Conheça os mitos e verdades sobre o desfralde de meninos e meninas

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 17 de junho de 2018 às 19:17
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 18:48
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Especialistas esclarecem sobre este período de transição dos pequenos para que tudo transcorra sem estresse

Largar de vez as fraldas: eis aí
um feito esperadíssimo pelos pais. Só que, como toda fase de transição, não há
um manual de instruções para o desfralde que funcione com todos os baixinhos.
“Cada criança se desenvolve de uma maneira e demonstrará sinais no seu tempo,
que devem ser respeitados”, alerta Kelly Oliveira, pediatra.

Nesse estágio, os pais recebem
muitos pitacos, mas nem todos são confirmados pelos especialistas. Veja abaixo
algumas coisas que costumam ser ditas e quais delas fazem mesmo sentido.

1-Quando a criança pula com os dois
pés, já está pronta para o desfralde

Essa fez sucesso recentemente na internet, mas a
história não é bem assim. O argumento para a afirmação seria de que o fato de
conseguir tirar os pés do chão indicaria que a criança já tem controle sobre os
músculos do esfíncter e do assoalho pélvico, que controlam a saída do xixi e do
cocô. “Só que o fato de pular não significa que ela já domina completamente a
musculatura da região”, explica Nelson Douglas Ejzenbaum, pediatra membro da
Sociedade Brasileira de Pediatria. “É mais um sinal indireto: demonstra que ela
já tem controle e equilíbrio dos músculos dos membros inferiores”, complementa
Kelly.

Sem contar que há o fator emocional envolvido no
desfralde: a criança precisa estar preparada psicologicamente e não apenas
fisicamente.

2-Meninos demoram mais para desfraldar

Os médicos garantem que isso é mito. As pessoas têm
essa impressão porque as meninas costumam falar antes e, assim, avisar que
estão fazendo ou querem fazer xixi – um dos indícios de que chegou a hora do
desfralde – mais rápido que eles. Há também uma relação com a criação, que
tende a exigir mais independência delas do que dos meninos.

Mas não é regra que elas sejam mais rápidas. “Tanto
que há meninos que desfraldam praticamente sozinhos”, comenta Kelly. Por isso,
vale prestar atenção em outros sinais que a criança dá sem ser a comunicação
verbal, como arrancar a fralda sozinha e acordar com o bumbum sequinho à noite
por várias noites seguidas.

3-O desfralde deve começar aos dois
anos

“A partir dos 18 meses ela já começa a controlar o
esfíncter, mas isso nem sempre é acompanhado de maturidade emocional”, destaca
Clery Bernardi Gallaci, pediatra neonatologista do Hospital e Maternidade Santa
Joana, em São Paulo. Algumas crianças precisam de mais tempo e isso é normal.

A recomendação dos especialistas é não basear o
desfralde em uma idade, mas sim na própria criança. Até mesmo porque forçar
essa transição pode gerar traumas que dificultam ainda mais a ida ao vaso
sanitário: ela pode começar a segurar o cocô por medo, o que torna a evacuação
muito mais dolorida.

O jeito é exercitar a paciência, pois o processo
pode se estender até os quatro anos de idade, com um vazamento noturno aqui e
outro ali.

4-A ida ao banheiro deve ser sempre
comemorada

O ideal é que o filho entenda desde cedo que ir ao
banheiro é algo natural e saudável. “O problema de supervalorizar, fazendo
festa toda vez que acontece, é que a criança pode ficar decepcionada por não
agradar aos pais se algo der errado, o que gerará outros problemas”, aponta
Clery.

O mesmo vale para a tática de colorir o xixi na
privada com gotinhas de corante ou outras brincadeiras, como dar tchau para o
cocô e andar com o penico pela casa. Mas também não precisa ser sério demais: é
interessante parabenizar a criança quando ela conseguir, ler livros com
personagens que aprendem a usar o troninho e mostrar que o resto da família
também faz!

5-Redutor de assento é melhor do que
penico e vice-versa

O redutor é mais aconselhado pelos
especialistas, mas eles também reforçam que o importante é aprender a controlar
a saída do xixi e do cocô, então se a criança se sente mais confortável com o
penico, tudo bem também. “Se for usar o redutor, o pé dela deve estar apoiado,
por isso muitos redutores já vêm com banquinho ou escadinha”, destaca Kelly.
Faça testes para ver onde o baixinho em treinamento se sente melhor.

6-Regredir está errado

Durante o processo de desfralde e mesmo um pouco
depois disso, quando a criança passa dias dormindo e acordando seca, pode haver
um xixi na cama eventual ou algum outro vazamento pela casa. Quando isso
acontecer, não brigue com o pequeno, explique que é normal, que ele está
aprendendo.

E não fique com medo de esperar mais tempo. “Às
vezes, é melhor voltar atrás e aguardar até que a criança esteja realmente
pronta”, aconselha Clery. Só fique atento se o seu filho voltar a apresentar
escapes depois de muito tempo sem fraldas, o que pode estar ligado a alguma
questão comportamental.


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