e 69 anos, a pessoa só poderá doar se já o tiver feito antes dos 60 anos. Além disso, é preciso pesar, no mínimo, 50 quilos e estar em bom estado de saúde. O candidato deve estar descansado, não ter ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores e não estar de jejum. No dia da doação é preciso levar documento de identidade com foto.

A frequência máxima é de quatro doações anuais para o homem e de três doações anuais para a mulher. O intervalo mínimo deve ser de dois meses para os homens e de três meses para as mulheres.

NO FOCO

Núcleo de Hemoterapia de Franca

Av. Dr. Hélio Palermo, 4181 

Telefone (16) 3402-5000



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