Ensaio sobre a velhice

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Queira você ou não, todos iremos envelhecer! Lamento lembrá-lo de tal amigo leitor, a quem tributo meus cumprimentos, mas, é um fato. A questão é, você está realmente preparado para esta nova fase? O estado, como um todo, está mesmo apto a recebe-lo em sua velhice?

            “O futuro é o passado preparado”, mencionara o filósofo Pierre Dác. De pleno acordo, proponho refletirmos sobre tal.

            Honestamente, e isto é uma opinião particular, vejo a situação dos idosos, no âmbito geral, com muita tristeza. Ora! É deprimente se imaginar trabalhando diariamente, emprestando a própria saúde na labuta de se honrar as expectativas que se cria em torno do “chefe de família”, para envelhecer esquecido às margens de uma estrada que somente segue em frente sem tempo para amparar as vidas que murcham ao redor. Já que mencionei família, se multiplica, nos dias atuais, o número de filhos e netos que retornam à proteção dos mais velhos depois de terem partido do lar e constituído famílias, ou seja, regressam ao lar sustentado por uma pífia aposentadoria, munidos de agregados. Isto talvez explica a quantidade, cada vez mais alarmante, de idosos que reintegram ao mercado de trabalho, sob as talas dessa chibata estrutural, no intuito de, senão sanar, ao menos suavizar a situação de desamparo, no qual se encontram os seus, prolongando ainda mais, o merecido descanso, pelo qual trabalhara a vida toda.

            Lamentável é saber que boa parte de nossa velhice, passaremos em filas de hospitais, esperando aquela consulta com um especialista, talvez, engajado num emprego qualquer, afim de complementar a renda. Além é claro, de ter que conviver com a nítida inversão dos valores sociais, desta juventude que desconhece qualquer conceito da palavra respeito.

            Ao leitor, permito divergir, aliás, todo debate é sempre bem-vindo, porém, em minha defesa, digo que não faria qualquer sentido escrever, ou, mesmo rasurar, se não fosse regido pela sinceridade. Mas, o que vejo em nossa sociedade, são idosos, tendo sobre os ombros surrados a responsabilidade de uma família inteira, se privando de confortos necessários a uma boa velhice. Isto sem mencionar a quantidade de idosos que são, literalmente esquecidos pelos familiares, por quem dedicara sua vida. Idosos, cujos únicos amigos que possuem agora, são os enfermeiros, os acompanhantes, a quem compartilham os resquícios de uma vida que se esvai.

            Voltando ao pensamento de Pierre Dác, eis que surge uma questão: Como estamos preparando nosso futuro? Será que dedicamos algum tempo, ou, mesmo dinheiro, em atividades que nos assegurariam uma velhice saudável? E nossa alimentação? Será que temos trabalhado nossa espiritualidade, para não amargarmos um envelhecimento medíocre e deprimente?

            Entretanto, nem tudo são espinhos, pois, há uma parte considerável de idosos que souberam de fato preparar o futuro, e que gozam os dias atuais com espiritualidade, com aquela sensação de dever cumprido. São pessoas que encontraram na velhice o poder da juventude. Pessoas que contrariam as expectativas catastróficas e encaram os últimos dias de sua existência sorrindo.

            Todavia, é importante mencionar que cabe a nós, que hoje somos jovens, proporcionar um envelhecimento saudável aos nossos idosos, ouvindo aquelas histórias que ele já lhe contara uma dezena de vezes, lhe emprestando todo o respeito do mundo, destituindo-os de responsabilidades que não mais condizem com sua idade e, acima de tudo, transmitindo-lhes amor.

            Aos idosos de hoje, tributo meu profundo respeito e admiração, pois, conseguir envelhecer, nos dias atuais, já é uma conquista restrita a poucos.

            Pensamento:

            “Os anos enrugam a pele, mas renunciar ao entusiasmo faz enrugar a alma.”

            Albert Schweitzer.

*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

ENTREVISTA COM SYLVIO PASSOS, O "SYLVICOLA"

Ele era amigo pessoal de Raul Seixas, fundador do Raul Rock Club, além de músico e compositor

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Amigo pessoal de Raul Seixas, fundador do Raul Rock Club, curador de um de seus mais vastos acervos, músico e compositor. É bem provável que esqueci alguma qualificação, pois, é impossível resumir e rotular aqui toda trajetória deste grande sujeito. É com muita alegria que posto aqui o bate papo que tive com ele, Sylvio Passos, o “Sylvicola” como dizia Raul Seixas. Um cara que dispensa qualquer apresentação.

VALDECI SANTANA -Não há como lembrar de Sylvio Passos, sem o relacionar a Raul Seixas e vice-versa. Afinal, quando vocês se conheceram e o que houve de inusitado no primeiro diálogo entre vocês?
SYLVIO PASSOS: Bem.... Foi em 1981, quando Raul resolveu se fixar em São Paulo. Eu tinha na época 17/18 aninhos e na maior cara de pau liguei para casa dele para comunicar que eu estava fundando o Raul Rock Club. Ele, já meio alcoolizado, atendeu o telefone perguntando quem era, eu falei: ”-É o Sylvio...”, ele, rapidamente falou: ”-Silvio Santos... Eu faço o seu programa.”  Ha ha ha.... Já começamos bem o nosso primeiro contato. Expliquei que eu não era o Silvio Santos e sim o Sylvio Passos e que estava fundando um fã-clube para ele. Surpreso ele falou: ”-Um fã-clube pra mim? Nunca ninguém fez um fã-clube pra mim. Você pode vir almoçar comigo pra me contar essa história direito? E lá fui eu, dias depois, almoçar com Raul. Esse encontro mudou toda a minha vida. Eu que estava me preparando para ser jornalista e/ou psicólogo, abandonei tudo e abracei a causa raulseixisticka.

VALDECI SANTANA-Você foi um elemento importante na vida pessoal e profissional de Raul, como era a convivência, com o Raul pessoa? E qual o motivo do apelido “Sylvicola”?
SYLVIO PASSOS: Para mim, que era um garoto muito quieto, calado, naquele momento era importante para mim estar ali observando, aprendendo.... Então a convivência era tranquila porque a relação fã-ídolo se desfez muito rápido. Raul era um sujeito muito tranquilo, generoso. Dava umas despirocadas de vez em quando, mas era uma pessoa de boa, ídolo que se preocupava com todo mundo, queria ajudar todo mundo. Um homem de bom coração, entende?  Quanto ao apelido Sylvícola, ou Sylvícolas é o seguinte: Raul colocava apelido em todo mundo, até em coisas. Por exemplo: Ele chamava o tênis dele de cachorro. Quando não sabia onde estava o tênis, ele perguntava: ”-Sylvícola, onde está meu cachorro? ”. A mãe dele, Dona Maria Eugênia, me falou que Raulzito colocava apelidos nas pessoas que ele gosta muito. Ouvir isso da mãe dele me deixou muito feliz, embora eu soubesse que Raul via em mim muito mais que um simples fã.

VALDECI SANTANA-Você compôs Cowboy Fora da lei, há alguma outra composição sua gravada por Raul?
SYLVIO PASSOS: Pois é. Eu, naquela época, sempre escrevia uns poeminhas típicos de adolescente. Raul, com toda sua generosidade, me deu esse privilégio, em 1984, de fazer com ele a primeira versão de “Cowboy Fora da Lei”, que só foi lançada oficialmente em 2003 pela Som Livre no CD “Anarkilópolis” onde também fui responsável pela seleção de repertório. Tenho muitas fitas gravadas com Raul, mas nada que seja digno de lançamento oficial.

VALDECI SANTANA -Ao longo de sua vida você conseguiu ser um “sujeito normal e fazer tudo igual”?
SYLVIO PASSOS:  Eu acredito que nunca fui um “sujeito normal e fazer tudo igual”, daí essa sintonia recíproca desde o nosso primeiro contato.

VALDECI SANTANA-Creio que Raul Seixas Oficial Fã Clube, foi o único fã clube que Raul atestava. Como está o Fã clube hoje? As engrenagens ainda se movem?
SYLVIO PASSOS: Sim. Raul, em 1983, deu o título de “Raul Seixas Oficial Fã-Clube” ao Raul Rock Club, publicando, inclusive, na contracapa do seu disco “Raul Seixas”, que estava lançando pela Gravadora Eldorado na mesma época.  Continuamos na ativa acompanhando toda a modernidade tecnológica do Século XXI, afinal, o Raul Rock Club é do século passado, correio, máquina de escrever, mimeografo e outras coisas que as Gerações Y e Z desconhece na prática. Os bits do Raul Rock Club continuam ativos comunicando-se com as novas gerações, pois, os valores todos podem ter mudado, mas a essência continua a mesma. 

VALDECI SANTANA- Em qual projeto o Sylvio Passos se dedica nos dias atuais?
SYLVIO PASSOS: Atualmente continuo me dedicando ao Raul Rock Club com a Expo Raul Rock Club (exposições itinerantes com objetos pessoais de Raul) e com o meu programa “Pergunte ao Carimbador Maluco” no YouTube. Também atuando como músico com minha Putos BRothers Band e como ator na peça “Obrigado, Raul!” Escrita por mim e por Agnaldo Araújo (guitarra e voz da Putos BRothers Band). 

VALDECI SANTANA-É bem provável que o baú de Sylvio Passos é bem mais rico que o baú do próprio Raul, já que, ele mesmo dizia que você sabia mais coisas sobre ele, do que ele próprio. Há algum projeto envolvendo o Baú do Sylvio?
SYLVIO PASSOS: O baú do Raul é muito mais rico que o meu, sem sombra de dúvidas. Mas a Expo Raul Rock Club, a peça Obrigado, Raul!, o programa Pergunte ao Carimbador Maluco e o show Toca Raul, Putos!, de uma forma ou de outra, são projetos envolvendo tanto o meu baú quanto o de Raul.

VALDECI SANTANA-Por fim, lhe agradeço imensamente a gentileza e, como todo fã de Raul, procurei evitar perguntas sobre seus últimos momentos, entretanto, para finalizar, como ficou o Sylvio Passos sem o amigo? Seria demais dizer que você ficou órfão?
SYLVIO PASSOS: Não. Não me vejo assim como órfão. O que “perdi” foi um amigo. O meu ídolo continua muito vivo. Aliás, muito mais vivo que muitos ídolos vivos de fato.


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

Um pontinho esquecido em nossa história

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Saudações paciente leitor!

Eis-me aqui de novo, naufragando em minhas analogias turvas, quase imaculadas, perante as ruinas desta sociedade que tende a decrepitar meu surrado involucro carnal.

Novembro sempre lança sobre meu espirito muitas reflexões. Fato absolutamente compreensivo, já que este, é o mês responsável por meu envelhecimento. Todavia, além dos meus “aninhos” (Que já não são poucos ah-ah) há também os natalícios dos meus pequenos, a consumir boa cota de minha energia, pois, com a crise cada vez mais bem instalada, propor-lhes qualquer préstito fica cada dia mais difícil. No entanto, toda vez que novembro desponta por trás da colina imaginária em nosso calendário, se adensam os rumores, os manifestos pelo tal feriado da consciência negra.

Se o leitor desviar o olhar à margem superior deste, saberá imediatamente que sou negro. Tens ai então o primeiro argumento que usarei em minha defesa, caso seja aqui acusado de racismo, embora, muitos dos que acusam ou sentenciam tal crime, não façam a menor ideia do que significa. Se não for para lhe falar sob a segurança da honestidade, prefiro abortar esta minha gana pela escrita. Portanto, é com o coração que me solidarizo (em partes) com os que se opõem a tal feriado. Obviamente, não farei coro ao argumento pobre de que há feriados em demasia em nosso calendário. Visto que a maioria deles não representam m... nenhuma . (Ufa! Ainda não será desta vez que serei demitido, pelo menos, não por um palavrão).

20 de novembro simboliza o assassinato de Zumbi dos Palmares. Traído, degolado e exposto. Herói, a quem mais da metade dos brasileiros devem sua liberdade. Entretanto, centenas de outras almas lutaram em igual penhor pela causa abolicionista. Muitos em terrenos mais hostis que o pobre negro dos palmares. Os “pretinhos” Joaquim Nabuco e José do patrocínio que lutaram pela emancipação nos plenários, repletos de políticos apadrinhados por fazendeiros escravocratas. E como não lembrar de José de Seixas, que tivera o despeito e ousadia de instalar um quilombo no coração do Rio de Janeiro, numa das áreas mais caras e mais famosas do Brasil, o Quilombo do Leblon. Ah paciente leitor! A mídia racista daquela Belle époque, numa tentativa desesperada de eleger Zumbi, um negro fugido, como principal elemento de oposição ao sistema escravagista, praticamente enterrara personagens que dedicaram suas vidas à liberdade dos escravos. Homens que hipocritamente, não constam em nossos livros de história. Nossa própria história. Pouca gente sabe, pelo menos, quase nunca se aborda, mas, a classe jornalista foi a principal pilastra a sustentar de maneira ferrenha as revoluções em prol da abolição. Seria necessário muita tinta, para defender de maneira mais substancial esta minha visão. Por hora, proponho elegermos como feriado, como simbologia máxima da conscientização negra, o fatídico 13 de maio, afinal, como defendera um poeta do século XIX, cujo nome se perdera nos grotões desta minha memória envelhecida, “A importância do 13 de maio sobrepõe e muito ao 7 de setembro”

A luta contra o racismo e pela igualdade entre homens negros e brancos é outro assunto, que talvez um dia eu dedique um capítulo inteiro a disserta-la. Todavia, em conclusão, digo que o brasil foi um dos últimos países a abolir os escravos. Quase 4 séculos de escravidão. Milhares de seres humanos usurpados, violentados, humilhados e covardemente assassinados. São dados, são fatos. E não podemos mais permitir que todos estes fatos sejam esquecidos, por conveniência, por negligência. Estabelecer um feriado não justificará nada, mas, já é um pequeno avanço. Afinal, reconhecer o erro já é o primeiro passo.

*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

Ventos natalinos

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Está em qualquer profecia, dos papiros que liam a mão do futuro aos poetas que picham no muro. É extremamente necessário brindar a cordialidade sobrevivente no prazer da boa vontade, na gentileza das boas maneiras quase extintas. Fosse talvez utopia acreditar que há ainda neste país, pessoas inclinadas ao prazer gratuito do bem puro, travando batalhas sangrentas contra a má educação e o declinio dos valores sociais, onde, quase sempre saem mutiladas e totalmente fragmentadas ante o primitivismo da desvalorização da essência humana.

            Sejamos, portanto, todos remetidos à esperança de que um mundo melhor realmente aconteça e venha a se erguer sobre os pilares materializados na labuta de seres bem intencionados que se recusam a permanecerem de braços atados, enquanto o maléfica sutileza das futilidades individuais destroem os núcleos familiares, qual uma célula cancerigena, agindo nas artérias sociais.

            Celebremos a sagacidade da voz que começa a vencer a timidez da inércia, ainda que tardia, alimentada pela necessidade que hoje bate à porta da casa em desmoronamento, cobrando reação imediata daqueles que por anos adequaram suas vidas ao parasitismo da esmola conveniente, uma vez que as labaredas esguias do colapso começa a unir a sociedade dispersa, aflorando-lhe os instintos.

            Sejamos então, utópicos, misticos e supersticiosos, desde que sejamos vozes, boa vontade e atitude.


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

Para Sempre...

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Se ele ainda recordasse ainda uma canção, certamente cantaria agora, tão contente estava. Ao invés disso, velhas notas que ele sequer recordava a quem pertenciam. Não tivera qualquer pressa ao se barbear, aliás, quando os dias se esvaem sem que se possa acompanha-los, se descobre que a eternidade nunca é demasiada longa, nos momentos em que se retoca o próprio ser. Conferira duas vezes os lóbulos, onde costumava esquecer resquícios de espuma de barbear. Deslizara o pente por entre os fios ralos, dos cabelos que um dia foram negros, mas que agora, se assemelhavam a chumaços de algodão colados em tufos no crânio. A imagem refletida no espelho até que não lhe desanimara de todo. É óbvio que sua tez pálida e maculada por sinais da idade lhe emprestava um aspecto frágil, mas, sentia-se jovem. Girara a aliança pelos nós do dedo, que mais parecia graveto seco, onde uma veia azulada se destacava. Sem cessar o assovio, espanara o terno, no qual, todo ano ele temia não caber mais. E para requintar ainda mais sua figura elegante, atara uma flor na lapela. Somente ao sair decidira-se pela bengala e chapéu coco. Seus passos eram lentos, porém vigorosos. Na rua, sua figura se assemelhava à uma versão envelhecida do próprio Don Lockwood, em “Cantando na chuva”. No caminho, dedicara todos os seus pensamentos à sua amada. Sua eterna namorada. Foi quando lhe ocorrera comprar flores, afinal, foi justamente avalizado por flores que ele a conquistara. E sua alma transbordara ao recordar aquele dia, que já não era mais tão claro em suas lembranças. Se lembrara do quanto ela estava linda naquele dia, e como coraram as maçãs de seu rosto, quando trêmulo de emoção ele lhe empurrara as flores, se desculpando pela falta de jeito.

            -Uma flor por um beijo. –Dissera ele da forma mais patética e atrevida, antes de sentir o calor dos lábios dela umedecerem os seus. Pássaros gorjeavam nas árvores e um mundo colorido explodira, pintado especialmente para aquela ocasião.

             Permitira-se caçoar de suas próprias pernas, que fraquejavam sempre que a esperava, como há cinquenta anos atrás, no altar. Não era o pai dela que a conduzia agora, por entre um cenário verdejante. Era uma jovem enfermeira, que sussurrara algo ao ouvido de sua amada, antes de ambas sorrirem.

            O tempo vinha sendo impiedoso com ela. Sua pele toda se assemelhava a papelão amarrotado, os longos cabelos negros de outrora perderam volume e cor. Eram agora folhas morrendo ressecadas numa árvore amarrotada. Porém, ela claramente ignorava a ruina de seu corpo com um sorriso, fraco, mas, constante. Seu perfume não era mais tão adocicado e sedutor, mas, ele ainda adorava aspirar sua presença. Olhos que se conheciam bem e já compartilharam inúmeras situações, se encontraram. Seres humanos emoldurados pelo tempo. Logo uma expressão encabulada vestira o rosto de sua simpática amada. Seria o nó da gravata outra vez? Será que engordara muito? E naquele doloroso momento ele implorou intimamente para que fosse qualquer destas opções.

            -Quem é o senhor? – E sua voz saíra simpática e fraca. Mais um sussurro, lutando contra as limitações vocais.

            Ele sentira uma lágrima quente ondular pela superfície de seu rosto. A enfermeira lhe emprestara uma expressão entre constrangida e solidária, ao que ele respondera com o mesmo sorrisinho de “tudo bem”, como nos anos anteriores.

            -É difícil. Ela não se lembra mais. –Tentou a enfermeira.

            -Mas, eu me lembro muito bem dela. É o que importa.


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

Refém da angústia

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Fazia muito tempo que eu não via a noite se alvorecer. Aquela nesga de escuridão se dissipando, cedendo lentamente, até se transfigurar numa pálida luz verde-maçã. O sol nascera todos os dias de minha existência e, curiosamente, somente agora que ela se esvai, fui capaz de sorvê-lo, observando cada variação de entonação. Como eu haveria de cometer a estupides de morrer sem parar para admirar um alvorecer? Seria uma lástima!

O tiquetaquear do relógio parecia zombar da minha aflição. Na cama, labaredas esguias pareciam fritar minha pele. Cada segundo era uma eternidade. O sono parecia um animal receoso, a estudar o terreno, esperando o momento oportuno para desferir-me um golpe certeiro, o que não ocorrera. O pior de sofrer é amargar o sofrimento em silêncio na madrugada, afinal, seria egoísmo meu, perturbar o sono alheio com minha angustia. Somente o vento caminhava deliberado pelas ruas, acariciando a copa das árvores e penetrando nas casas que dormiam apagadas. Por motivos óbvios evitei o espelho, mas, sucumbi a uma olhadela de soslaio, o suficiente para furtar o reflexo deprimente de uma caricatura maltrapilha, forjada por algumas horas de insônia. Ah! Eu que sempre gostei de minha fisionomia, agora a evitava com todas minhas forças, como se o processo de despedida de meu ser já estivesse em curso. Meus sentimentos eram um misto de rompantes de histeria, que praguejava contra a lentidão da noite, contrastando com a melancolia, no medo do dia que nascia. Cigarros, fumei tantos quanto a indústria era capaz de produzir.  E descobri que mente, quem diz que acalma os ânimos.

No trajeto para o hospital eu tentava controlar um nervosismo inconveniente, ao passo que convencia-me de que era preciso ser forte, já no corredor, frio tal qual uma lápide, sentia que isso não seria possível. Àquela altura, o médico provavelmente lia seu matinal e tomava um café em família, sem imaginar que seria meu carrasco ao abrir o envelope. E tive pena dele. Ao pensar desta forma, afinal, ninguém ingressa na medicina pensando em ser um mensageiro da morte. Tudo era fúnebre. E, de repente, eu estava a passar toda minha vida em mente, tal qual aquelas revistas que eu folheava na recepção. Havia tanta coisa a ser feita ainda. Tanto havia a ser dito. Tanto a ser vivido.

 Um caroço, biopsia e eu. Derrotado, tentando ler cada palavra impressa naquele diagnóstico, através da face do médico, tão focado estava nela. Era capaz de furtar cada piscar de olho, cada movimento involuntário em sua tez. O coração parecia tentar romper cada tentáculo que o ligava a meu corpo.

 Pela forma com a qual reagira o médico, soube imediatamente que eu não era o único desequilibrado que lhe furtara a papelada e se negara a ouvir seu diagnóstico. Fosse ele qual fosse.

 -Perdoe-me doutor, mas, não quero saber. –Dizia eu todo trêmulo, refém do desespero que arrastava meu corpo para longe dali. Minha morte era certa. E eu não precisava ouvir isso de ninguém, ainda que os termos fossem ajustados para propor-me esperança. Ora! Tenho o direito de escolher como findar minha vida.  Eu parecia estar caminhando com agua até os joelhos, tão pesadas estavam minhas pernas. A respiração ardia, os olhos encharcavam-se e o coração batia em toda parte, sufocado por angustiada agonia. O alarido do trânsito aumentara minha confusão, e percebi tarde demais que já estava bem no meio da rua, atrapalhando o trânsito, sendo atropelado. O chão acolheu meu corpo adormecido com brutalidade. O mundo rodopiava lentamente. Tudo era turvo. Pessoas se assomavam pronunciando palavras confusas. Minhas mãos trêmulas recorreram-se institivamente ao papel furtado, agora manchado pela vermelhidão do sangue. E num último esforço, pude ler claramente, entre tantas termologias médicas, “células cancerígenas –Ausente”.


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

Nosso tempo está curto!

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Não, paciente leitor. Definitivamente, não se trata de uma daquelas premonições ou aspirações catastróficas, vendidas pelos tantos profetas do apocalipse nas esquinas.

Se você alguma vez ponderou se o tempo estaria a nos pregar a maior de suas peças, a de simplesmente se acelerar, saiba que não é o único. Grandes cientistas vêm travando constante labuta, afim de compreender este dilema que aflige todos nós.

Seria o tempo um aliado, ou, um inimigo impiedoso?

Na verdade, paciente leitor, ironicamente, quanto mais ávidos estamos por ganhar mais tempo, mais o perdemos. Novas tecnologias são criadas diariamente sob o único propósito de saciar este desejo de se viver em alta velocidade, que vem assolando nossa humanidade. Falimos, miseravelmente, quando entendemos que tempo, é um adversário que devemos superar a cada segundo de nossa existência, sustentados por aquela sensação impotente, de que não conseguimos fazer tudo que realmente desejamos por falta de tempo. Ora! Bem sabemos que tempo é questão de prioridade, desde os tempos de Julio César, no século 1 a.C aos dias atuais -e um pouco antes e além disso tudo- os dias sempre possuíram 24 horas e, até que nenhum governante resolva destruir também esta questão, a contagem sempre será esta, portanto, cabe a nós utilizarmos cada instante de nossa existência da maneira que melhor acharmos convenientes. Você, que se dedicara um tempinho a ler tal analogia é um raro exemplo de interesse por qualidade do tempo, não quantidade. Antes que caia sobre este pobre mortal a acusação de superestimar tal texto, esclareço que há um estudo, que defende a teoria de que um adulto é capaz de ler até 350 palavras por minuto. Faça suas contas e verá que as exatas 596 palavras dispostas neste artigo, não lhe subtraíram muito de seu tempo existencial, e se de repente, nada do que foi disposto aqui, tenha lhe atingido de maneira positiva, pense no tempo em que se sentara, relaxara a mente para averiguar uma nova perspectiva.

Vivemos um período onde novas tecnologias geram demandas por velocidade. Estamos sob um tempestivo desejo de estar em diversos lugares, falar com maior grupo de pessoas, viver novas emoções e situações, tudo de uma só vez. Na velocidade da luz. Por esta razão, nascera recentemente um distúrbio chamado “doença da pressa”. E é também, por esta razão, que há muito as crianças já nascem adultas. E é bem provável que tanto eu, quanto você, já apresentamos alguns sinais desta nova patologia. É obvio que cada mortal é afetado pela contagem do tempo de maneira diferente, mas, o leitor há de convir que vivemos conectados no 220, tentando desesperadamente absorver cada milésimo de segundo sob a certeza de que este não voltará, com a vida, sempre a tiquetaquear em nosso ser. É justamente por tentar viver tudo o que há para ser vivido que, mais tarde, concluímos cansados que fomos seduzidos por uma intensa maratona, que nos roubara amigos, qualidade de vida, familiares e até nosso ser. É óbvio que como pobre mortal pecador que sou, também não descobri ainda a fórmula de não ser escravizado pelo tempo, mas, por outro lado, venho compreendendo formas de contradizer a filosofia que a tecnologia implantara em nossa sociedade e, nestes fragmentos, rompantes de um instante, concluo que não é o tempo que nos escraviza, são nossa prioridades. Martinho da vila sugeriu ir “Devagar, devagarinho” e, mesmo que pareça um movimento pela lerdeza, proponho, ao menos de vez em quando, desacelerarmos o ritmo e dedicar nosso curto e longo tempo a algo que contribua de maneira positiva para nossa existência.  


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

ENSAIO SOBRE O AMOR!

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Ah paciente leitor!

Não sei se por força da primavera, induzido pelo desabrochar da vida, renovado pelo florir de esplendor do horizonte, mas, o fato é que minha aura outrora turva, se veste de certa reflexão, que quase beira a melancolia.

Ora! Contenha o sorriso sarcástico, pois, por mais improvável que possa parecer, também possuo um coração, que, muitas vezes, surpreende as expectativas anatômicas e foge ao ritmado labor de mero músculo, para se inflar de sentimentos.

“O amor é fogo que arde sem doer” dissera um sábio poeta. E quem sou eu para propor novas definições, novas ramificações deste universo emaranhado e abstrato. Entretanto, o amor é um departamento universal, que permite a cada um de nós, dar pitacos e teorizá-lo da maneira que melhor nos convir. Quem você amou, paciente leitor? E quantas vezes já o fizera? É óbvio que não faço qualquer referência às paixões cinematográficas, tampouco, enveredo pelas obscenidades da carne, que como bom pecador também possuo. Falo sobre amor humano, sobre nossa essência. Um sentimento mágico de bem querer, assexuado, anarquista, incondicional e, sobretudo, pacificador.

Seria necessário muita tinta e demasiadas doses de bebida para, senão esclarecer, ao menos, desanuviar este bendito e enigmático amor, que revela novas faces toda vez que estamos por desvendá-lo. O que mais entristece, toda vez que ouso embrenhar por entre este caminho talhado em rochas pontiagudas, é constatar que amar, foge completamente às regras e dogmas romantizado por nós. A romantização do amor é que nos torna piegas e vulneráveis. E por esta razão o ocultamos, pois, nenhum ser, sob perfeito gozo de sua sanidade mental, cometeria o suicídio de revelar suas fraquezas. E o amor nos torna pateticamente fracos quando o romantizamos e identificamos, de maneira equivocada, uma necessidade de expectativas politicamente corretas. Confesso que não sou um perito neste assunto, somente um esforçado aprendiz, não do romantismo, mas, da essência do relacionamento humano.

Honestamente, percebo que o amor contextual, se revela de maneira bem menos poética que aspiramos. Se concretiza em gestos genuínos. No simples despertar no meio da noite a velar o sono alheio, no singelo voto de boas vibrações, no querer estar ao lado daquela pessoa. O amor verdadeiro está no relacionamento. Relacionamento de pessoas. Na maioria das vezes confundimos este sentimento, que rege todos os outros, com atração carnal entre gêneros, ou, na simples sugestão genealógica. Por esta razão, não praticamos tal, cientes de que nossa cota esta bem servida, na restrição do lar. Embora você, provavelmente não tenha percebido, ou, tampouco se dedicara a refletir sobre tal questão, sou capaz de apostar um destes olhos que o astigmatismo tenta corroer, que você ama todos os dias, muitas pessoas. Desde o cônjuge, os filhos, ao amigo com quem muitas vezes dividira a mesa de bar, a quem você recorre quando esta diante de uma catástrofe.

Pouca gente fala sobre amor nos dias atuais, por uma simples razão. Não dá ibope. Aliás, o amor nunca deu muito cartaz, pelo menos no âmbito popular, visto que ações violentas são sempre mais procuradas. Todo escritor que ousa trilhar tal caminho, corre sério risco de ser rotulado como meloso, mas, é bem provável que, a esta altura do campeonato o leitor já identificara por si só, que não sou do tipo que dá muito crédito às classificações alheias. Portanto, amável leitor, um brinde ao amor substancial e impopular! 


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

Tributo à criança que um dia fui

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Eis que nossos dias se vestem de trevas...

Não! Esqueça esta conversa catastrófica, paciente leitor! Lhe proponho um tema mais ligth, primeiro, porque já estou completamente exaurido, enojado de toda esta situação politica, que está bem longe de desanuviar. Segundo, para lhe provar que sei ser, senão amável, ao menos afável de vez em quando (tão constante quanto um eclipse lunar).

Se aproxima a data em que, comercialmente, se celebra o dia da criança e, principalmente nestes dias em que minha juventude se esvai com avidez, e a velhice parece um caminho provável, onde desaguarei brevemente, confesso que sinto uma vontade imensa de voltar a ser criança! Gostaria muito de reviver as banalidades inconvencionais, despir, pelo menos por uma fração de um mísero segundo, este manto claustrofóbico da vida adulta e, sobretudo, reviver as boas amizades que lá deixei.

Frequentemente ouço a afirmativa de que, “não se fazem mais crianças como antigamente.” para qual possuo uma resposta bem simples: as crianças de antigamente cometeram o maior de todos os crimes, se tronaram adultas. Ironicamente, exibem agora inúmeros instrumentos para computar as horas e nunca possuem tempo para as questões essenciais à vida, aquelas questões invisíveis aos olhos, que tantos poetas morreram tentando elucidar. Aquelas crianças de antigamente, deram de ombros para as sinceras amizades que possuíam e se aderiram às alianças convencionais. Aquelas crianças que prorrogaram a oportunidade daquele abraço, murcharam ante a voracidade do tempo, que levara precocemente quem ganharia tal abraço. Aquelas crianças se tornaram fábricas velhas, que muito produziram, mas, não saíram do lugar, repleta de engrenagens complexas e padronizadas. E não importa o quão se dediquem a lhe retocar a fachada, no seu âmago, pulsa a frieza de um galpão repleto de muitas quinquilharias, porém pouca luz.

Nos dias atuais, ao remoer as reminiscencias dignas de qualquer mortal pecador, frequentemente deparo com uma pergunta inquietante, para qual não possuo qualquer respostas: Em que momento assassinei a criança que habitava em meu ser? Seria no primeiro beijo? O primeiro voto talvez? O primeiro grande pecado? Não necessariamente nesta ordem, tampouco separados. O fato é quem em raros dias chuvosos, destes com cheiro de terra molhada, numa tarde regada a bolinho de chuva, ou, na simples sugestão das enxurradas na calçada, sou seduzido a deixar a mente vagar por entre os vales e grotões da memória e, de repente, estou completamente desnudo das convencionais posturas que se exige de um bom adulto, e neste momento reencontro um grande amigo, também no mesmo estado meu, um amigo que hoje chamo carinhosamente de leitor!

*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

​Eis que o destino nos propõe um divã!

A oportunidade única de olharmos para dentro de nossas entranhas.

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          Exatamente paciente leitor!

          De artigo em artigo, de analogia em analogia, caminhamos lenta e progressivamente para o exato ponto em que nos encontramos agora. Talvez, seja agora, o ápice da relação que lapidamos. Nossas afinidades se entrelaçaram, se enraizaram. Forjamos e concretizamos um ponto de vista comum e amadurecido. Nossas artérias conceituais estão interligadas suficientemente bem, para avançarmos um passo nessa relação. Não, decididamente, não se trata de um enredo de telenovela mexicana, também, não faço aqui, qualquer conspiração matrimonial, tampouco, meu editor se confundira e publicara os ensaios melancólicos de uma carta conjugal. Falo da sólida compatibilidade de conceitos que adquirimos no decorrer das edições.

          A locomotiva que conduz nosso estado já descarrilou faz tempo, isso é um fato. Houve a substituição polêmica do condutor, o vagão da primeira classe esta totalmente atolado, imerso no lamaçal da corrupção. Não sei quanto a você, caro leitor, mas, tenho a penosa sensação de que fomos esquecidos no vagão de cargas, rodeado de alfafa. Estamos em queda livre, sem qualquer item de segurança a nosso dispor. Por esta razão, caso ainda suporte meu novo estilo, o convoco para uma viagem extremamente necessária à nova reforma que estamos por executar. Uma viagem particular, a uma terra repleta dos mais complexos vales, grotescos pântanos e perfumados bosques. Uma terra colonizada e padronizada pelos mais sanguinários usurpadores. Nosso passaporte é um simples espelho.

          É no minimo, difícil, aceitar a realidade de que nós dois somos também cúmplices dos crimes praticados contra a pátria, direta ou indiretamente. Antes de nós, nossos pais, e os pais dos nossos pais. Herdamos a filosofia do extrativismo. As riquezas naturais de nossos terras nos induziram a tal. Nos frios tribunais de nossa mente, nossa defesa falhará, ante o arsenal de provas que revelaram uma cadeia de delitos praticados por nós, quando nos permitimos fácil manipulação e votamos em placas partidárias, quando sonegamos a prudente ação ao bem coletivo, decidindo em prol de nossas individualidades, do simples piratear de um objeto, à manipulação do sistema em beneficio próprio. Em nossa defesa, cúmplice leitor, alegarei que não, desligamos os aparelhos que causaram tantas mortes em vão nos hospitais, aliás, tampouco, fomos canalhas suficiente para praticarmos crimes financeiros contra o estado. Também, jamais pagamos ou recebemos propinas e uns certos milhões encontrados num determinado apartamento, juro que não nos pertence. No entanto, tristemente deverei nos delatar num ponto, e confessar que nos dois, em prol de nossa zona de conforto, não somente abrimos todas as portas para os criminosos, como também ficamos de sentinela. Isto faz de nós criminosos? Espero que o juri decida que não.

          Façamos então um juramento, cúmplice leitor, que por solidariedade, não abortara a leitura, proponho abolirmos qualquer fragmento de ato corruptível que venha a nos seduzir, a nodular as vértebras de nosso caráter. Novas eleições estão se aproximando e, com ela, talvez a ultima e misericordiosa oportunidade de realmente fazermos a diferença. Portanto, erga-te nobre cavaleiro, o futuro de nossos filhos está ameaçado, é hora de revogarmos todos os conceitos e reivindicar, com toda nossa força, a terra que nos é de direito. Amém.  

*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.