QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA...

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Saudações paciente leitor.

É até bíblico a velha questão entre apedrejadores e apedrejados. Mas, é curioso como, em tempos de crise, aflora esta questão milenar. Nós, brasileiros, estamos com os nervos à flor da pele, e tudo se torna motivo para protestarmos, para uma oposição. Todo mundo querendo ser pedra. E, às vezes, as palavras, nas mãos de quem não tem, ao menos a humildade de ponderá-las, tornam-se uma verdadeira ogiva nuclear. É óbvio que tudo isso é reflexo da crise medonha que se instalara na atmosfera de nosso país, uma crise que afeta não somente os setores financeiros mas, a ética, os princípios e os valores, não somente da classe política, mas, de uma sociedade inteira. Crise no setor financeiro, não é uma tarefa impossível de se resolver, basta ajustar orçamentos, cortar gastos, acrescentar um numerozinho aqui, esfolar a carne de um trabalhador ali e pronto. Mas, e quanto à crise de valores, de princípios?

Honestamente, assumo que, muitas vezes, abuso de vossa paciência, amigo leitor, não com a malandragem dos políticos, mas, propondo reflexões absolutamente indecifráveis, mas, em minha defesa, alego que, sinceridade, é o norte, no qual amparo minhas rasuras. Portanto, digo que, momentos de crise intensa, como estes que vivemos, é capaz de nos proporcionar bons frutos. Muitas lições boas podem ser subtraídas da crise. Não, paciente leitor, definitivamente, não enlouqueci, pelo menos é o que assegura meu psiquiatra. Uma crise é capaz de moldar a sociedade, propor uma lapidação, um novo curso, que se instala no comportamento da massa. É só olharmos ao redor, para percebermos a guinada brusca que nossa sociedade sofrera, se adequando a uma nova estrada, sinuosa e repleta de calombos. Assim como ocorrera nas guerras mundiais, na inquisição, nas revoluções francesas, espanholas e outros tantos conflitos que se levantam diariamente, surgiram novos padrões de comportamento da massa, novas filosofias sociais que foram modelando a sociedade, de acordo com um novo prisma.

Mas, o que realmente é preocupante, e até o leitor mais otimista há de convir, é que as novas tecnologias, produzidas com objetivo de acelerar a vida dos homens, tem se revelado uma arma perigosa, nas mãos de determinados setores da massa, em alguns casos, ouso dizer, vaso sanitário. As redes sociais, por exemplo, extremaram as pessoas, ou seja, aquele indivíduo pretendente à sensibilidade, ficou extremamente sensível, quem era vulnerável em questões da carne tornara-se pervertido, quem era idiota, mais, idiota e assim por diante. Todo mundo margeando a linha tênue do comportamento humano. Então, estes extremos provocados pelo acesso compulsivo e anárquico às redes sociais, aliado a uma crise que afeta todos os elementos sociais, torna-se um verdadeiro caos.

Particularmente, creio que uma crise tão estrondosa como esta que paira sobre o Brasil, tende a nos motivar a agir um pouco mais, sair do comodismo que a vida de gado oferece e atuar, em todos os setores, porém, muitas vezes, temos confundido atuação com aversão, com manifestação gratuita de hostilidade. Protestamos contra tudo e contra todos, sem reflexão, sem escrúpulo. Um exemplo claro, acontece agora, em pleno evento futebolístico mais importante do planeta. Frequentemente somos seduzidos à nos solidarizar com os tantos posts, que colocam o gosto do brasileiro pelo futebol como o responsável direto por este desmoronamento do país. Mesmo que milhões destas pedras se voltem em minha direção, devo opor-me a tal pensamento. Países de primeiro mundo, os quais usamos como referências em nossas analogias, são obcecados por eventos esportivos, mesmo assim, mantêm sua sociedade sólida. Concordo que, no Brasil, eventos esportivos e préstitos públicos atraem mais a população do que sessões das câmaras municipais, estaduais e nacionais, mas, não vejo de que maneira eu, por exemplo, ajudaria meu país, protestando contra a paixão dos torcedores pelo futebol. Aliás, e com este artigo é bem provável que alguém peça minha cabeça no editorial, quase sempre, os protestos que vejo expostos nas redes sociais, não passam de justificativas para nossa apatia, nosso desinteresse em participar diretamente das mudanças. Vejo profissionais alegando que não prestam um serviço descente, porque não recebem vencimentos à altura, absurdo! Quem necessita de seus préstimos não são os responsáveis por sua desvalorização. Quer assegurar seus direitos? Vá na fonte, reivindique-o no andar de cima. Em quase todas as edições, eu sugiro olharmos todos na mesma direção, ao invés de atacarmos uns aos outros, ao invés de valermos das redes sociais, deste estreitamento de comunicação global, para semearmos um vírus altamente contagioso da discórdia. Eu poderia dedicar horas aqui, a defender melhor esta minha reflexão, mas, é necessário, por hora, assassinar este artigo, que já vai por demais se alongando.


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

EFEITO MORAL

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Saudações paciente leitor!

Tenha você se aderido ou não à greve dos caminheiros. Se você é pró paralisação ou anti. Não importa. Aliás, é uma questão pessoal que deve ser respeitada. O fato é que, longe de qualquer pretensão catastrófica e exagerada, um caos se instalara, na sociedade e nos pilares corroídos do governo. Aprendemos muitas lições ao longo desta paralisação. Lições que deverão nos servir de base para futuras ações sociais. Uma delas, é que, ficou bastante nítido, que no imposto de cada dia, nas arrecadações tributárias exorbitante, através das quais o governo nos esfola a carne, ninguém tasca. Os senhores que regem nossa sociedade são inflexíveis quanto abaixar valores relativos aos impostos e, imaginar um país livre de exorbitantes taxas de imposto é muita ingenuidade de nossa parte. Uma utopia que não se aplica nem na ficção. Um outro ponto que se não preocupa, ao menos intriga, é o papel da mídia televisiva durantes conflitos sociais, como ocorre na questão da paralisação dos camioneiros. A mídia televisiva nacional, tem se mostrado bastante parcial e altamente partidária em assuntos de absoluta relevância para o país. Algumas das principais emissoras de televisão brasileira, tentam claramente, distorcer fatos e transmitir somente conteúdo que vão de encontro às suas ideologias políticas. O expectador, fica como marionete, manuseado a favor deste e contrário aquele, e tudo se confundindo, se metamorfoseando o tempo todo, com o único objetivo de separar a população e, consequentemente, enfraquece-la. A mídia televisiva vem pintando o cenário nacional à sua maneira, se dizendo representante legal dos ideias do povo. Portanto, paciente leitor, que um dia há de explicar-me por qual razão ainda segue estas minhas analogias sórdidas, é extremamente importante lembrarmos sempre, que a TV e, consequentemente, toda sua programação é um objeto de entretenimento, não um manual capaz de ditar os códigos de comportamento social, política e tudo mais.

Confesso que muitas vezes critico esta globalização tecnológica desenfreada, mas, devo admitir que, nestes últimos acontecimentos, ficou provado que as redes sociais se tornaram uma ferramenta bastante necessária ao agrupamento, recrutamento social para determinadas causas, ainda que, o governo, tanto quanto qualquer um de nós, tenha completo conhecimento de que, numa guerra, por exemplo, uma das principais ações necessárias ao êxito na batalha, é cortar as linhas de comunicações entre seus inimigos, com intuito de vulnerabilizá-los, dispersá-los. Portanto, é bem provável que eventualmente, quando a batalha parecer perdida, o governo recorra a tal estratégia.

Outro ponto que desanima qualquer perspectiva é o modismo do tal “Fake News”, arma poderosa nas mãos das manobras políticas. Nascem com propósito de confundir ainda mais os eleitores que, curiosamente, por mais que assistem tanta TV se mantêm desinformados. Aliás, o oportunismo político sega a proporcionar asco. Os canalhas de colarinho branco, não possuem a mínima decência de se solidarizarem com o povo, e traçarem estratégias apartidárias, visando solucionar determinada questão. Quais verdadeiros abutres, se valem da menor faísca de falência de determinados setores. É impressionante perceber que cada brecha é oportuna para se praticar a política. Curiosamente, a política só não é praticada nos corredores dos hospitais, nas escolas, nas culturalização do povo. E, falando em abutres, parasitas que se valem de conflitos para obterem vantagens, foi, no mínimo vergonhoso, a demonstração que tivemos, de que, num momento, em que o povo deveria se unir, em todos os setores, houve indivíduos que se valeram da ocasião para violar ainda mais o sofrimento do povo, em prol de benefício próprio. Como nem tudo são espinhos, reconheço que, tiraremos de bom, o fato de que o brasileiro está aprendendo a sair da resignação cômoda e mostrar sua força. Mas, ainda é necessário olharmos na mesma direção, remarmos todos para o mesmo objetivo. Sei que, como em qualquer conflito, haverá quem retornará ao lar, completamente derrotado, ferido ou mutilado pelo poderio inimigo. Mas, em solidariedade a estes bravos guerreiros, digo que, o estado brasileiro é um inimigo mortal, e fazê-lo ao menos sangrá-lo, já é uma conquista enorme. A batalha ainda não está perdida, estamos apenas começando a preparar nosso exército, chamado povo.


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

Viva a Abolição!

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Saudações paciente leitor!

Neste mês de maio, precisamente no dia 13, comemoramos os 130 anos da emancipação do elemento servil, ou seja, a abolição da escravidão.

Sempre questionei o feriado da consciência negra, não por discordar do conceito, mas, por não me conter com a modéstia de tal. Sobretudo, propus, neste mesmo espaço, remanejar a homenagem para o dia 13 de maio, sob o argumento de que, ao celebrarmos a consciência negra no dia 20 de novembro, quase que resumimos a causa a uma tributação póstuma a Zumbi dos palmares. O que é uma lástima, já que há todo um contexto por traz da causa e, sobretudo, muitas, muitas pessoas a serem lembradas.

Se já me conhece bem ao longo de nossas laudas e, mais que tudo, suportara meu estilo, o leitor sabe que eu jamais cometeria o sacrilégio, o crime de propor uma analogia, sem que antes, eu tenha dedicado dias, senão anos a ponderá-la e, mais que tudo, estuda-la. Portanto, paciente leitor, acredite quando digo que o 13 de maio de 1888 supera e muito, em grau de relevância, o fatídico, controverso e quase pitoresco 7 de setembro. E não seria exagero acrescentar que o Brasil se tornara de fato um país independente, somente após romper a corrente da escravidão, ainda que de maneira retardatária.

Obviamente, a data da abolição contrasta com a homenagem ao dia das nossas mamães. E é justamente neste ponto que a coisa se enrola. Logisticamente, em prol de atender os truques do mercado, esta data a cada ano se enfraquece. É preciso mencionar as novas tecnologias para presentearmos nossas genitoras, e o que se ganharia em dedicar um maio bom de vendas, à memória de milhares de negros? E antes que eu seja linchado por todas as mamães, esclareço que não proponho esquecer sua justa homenagem, ainda que penso o dia das mães nos 365 dias do calendário. Dito isso, valho-me do ensejo para explicar o motivo, pelo qual, quebrei a promessa que fiz na edição passada, a de dedicar todas minhas linhas em homenagem às nossas genitoras. Há centenas de lápis mais eficiente que o meu que, sem dúvida prestará louvável tributo às mães, enquanto que, a questão abolição está quase órfã de quem mencione.

Todavia, a libertação dos escravos representara um marco nos caminhos turvos da histórias brasileira. Movimentos que hoje representam inquestionável relevância para o Brasil, só começaram a caminhar no pós-abolição, como a indústria, relações comerciais internacionais e a própria republica.

Sei que propor um feriado para o dia da abolição é, entre tantas outras vertentes, lembrar o Brasil, de um passado monstruoso, do qual tenta covardemente se livrar, varrendo para debaixo do tapete, aniquilando compêndios históricos que possam propor novos prismas para a população de maioria negra.

Engana-se miseravelmente quem se deixou levar pelo conto de fadas, de que a abolição dos escravos se dera sobre a bondade de uma princesa rebelde (a Redentora) que, valendo-se da ausência do pai, brincara de abrir a porteira para ver até onde o iria rebanho. Ainda que, devo convir, que abolir os escravos foi uma das últimas tentativas desesperadas de um império em ruinas, recuperar ao menos um pouco a popularidade. Aceitar isso, é se esquecer das pressões contra a monstruosidade da escravidão. Esquecer que, no Rio de janeiro, por exemplo, havia pelo menos 3 negros para cada cidadão branco, tanto que, ao desembarcar no coração do império brasileiro, qualquer turista reavaliaria o mapa, para certificar-se de que não fora traído pelos ventos e levado ao continente africano. No frigir dos ovos, é superficial demais, aceitar uma tributação rasa, objetivando minimizar a causa, elegendo um único herói. É se esquecer dos “Pretinhos” Machado de Assis e Nabuco, que entregaram a alma para a causa abolicionista, chegando a falsificar cartas de alforrias. É se esquecer de Chiquinha Gonzaga, que vendia suas partituras de porta-a-porta para, com o dinheiro, comprar a liberdade de negros. Isso sem mencionar a comissão de abolição, formada por jornalistas que, sustentaram de maneira ferrenha a questão. Enfim, seria necessário muita tinta e papel, para citar os tantos heróis da abolição. E, se ainda não fui demitido por um palavrão, é bem provável que serei por não respeitar o tamanho dos textos he-he-he. Talvez, não se comemora a abolição no brasil, porque ela ainda não aconteceu!

Viva ao 13 de maio!

O dia mais importante da história do Brasil.


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

TRIBUTO À PACIÊNCIA

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Saudações paciente leitor!

Aliás, antes de invocar minhas analogias, pretendo sanar uma questão que já se faz necessária. É bem provável que esta minha expressão que sempre utilizo a saudá-lo, tenha alguma vez, causando ligeira inquietação em torno de seu real significado. Tens aqui então os motivos declarado:

Obviamente, parte desta referência se dá à paciência, com a qual você degusta minhas palavras, mesmo que, muitas vezes, naturalmente, venha a discordar de tais, mas, sobretudo, pela paciência que requer a convivência, cada dia mais hostil e mais adversa, nesta nossa sociedade, que não só regride, mas se degenera. De fato, somos programados para sermos cidadãos, acima de tudo, pacientes. É com paciência que esperamos a morte nas filas do SUS. É com paciência que esperamos uma infraestrutura digna em nossa cidade. É com paciência que ousamos ter esperança de um futuro, senão esplendoroso, ao menos digno.

Concordo que há muitos governantes a brincar com esta vossa “paciência”, e sei também, que tal serenidade, lhe foi concedida através de anos de reflexão e amadurecimento, muitas vezes, confundida com resignação. Em resume, é necessário muita sabedoria, para ser paciente nos dias atuais, portanto, não temas estar sob um a zombaria deste pobre mortal que aqui deixa tais, pois, titulá-lo PACIENTE é uma maneira carinhosa que encontrei para homenageá-lo.

E, ainda, no quesito PACIÊNCIA, ocorreu-me agora, mandá-las às favas de vez, na questão política, pelo menos. Não faço referência aos bandidos de colarinho branco, falo da minha decepção diária, em relação ao comportamento dos eleitores ante este trágico reality show, de alta manipulação midiática. Até quando seremos meros torcedores, membros de organizadas partidárias? A verdade é que, tanto o “meu”, quanto o “seu” candidato estão fazendo somente M... (Ufa! Ainda não será desta vez que serei demitido por causa de um palavrão, ainda que, muitas vezes, um palavrão resume esta questão melhor do que centenas de palavras lucidas). Aqueles que não estão envolvidos diretamente com os escândalos de corrupção, verdadeiros atentados contra a nação, estão, inescrupulosamente convenientemente emudecidos, ou, o que é pior, indiferente. Obviamente, há sim uma minoria, honrando seus cargos, com gestão transparente e índoles inquestionáveis, e se não os louvamos, é justamente porque, não fazem mais que a obrigação, afinal, são bem pagos para tal. Que a corrupção é, de fato um mal já incrustrado em nossa sociedade, não há menor dúvida, mas, a palidez com a qual a aceitamos é o que realmente me assombra.

Todavia, ouvi alguém dizer que, corrupção há em todos os países. Exato. Estupendo. Porém, o que muda é a forma, com a qual é tratada a questão. A maneira, com a qual os cidadãos reagem.

Para outras tantas questões, pretendo, assim como você, paciente e sábio leitor, ter a serenidade de acalmar-me, mas, uma árvore velha, não se inclina do dia para a noite, ela, lentamente gira, seguindo o sol.

E para que não digam que esqueci de mencionar as flores, permitam-me mudar um pouco o assunto, mas, ainda obediente ao tema PACIÊNCIA, saudemos este maio que floresce, pois, neste mês, mergulhamos em profunda reflexão, pois, trata-se do mês das mães. Embora, pretendo, no artigo próximo falar com mais propriedade sobre. E se, cabe aqui como homenagem, ou, proposital provocação à minha paciente esposa, neste mês, celebro bodas de uma relacionamento senão, à lá comercial de margarina, bastante interessante e intenso (positivamente é claro He-he). Todavia, ocorreu-me citar nossas genitoras, por obediência ao tema, já que tais, são verdadeiras mestras nesta arte. Portanto, um viva à paciência. Pois, nós será um artigo indispensável, nas próximas laudas desta nossa vida.

*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

À Procura da felicidade

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​Saudações paciente leitor!

Você já conseguiu um emprego?

Já se formou?

Casou?

Comprou casa?

E seus filhos? Já estão tentando conquistar tudo isso?

Chega a ser ridiculamente engraçado, amargamente hilário, são estas as perguntas, com as quais as pessoas interpelam nossa existência. Cumprindo rigorosamente um formulário pré-estabelecido. Como se nossa existência obedecesse somente a estas formulas. Como se a materialização de uma vida “normalzinha” fosse, de fato, o essencial.

No entanto, raramente, ou, quase nunca, nos perguntam se somos felizes. Como se a felicidade estivesse embutida somente numa conquista material. Como se, ao comprar aquele tão sonhado conversível, a felicidade se perpetuaria em sua vida. Como se sua felicidade dependesse daquele casamento que ainda não saiu. A conquista nos propõem uma explosão momentânea de alegria, além de viabilizar a comodidade. Nos deparamos com uma porção de gente que tem tudo isso citado no enredo e, no entanto, não é feliz, pessoas que seguiram o protocolo e estão completamente perdidos.

Vivemos à procura da felicidade, como se felicidade fosse um bem material. Uma recompensa para uma vida de abdicações, uma espécie de pote de ouro no final do arco íris. Quase sempre, deixamos de lado nossa essência nesta busca desesperada. Como se fosse algo a ser buscado num terreno insólito sob incontáveis sacrifícios.

Inevitavelmente, somos contagiados por estas “regras do bom ser humano” e, também cometemos o crime de praticar tal abordagem, passando adiante as expectativas que nos são depositadas. Aliás, um dos grandes problemas, que inibem ou destroem os relacionamentos, são as expectativas. Estamos sempre criando expectativas, programando o mundo a girar em nosso favor. Por esta razão, quase sempre nos decepcionamos com as pessoas, simplesmente porque criamos expectativas para ela. Esperamos que ele comprasse um automóvel, mas, não sei porque cargas d’agua ainda anda a pé. Queríamos vê-la casada, mas, fomos contrariados. Será que passara por nossa cabeça vê-la feliz?

Estabelecemos expectativas e esperamos que as pessoas sigam rigorosamente o cronograma estabelecido, como perfeitas marionetes programadas. Sugiro, amigo leitor, abolirmos de vez as expectativas e concentrarmos nossa existência em ações que possa nos proporcionar felicidade.

Os anos nos valem para, além de branquear os cabelos, atingir certo amadurecimento suficiente, para entender que, felicidade plena não existe.É ingenuidade crer em felizes para sempre. Felicidade, são fragmentos de uma existência, momento que se tornam mais constante e duradouros, na medida em que amadurecemos.

E você, paciente leitor? É feliz?

É capaz de lidar com expectativas lutar por sua felicidade, não o padrão de felicidade estabelecido pelos outros?

É feliz o suficiente para entender que lágrimas, provavelmente, turvarão este sentimento?

Feliz o suficiente para contradizer as tantas regrinhas de etiqueta, que muitas vezes nos amputam?

A felicidade está bem mais próxima do que imaginamos, num terreno, repleto sim de labirintos, mas, extremamente cuidado e sujeito a boas transformações. É utopia simbolizar na felicidade a cereja que coroará nosso bolo, quando, agastados, no fim da vida, aguardaremos nosso ponto final. Todo dia que nasce é uma excelente oportunidade de ser feliz. E daí se, por um acaso você ainda não comprara aquela casa? Pois, a felicidade está também no processo que leva até a consagração do objetivo. Está em cada tijolo que utilizamos para edificar nossos sonhos. A felicidade se encontra em gestos e ações tão pequenos que, muitas vezes, parece zombaria, das tantas dificuldades que estabelecemos para conquista-la.

Ah paciente leitor!

Quer de fato, saber de uma vez por todas onde está esta tal felicidade?

Posso desenhar aqui um mapa, mas, enquanto não o faço, por favor, vá buscar um espelho.

*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

A política e o futebol

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Saudações paciente leitor!

Que comecem as disputas.

O Brasil se prepara para um grande evento de elevadas proporções midiáticas. Um espetáculo que, a cada quatro anos salpica de esperança, o ânimo dos brasileiros. Um evento, no qual é injetado milhões de cédulas, onde, antigos adversários se aliam, assim como outros, outrora companheiros de equipe, optam por defender novas bandeiras. Seus principais personagens já estão em aquecimento, treinando ardorosamente, suas pedaladas, seus dribles, suas rasteiras. Os espectadores, se dividem, entre aqueles que optam por acompanhar da poltrona de casa, e os que não perdem o calor das ruas.

Não, paciente leitor, lamento decepcioná-lo, caso entenda neste enredo, uma abordagem ao grande espetáculo futebolístico, aguardado para este 2018. Não faço menção à copa do mundo de futebol. Falo das eleições nacionais, onde serão escolhidos nossos novos representantes. Embora, devo reconhecer que haja certa semelhança entre tais eventos.

Numa partida de futebol, por exemplo, cabe à torcida, o mero papel de espectador, simples mortais, entoando incitações de amor à sua bandeira. Bastante semelhante aos eleitores, meros torcedores, defensores de bandeiras partidárias que, através do voto, procuram eleger o elemento símbolo de seu “clube” político, mesmo que, de repente, seus ideias e filosofias jamais se enquadrariam nas ações básicas que se espera de um governante. O que importa de fato é que meu “clube político” vença o seu. Se no futebol existem defensores, saltando à espantar qualquer ameaça contra sua baliza. No mundo político existem a monopolização de mídia, cadeiras e bancadas, barrando qualquer nova perspectiva. Há também os laterais, que ficam às margens, esperando pequenas brechas, solidificadas em escândalos. Existe o chamado centrão, que corre para todo lado, e quase sempre perdem fôlego antes de findar a partida. Os atacantes são sempre bem habilidosos, iludem facilmente, pedalam, entram de sola e tudo. Se as partidas de futebol são orientadas por seus treinadores, na política, os marqueteiros conduzem a campanha eleitoral. Em ambos existem impedimentos, provocações, penalidades e, somente no caso da política, a regra nem sempre é clara.

A seleção campeã é sempre coroada com um troféu. Objeto de cobiça dos demais jogadores, que se agastaram na exaustiva partida. Nós, torcedores, tomamos emprestado a conquista, tanto quanto o troféu. “Somos campeões do mundo de futebol” temos orgulho em dizer. Mas, não nos é permitido, ao menos tocar no troféu. Os milhares de reais bonificados pelo título, não nos entra no bolso. Não fomos protagonista diretos na partida que patrocinamos ao comprarmos o bilhete. Bilhete, cédula eleitoral. Grande semelhança!

Em outubro, novos gestores, novos governantes serão coroados com o poder, com a chave geral do Brasil. Mas, penosamente, tal qual no futebol, não é permitido ao eleitor, ao menos tocar nesta conquista. Meu partido é líder na bancada, meu candidato se elegeu, mas, eu continuo sendo tratado como torcedor, que paga seus luxos, que patrocina todo o movimento de gestão do pais, que defendeu a bandeira insultando e sendo insultado. Mas, que não colhe fruto algum desta conquista. E que aguarda esperançoso mais quatro anos, para viver a emoção tudo de novo. Acreditamos que, desta vez, apreendemos a torcer, que não confiaremos mais nos juízes, pois, são, muitas vezes, vulneráveis à corrupção de favorecer determinada equipe. Juramos para nós mesmo que entendemos mais do futebol, que os treinadores que estão à beira do gramado.

Ah! Amamos o futebol. Por esta razão, acompanhamos o mercado, as novas jogadas, as estatísticas, os números.

Detestamos política. Por esta razão, não nos interessa “troca-troca” partidário, as novas manobras eleitorais, os escândalos, o caráter de nossos candidatos.

Todavia, concluo que, no futebol, a emoção sempre se renova. Já, na política. Ah! a política, propõe pensar que, este nosso álbum, maltrapilho e amarrotado, está repleto de figurinhas repetidas...


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

Ensaio sobre a velhice

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Queira você ou não, todos iremos envelhecer! Lamento lembrá-lo de tal amigo leitor, a quem tributo meus cumprimentos, mas, é um fato. A questão é, você está realmente preparado para esta nova fase? O estado, como um todo, está mesmo apto a recebe-lo em sua velhice?

“O futuro é o passado preparado”, mencionara o filósofo Pierre Dác. De pleno acordo, proponho refletirmos sobre tal.

Honestamente, e isto é uma opinião particular, vejo a situação dos idosos, no âmbito geral, com muita tristeza. Ora! É deprimente se imaginar trabalhando diariamente, emprestando a própria saúde na labuta de se honrar as expectativas que se cria em torno do “chefe de família”, para envelhecer esquecido às margens de uma estrada que somente segue em frente sem tempo para amparar as vidas que murcham ao redor. Já que mencionei família, se multiplica, nos dias atuais, o número de filhos e netos que retornam à proteção dos mais velhos depois de terem partido do lar e constituído famílias, ou seja, regressam ao lar sustentado por uma pífia aposentadoria, munidos de agregados. Isto talvez explica a quantidade, cada vez mais alarmante, de idosos que reintegram ao mercado de trabalho, sob as talas dessa chibata estrutural, no intuito de, senão sanar, ao menos suavizar a situação de desamparo, no qual se encontram os seus, prolongando ainda mais, o merecido descanso, pelo qual trabalhara a vida toda.

Lamentável é saber que boa parte de nossa velhice, passaremos em filas de hospitais, esperando aquela consulta com um especialista, talvez, engajado num emprego qualquer, afim de complementar a renda. Além é claro, de ter que conviver com a nítida inversão dos valores sociais, desta juventude que desconhece qualquer conceito da palavra respeito.

Ao leitor, permito divergir, aliás, todo debate é sempre bem-vindo, porém, em minha defesa, digo que não faria qualquer sentido escrever, ou, mesmo rasurar, se não fosse regido pela sinceridade. Mas, o que vejo em nossa sociedade, são idosos, tendo sobre os ombros surrados a responsabilidade de uma família inteira, se privando de confortos necessários a uma boa velhice. Isto sem mencionar a quantidade de idosos que são, literalmente esquecidos pelos familiares, por quem dedicara sua vida. Idosos, cujos únicos amigos que possuem agora, são os enfermeiros, os acompanhantes, a quem compartilham os resquícios de uma vida que se esvai.

Voltando ao pensamento de Pierre Dác, eis que surge uma questão: Como estamos preparando nosso futuro? Será que dedicamos algum tempo, ou, mesmo dinheiro, em atividades que nos assegurariam uma velhice saudável? E nossa alimentação? Será que temos trabalhado nossa espiritualidade, para não amargarmos um envelhecimento medíocre e deprimente?

Entretanto, nem tudo são espinhos, pois, há uma parte considerável de idosos que souberam de fato preparar o futuro, e que gozam os dias atuais com espiritualidade, com aquela sensação de dever cumprido. São pessoas que encontraram na velhice o poder da juventude. Pessoas que contrariam as expectativas catastróficas e encaram os últimos dias de sua existência sorrindo.

Todavia, é importante mencionar que cabe a nós, que hoje somos jovens, proporcionar um envelhecimento saudável aos nossos idosos, ouvindo aquelas histórias que ele já lhe contara uma dezena de vezes, lhe emprestando todo o respeito do mundo, destituindo-os de responsabilidades que não mais condizem com sua idade e, acima de tudo, transmitindo-lhes amor.

Aos idosos de hoje, tributo meu profundo respeito e admiração, pois, conseguir envelhecer, nos dias atuais, já é uma conquista restrita a poucos.

Pensamento:

“Os anos enrugam a pele, mas renunciar ao entusiasmo faz enrugar a alma.”

Albert Schweitzer.


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

A pontualidade é a cortesia dos reis e a obrigação dos educados!

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Saudações paciente leitor, a quem tributo meus sinceros cumprimentos.

Há poucas semanas atrás um lorde da corte inglesa se demitiu, após se atrasar exatos 2 minutos para um pronunciamento no congresso. O lorde Michael Bates chegara à tribuna do parlamento dos lordes às 15:02, exatos 2 minutos atrasados para responder a alguns questionamentos, que teria início às 15hs, e que fora rapidamente substituído por outro orador, afim de se cumprir a rigorosa pontualidade britânica. Visivelmente constrangido e envergonhado, o lorde ocupou a tribuna para anunciar sua demissão. Se desculpara pela falta de cortesia, na atitude que considerara inadmissível.

Obviamente, dediquei um leve tempo a escarnecer da notícia, ao fazer um comparativo com a realidade de nosso país. Um contraste impiedoso! Nos primórdios de nossa história, nos primeiros enredos da civilização brasileira, muito copiamos das cortes estrangeiras, sobretudo, os modos ingleses. Nos emperiquitamos de casacas e um vestuário para lá de pesado que contradizia o calor dos trópicos. Por incrível que possa parecer, no ponto onde realmente teríamos que nos espelhar nas terras estrangeiras deixamos de lado. Cortesia, como bem citara o lorde, é o que nos falta paciente leitor. Não que este pobre infeliz, refém das palavras esteja a renegar seu patriotismo e, de repente, passara a enaltecer somente a grama do vizinho, mas, na perplexidade que causara esta manchete em solo brasileiro, deixara bem nítido que não consideramos um atraso, por menor que seja, como falta de respeito. Ledo engano nosso!

No Brasil, atraso é sinônimo de glamour, pelo menos para alguns, pois, particularmente, estou no grupo dos que tratam tal como falta de respeito. Por que cargas d’aguas é sugerido à noiva um atraso para requintar a cerimônia? Creio, na minha modesta ótica, e o leitor que fique bem à vontade para divergir, que, ao se atrasar, a noiva já não estaria a infligir um dos primeiros códigos da boa convivência? Ou seja, o respeito?

Na Europa, em países como Alemanha, que costuma dizer que “a pontualidade é a cortesia dos reis” e mesmo a própria Inglaterra, metrôs e interestaduais seguem pontualmente o horário estabelecido para embarque e desembarque. Existem linhas de metrôs que saem de determinados terminais às exatas 13:04, nem um segundo mais, nem um segundo menos. Os suíços costumam justificar sua pontualidade com a seguinte expressão: “Eu valorizo o seu tempo e, por consequência, valorizo você”

Sei que parece tão pequeno e sou mesmo capaz de imaginar uma linha de certo enfado, a percorrer a tez de algum leitor menos paciente, a dizer que há maiores problemas ameaçando a civilização nacional, mas, se pretendemos mesmo promover alguma mudança neste país, temos que começarmos por atitudes mais brandas e altamente relevantes. Raul seixas dissera em canção que “Tem gente que passa a vida inteira travando a inútil luta com os galhos, sem saber que é lá no tronco que tá o coringa do baralho” ações comportamentais individuais são os troncos, que sustentará esta nova nação que pretendemos desbravar.

Também não estou a lhe sugerir que sai por ai a renunciar um cargo toda vez que se atrasar. Pois, abandonar um emprego em terras brasileiras é tão eficaz quanto dispensar um cantil a transpor o Saara. Mas, que tal fazermos um pacto de começar a refletir sobre a ligação entre o atraso e a falta de respeito? Sei que ainda há um extenso caminho a percorrer nesta busca pela sociedade perfeita, mas, pequenas ações representam nossos primeiros passos.


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

Sonho?

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Esta noite tive um sonho bastante incomum. Daqueles sonhos que nos fazem debater sobre o colchão. Que faz encharcar de suor os lençóis.

Sonhei que, de repente, meu país havia caído em mãos de corjas de canalhas da mais imunda índole. É óbvio que não ocorrera assim do nada, mas, peguei o sonho já parido, o que o antecedera, ocorrera quando eu estava acordado.

Sonhei que grandes líderes mundiais não passavam de criancinhas mimadas, brigonas, que fantasiavam guerrinhas de estilingue e mamonas, com aviões e ogivas nucleares.

Sonhei que não havia mais manifestações culturais e que todo nosso entretenimento, não passava de um borrão pretencioso e altamente manipulador.

Este sonho era todo regido por uma trilha sonora bastante agressiva, repleta de mensagens subliminares, preconceituosas e extremamente pobres. Um misto de sons repetitivos, que tendiam a alienar-me.

Neste sonho, eu estava entre multidões, armadas de cartazes, apitos e narizes de palhaço. Sei que manifestávamos, mas, não ficara muito nítido contra o quê, ou, quem o fazíamos. Gritávamos palavras de ordens e exigíamos mudanças que nunca praticamos em nós mesmos.

Ah leitor! Pense num sonho confuso. Sonhei que destituíamos do poder, verdadeiras quadrilhas, com pseudônimos e tudo. Mas, curiosamente, delegávamos poder a outras quadrilhas.

Como nos filmes de cowboy, bandidos e mocinhos duelavam nas ruas, mas, não era fácil identifica-los, pois, os anos de convivência os assemelharam.

O ponto mais crítico deste meu sonho se dera, quando percebi que ninguém ouvia os protestos que eu tentava emitir. Todo mundo se agredia aos gritos, porém, ninguém ouvia. Tentei propor-lhes reflexão, mas, disseram-me que estavam atarefados, que tinham mais o que se fazer, do que desperdiçarem tempo pensando. Quando mencionei leitura, obtive risada.

O ponto curioso é que, apesar do caos, todo mundo sorria, embalados por alegorias festivas e espetáculos midiáticos. Eis que fiquei a ponderar, como um povo tão feliz poderia estar passando por tamanha catástrofe? Somente em sonho mesmo.

Sonhei que pessoas morriam em filas de hospitais, sem que lhes fossem concedida a clemência de um atendimento. Vejam só, até onde a imaginação dos sonhos é capaz de nos levar.

Estas mesmas pessoas que morriam à mingua, definhavam uma existência decrépita, desfalcados de elementos básicos, necessários à existência humana dentro de uma sociedade.

Ah! Temo mesmo ter enlouquecido. Pois, até onde eu sabia, para findar um sonho, no caso, um pesadelo como este, bastava abrir os olhos, mas, no meu caso, não ocorrera a salvação da realidade. E, mesmo acordado, sinto que ainda estou preso àquele maldito sonho.


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

Hora de quebrar um tabu

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Saudações paciente leitor.

Dissera o poeta, que não há mal algum em se usar palavras repetidas, até porque, quais são as palavras que nunca foram ditas?

Sendo assim, reutilizo aqui um texto que publiquei tempos atrás. E que o faço novamente, pela certeza de que tal assunto jamais poderá ficar na gaveta.

Alguma vez você já pensou em suicídio?

Por quê?

Faço essa pergunta, amigo leitor, ao mesmo tempo em que lhe tributo meus cumprimentos. É intrigante o número de casos de suicídio registrado, não somente em nossos modestos municípios, mas, em âmbito nacional. Não sei se alguma vez o leitor dedicara reflexão sobre o fato, mas, todo ano perdemos amigos em nossa comunidade, nesta prática de autoextermínio. Ainda neste ano, que brevemente rompera o casulo, já registramos está triste situação. Todavia, intrigado com o número alarmante, senti necessidade de embrenhar por entre as minúcias deste universo trágico, ao que constatei que, segundo os suicidiologistas, esta é uma prática mais comum do que se imagina. O “assunto” suicídio é um tabu, um monstro silencioso agindo nas células sociais. Porém, para total desespero, o suicídio não é lembrado como questão relevante. Honestamente, ainda não atingi nível suficiente de reflexão sobre o caso, para afirmar que a inércia do estado em relação ao autoextermínio dá-se por falta de estudo, ou, trata-se de um conceito cultural, não se abordar o assunto, ou, o que seria uma catástrofe, seria mesmo completo descaso. O fato é que, ignorar este “assunto”, definitivamente, não é o melhor caminho.

O suicídio não é tão romântico, tal qual propõe Shakespeare, com o casal Montecchio e Capuleto, em Romeu e Julieta, pelo contrário, saiba que, somente no Brasil, registra-se cerca de 32 suicídios por dia. E devemos considerar o fato de que, o Brasil ocupa posição de 113°, dentre os países com maiores taxas de suicídios. Também, devemos ressaltar o fato de que, tais números, representam somente os casos em que o suicídio foi verdadeiramente consumado, ou seja, ignorando as tantas outras situações onde o executor não obtivera sucesso, pois, para cada morte decorrente de suicídio, ocorrem outras 20 tentativas infrutíferas (Aliás, devo aqui, aplicar uma correção, pois, receio que o verbo “frutificar” não caia adequadamente bem na questão). Todavia, sobre este grupo recai a triste alcunha de “SOBREVIVENTES DE SI MESMOS”.

Um arrepio percorrera toda minha estrutura cervical ao constatar que, entre os jovens, o suicídio é a segunda incidência mais grave, perdendo somente para os acidentes de trânsito. De fato, tal qual aponta os estudiosos, suicídio é questão de saúde pública, que merece imediata atenção. Portanto, trilhando o conceito de que, prevenção é sempre o melhor remédio, sugiro abordarmos o assunto com maior frequência em nosso lar, logicamente, armando de certos cuidados e estudo sobre tal, pois, insistir em repetir situações de mortes por suicídio pode ser, muitas vezes interpretado pelo cérebro humano como incentivo . Um exemplo claro desta afirmação ocorrera em agosto de 1962, após a mídia americana divulgar o suposto suicídio de Marilyn Monroe, com coberturas cada vez mais sensacionalistas e repetitivas, ainda que a causa real nunca ficara provada. O fato é que, naquele mesmo mês, os Estados Unidos registrara um aumento de consideráveis 12% na taxa de suicídio.

E a você que, neste trágico momento está pensando, articulando, atentar contra sua própria vida, advirto, suicídio, nunca fora sinônimo de êxito, saída e mesmo solução para qualquer problema que você julgue maior que a própria vida.

Dedico este texto ao amigo Emerson Speroni, do Rio grande do Sul, que milita no âmbito nacional, na prevenção do suicídio e prestara válido socorro quando manifestei desejo de abordar o assunto. E, de alguma forma, espero ter, ao menos incentivado alguém a procurar ajuda, caso identifique nos seus, esta tendência trágica.

Pensamento:

Morrer é uma coisa que se deve deixar sempre para depois.

(Millôr Fernandes)

*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.