Há um monstro em minha casa

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"A primeira visão refletida no espelho sempre assusta. É estarrecedor. Indescritível o sentimento de derrota. Perplexa, fechei instintivamente os olhos e os reabri, implorando com todas as forças d’alma, para que pudesse acordar daquele pesadelo, ou, ao menos, me fortalecer diante daquele primeiro e doloroso impacto. É mentira! Sugeria minha mente. Isto não está acontecendo, não comigo! Em vão, aquele pedaço de vidro idiota, refletia uma mulher que parecia habitar este planeta desde sua origem, tão caricata, decrépita e frágil era sua expressão sombria. Abaixo daquela cratera ossuda, onde dois olhos apagados buscavam se esconder do mundo, duas rodelas roxo-violetas que, nem mesmo o mais sofisticado aparato de maquilagem seria capaz de esconder. Nos lábios que há muito não sentia o fulgor de um contato humano, vários vergões azulados se uniam. Hematomas se destacavam em toda parte. O corpo todo ardia, mas, era a alma que as labaredas verdadeiramente consumiam. Uma alma dilacerada, em frangalhos, apertada. As primeiras gotas de uma lágrima quente, ondulavam pela superfície daquela face de papelão amarrotado. Brota em meu âmago ferido uma pergunta acusadora. Como fui capaz de me apaixonar por um ser humano tão agressivo, um monstro covarde e insano? Muitas decisões inquiriam imediata resposta, atitudes se faziam crucialmente necessárias, mas, no momento, o maior e mais temoroso desafio era um só: Como eu sairia à rua? Qual seria a primeira pessoa a quem eu mentira sobre o fato? Será que novamente a escada mereceria a culpa? Ou, novamente, seria a queda de bicicleta? E o pior de tudo, quantos dias levariam até uma próxima agressão? ”

                Este é um relato fictício, criado por este que aqui rasura tais palavras, somente a pretexto de abordar uma questão gravíssima que, em plena revolução tecnológica, no ápice da manifestação da sapiência humana, se torna parte do cotidiano. Tais quais células cancerígenas em constante multiplicação, é o crescimento dilacerado de crimes domésticos. Verdadeiras barbáries ocorrem contra o sexo feminino, bem no seio de seus lares, contraditoriamente, no local onde deveriam gozar a proteção que se espera de um lar. Há, no Brasil, a estimativa de que a cada dois minutos, cinco mulheres sofrem com a violência doméstica, enfatizando o fato de que, somente as denúncias concretizadas constam realmente nas estatísticas, portanto, não seria difícil imaginar que o número há de se triplicar. Somente quem cresceu, ou tivera a infelicidade de partilhar um ambiente destroçado pelos estilhaços da violência é conhecedor da lenta cicatrização dos hematomas produzidos na alma de uma família inteira, quase sempre, vítima de um só agressor, ou seja, “o companheiro”, “o pai de família”.

                Ao leitor, permito a criatividade de batizar nossa personagem com o nome que melhor lhe convir, há uma infinidade deles. Trata-se de uma das tantas “Marias” que frequentemente encabeça as manchetes de jornais e se resumem a meras estatísticas. Porém, não nos esqueçamos de que esta poderia ser a história de nossas filhas, nossas mães e nossas esposas. Portanto, já que em minha modesta concepção, refletir é, talvez, a ação mais válida que podemos de fato praticar, pensemos e labutemos na árdua luta de se erradicar de vez este mal que assola inúmeros lares diariamente.  “O inferno são os outros”, apontara sabiamente Sartre, pois, lamentavelmente, há, espalhado em toda parte ao redor, verdadeiros covardes sendo, diariamente, inescrupulosamente, um inferno na vida de mulheres que nada mais possuem em sua defesa, exceto o silêncio, exceto o medo, no qual amargam uma existência turva e traumatizante.

É fato que, estranhamente, há mulheres que transparecem mesmo satisfação em dividir os dias com seu agressor, é mais um dos tantos mistérios restritos aos seres humanos e seus fetiches, ao que prefiro deixar em mãos dos estudiosos, porém, ressalto, que o texto faz referência especial às verdadeiras “mulheres” de fato.

Sei que em algum lar, infelizmente, alguém estará entre lágrimas, ou, pelo menos tentando contê-las, ao ler tais palavras, enquanto memória dolorosas lhe surgem na mente, quais labaredas esguias a lhe queimar o ventre. É especialmente a você, que sofre direta ou indiretamente com a violência doméstica, a quem tributo meus sinceros sentimentos, além é claro, os votos para que tenha coragem e denuncie seu agressor, antes que seja tarde demais.

                Pensamento:

                “(...) tive incontrolável ímpeto de lhe estapear a face fêmea, mas, percebi que, a covardia é a podridão da minha incapacidade de conquistá-la.”

                Valdeci Santana. 


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

Feliz dia dos pais!!!

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Saudações amigo leitor!

 E especialmente um PARABÉNS a você que é pai, neste mês que é todinho seu. Na verdade, é crucial explicar que, em agosto, se comemora o dia dos país, não o dia do “Orgasmo”, portanto, dispenso de meus cumprimentos aquele que somente procriou, mas, fugira à bela responsabilidade de ser pai.

E se há quem dispensa a missão de ser pai, por outro lado, milhares de filhos são adotados por força da ocasião, por anjos que executam bem este papel, muitas vezes, na pele de padrasto, tio, irmão mais velho, avô, padrinhos, e por aí vai.... Então, a vocês PAIS, em todas as vertentes, dedico o texto abaixo.

Pai...

Quem sabe um dia amadureçamos e, de repente, até dividiremos o calor da mesa de um bar.

Talvez, dediquemos um tempo a polir as peças do velho carro, esquecido sob a lona, onde tantas vezes, em seu colo, fingi ser motorista.

Quem sabe um dia o senhor nos faça uma visita e, talvez, até critique a rigidez, com a qual trato meus filhos. Ao que rebaterei, argumentando que assim fui criado.

Quem sabe um dia, eu crie coragem e lhe apresento meus projetos futuros, mesmo que seja para ouvir sua experiência dizer que está tudo errado.

Ah! Pai...

Quem sabe um dia, eu lhe peça para contar aquelas mesmas histórias, que ainda hoje repasso aos meus filhos.

Ou, se as circunstâncias permitirem, talvez, cedemos às velhas brincadeiras, das quais o senhor participara cansado ao retornar do trabalho.

Pai...

Perdoe-me contrariar seu pedido e quebrar a promessa que fiz, a de nunca crescer, mas, os dias foram passando e hoje sou também refém das horas, cometendo os mesmos erros que tanto critiquei em ti.

Não se entristeça, se a fraqueza natural dos seus braços não me sustentar o peso, pois, se possuo o corpo saudável hoje, é justamente, porque estes braços velhos foram fortes um dia.

Não temas decepcionar-me, se uma lágrima ondular na superfície de seu rosto, portanto, não é necessário escondê-la, aliás, comovê-lo positivamente sempre foi meu maior objetivo, onde muitas vezes fracassei.

A verdade, é que somente aprendi a ser um bom filho, quando me tornei pai. E hoje sei, que ser o super-herói de alguém exige imensas dificuldades, para as quais, muitas vezes, não estamos preparados, pois, ser pai, é acordar sobressaltando no meio da noite como o choro da frauda molhada.

É fazer aviãozinho, é imitar lobo mau, é se expor ao ridículo de coreografias infantis na sala de casa. É fazer guerra de travesseiro, mas também, conferir se lavara bem os dentes e atrás das orelhas.

Ser pai é ser torcedor fanático e exigente, é meteorologista lunático, para quem sempre vai fazer frio. É ser o médico que fraqueja ao primeiro sinal de febre, é experimentar mamadeira quente, xarope amargo e papinha. É se espremer na cama pequena para consolar o pesadelo. É explicar sobre a cegonha e se enrolar nas perguntas antes do tempo.  

Ser pai é carregar o título de mais forte, mais engraçado e mais corajoso, é dar broncas querendo sorrir, é saber que sempre haverá preocupações e esquecer todas elas ao primeiro sorriso do filho.

                “O amor que sinto pelos meus filhos é tão imenso, que não há maneiras de dizer, por estão razão demonstro...”  (Valdeci Santana)


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

Saudações paciente leitor!

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De fato, sinto-me mergulhado na paciência de um divã, toda vez que escrevo aqui minhas analogias.

Por mais que vasculhemos nossos vales e grotões da memória, infelizmente, não somos capazes de tocar as recordações de nossos primeiros dias de vida. O que é uma lástima, pois, creio que boa parte de nós gostaria mesmo de reviver as primeiras projeções do mundo, desabrochando ao nosso dispor. De repente, sorveríamos a maciez do colo materno outra vez, a nos embalar o choro, na proteção de um conforto. E, mais do que qualquer coisa, contemplaríamos a nudez de nossa pureza. Trago comigo a crença de que, nosso cérebro se encarrega de segredar estas primeiras lembranças no fundo do nosso âmago, somente como uma tática de autodefesa, uma tentativa prudente de nos aliviar o peso das expectativas que produzimos ao nascer. Logo que rompemos o útero materno, criamos, no fundo de nossa consciência, uma primeira expectativa, a de agradar nossa genitora. No decorrer do tempo, absorvemos milhares de expectativas que, muitas vezes nos levam à beira da loucura, ou, muito além dela.

O amor imenso que nutrimos por nossos filhos, naturalmente, nos força a pintar um mundo de expectativas, dotados de vertentes politicamente corretas, para as quais passamos a lapidá-los. Queremos estender-lhes o melhor da evolução que conseguimos alcançar, a parte reciclada dos conceitos que herdamos ou produzimos. Desconhecemos, portanto, o pequeno deslize que cometemos, uma mísera fagulha capaz de descarrilhar por completo nossas relações humanas. E a palavra-chave, que altera todo o conceito de humanidade é expectativa. Permita-me um conselho, caridoso leitor, que semanalmente cede alguns minutos a este pobre mortal e a minha necessidade de dar vazão ao turbilhão de pensamentos que se multiplica em meu ser. Esqueça as expectativas. Ainda que seja um pouco tarde, abandone de vez a expectativa lhe atribuída ou de sua própria autoria. Alguém, com o lápis mais poderoso do que o meu, dissera, certa vez, que o homem só começa a dar bons conselhos, quando sua idade o impede de dar maus exemplos. Portanto, cansado dos maus exemplos que produzi ao longo dos anos, ou, tentando, pelo menos, redimi-los, proponho substituirmos qualquer expectativa por relacionamento. Quando nos sentarmos, numa noite qualquer, ao lado da verdade, nos despimos dos personagens que forjamos em nossa defesa e passamos a rever nossas ideologias, cada vez mais, nos convencemos de que, o relacionamento é o coringa deste baralho que chamamos de vida. Um relacionamento verdadeiro, não exige a necessidade de máscaras de submissão e de posturas politicamente corretas, aliás, dane-se o politicamente correto (Ufa! Em tempo. Ainda não será nesta edição que ousarei libertar um palavrão). O mundo cor de rosa realmente existe e esta é a questão, já está pronto, não é necessário pintarmos novamente. É justamente, por tentar pintar o mundo, que o ser humano está destruindo todas as possíveis relações.

Todavia, agastado concluo, para entrarmos de vez em qualquer relacionamento humano é necessário livrarmo-nos das expectativas. E esta possibilidade nos assombra, pois, nos sentimos despidos de nossas armas. No entanto, que utilidade nos possibilitará armas, se aniquilarmos nossos conflitos e deleitarmos uma existência saudável.


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.  

João Pedro Delena Silva, campeão paulista de judô 2017 - Novo talento dos tatames

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KIOTSUKE!

Não paciente leitor, decididamente, não é necessário correr ao socorro de dicionário, pois pretendo sanar esta incógnita imediatamente. A saudação acima se traduz num pedido de ATENÇÃO!, um termo bastante usado nos dojos de judô espalhados pelo mundo.

Porém, antes de dar sequência às minhas sórdidas analogias, lhe tributo meus sinceros cumprimentos e a confissão, de que já virei pobre refém da rotina de lhe escrever novas palavras. Também, devo imediatamente esclarecer, ao leitor que já atribuíra à minha pessoa a figura de um exímio judoca, que estou para o judô, exatamente como um pinguim está para o Saara. Entretanto, conheço alguém que é perito em tal assunto. E com muito orgulho dissertarei sobre este judoca que vem, literalmente, conquistando os tatames brasileiros.

As tantas medalhas penduradas ao peito já precedem esta criatura carismática. João Pedro Delena Silva, ou simplesmente o “Delena”, como é chamado pelos amigos, é o orgulho, não somente dos pais Daniel Madureira e Lilian Cristina Delena, da irmãzinha Luiza, de todos os familiares, mas, de toda uma nação que se sente, a cada dia, melhor representada no âmbito deste esporte que sempre revela novos ídolos.


João Pedro nasceu em Ribeirão Preto, porém, suas raízes estão lastradas em Batatais, cidade que deixara aos 6 meses de vida, quando mudara-se para Lins, onde dera início a esta maravilhosa trajetória. No auge de seus 10 anos, esta talentosa figurinha defende um curriculum de causar inveja a muitos marmanjos que conheço. São mais de 40 medalhas em cinco anos de aprendizado, filiado à Federação Paulista de Judô, este talento precoce coleciona vitórias, sob os ensinamentos dos senseis Ailton Calado, Bruno Mariano e Henrique Morgado, se dedicando efusivamente, em treinamentos que chegam a 15 horas semanais, tudo feito com incrível paixão e persistência.

Incentivado pelos pais, que julgam sabiamente o esporte, como atividade essencial à formação de todas as vertentes humanas, este garotinho vem escrevendo dia após dia, uma bela história de aprendizagem, disciplina, respeito, dedicação e vitórias. De fato, não causará surpresa alguma, se nas próximas páginas desta brilhante história que se inicia, depararmos com o nome “Delena” estampado nos estandartes da cúpula deste esporte, representando nosso país nas competições internacionais, pelo contrário, será o destinado desaguando exatamente no ponto, para o qual fora ele lapidado.

O filósofo francês Pierre Dác disse que o futuro é o passado em preparação, assim sendo, alivia saber que, pelo menos neste esporte, nosso futuro está bem preparado.

Então, a você, pequeno “Delena”, meus votos de sucesso e conquistas. E um ARIGATOU GOZAIMASHITA.

Obrigado por tudo que tem feito!

Contato para patrocínios: (14) 9.9792-5395


*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.

Saudações amigos leitor!

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​               É com imenso prazer que hoje aciono a ignição desta coluna que aqui nasce. Confesso que muito labutei à cata de um assunto pertinente que, senão celebrasse esta inauguração com chave de ouro, ao menos, avalizasse a coerência que rege, ou, pelo menos tenta reger esta minha cachola quase sórdida pelas tantas porcarias que vem absorvendo ao longo destes confusos anos.

             Minha mente, solícita, voraz, tal qual a disposição de um adolescente, contradizendo por completo a ruina caricata que este corpo apresenta, saltitara deliberada por sobre os tantos enredos que, possivelmente, assegurariam uma matéria razoável. Tantos fatos brotaram imediatamente, quais labaredas sob a incitação da brasa, a crise econômica, que tanto tem nos tirado o sono e comida da mesa se destacara entre as possibilidades, tão logo, a crise política, com seus tentáculos e suas tramoias que nos causam náuseas, a degeneração dos valores humanos, a violência assustadora que a cada dia produz novas vítimas e a utopia em relação a um mundo seguro. E não é que, de repente, nesta palavra “utopia”, sou atingido por um estalo, uma epifania que acende minha mente, depois de alguns minutos, quase se rendendo, esgotado na esteira da criatividade. Porque não falar exatamente dos sonhos? Afinal, embora os céticos desprezem esta hipótese e atribuem os créditos à ação, são os sonhos que nos promovem. O seu sonho o conduzira exatamente ao ponto onde hoje está, do contrário, nada mais lhe restaria, exceto uma vida de lamentações. O sonho de um negro havaiano determinado o levara ao invejável posto de líder máximo da mais importante nação da esfera terrestre. E como não mencionar o sonho de um mineiro “fuçado” que o conduzira a alcunha de “Pai da aviação”.  E porque não permitir o atrevimento de incluir o sonho de um leitor pobre, de periferia mesmo, fascinado pelo universo das palavras e do conhecimento que elas proporcionam, que se tornara escritor e hoje desfruta o privilégio de redigir tais pensamentos nesta coluna?

            Entretanto, a pior parte de se nascer pobre, num país de mentalidade "pobre", é que você é obrigado a não acreditar nos seus sonhos, assim, gradativamente, seus ideais, aqueles planos onde você incluiu tanta gente, vão se esvaindo lentamente por entre os dedos, tal qual partículas de areia. Seus sonhos vão diariamente morrendo, assassinados, não pela força das circunstâncias, também não é pelo o catastrófico quadro social no qual você foi parido, não se trata dos ensinamentos obsoletos que o governo convencera seus pais de que era o mais oportuno, mas, por nós mesmos. Talvez, em consequência destes fatores, mas, somente nós somos senhores dos nossos sonhos. Mutilamos e assassinamos covardemente nossos objetivos, todos os dias, ao primeiro negar de "bom dia", aos muros que somos forçados a erguer, substituindo a pontes, nas máscaras que utilizamos para sermos aceitos em determinadas rodas sociais.  O mundo está impregnado de gente, esperando uma oportunidade para destruir o vosso sonho, são pessoas que mataram suas esperanças, deram-se ao sedentarismo que foi logo atropelado pela voracidade dos anos e que agora, deleitam sua existência a exterminar o sonho alheio. Mas, somente uma pessoa é capaz de fazê-lo de fato e esse alguém é você. Um homem sem sonhos, sem propósitos é uma concha vazia e isto assombra qualquer perspectiva. Portanto, amigo leitor, é necessário sim ir imediatamente à luta, mas, é extremamente crucial sonhar, dar propósito a esta vida passageira.

             É bem provável que o prenuncio de um brasileiro falando sobre sonhos em plena crise medonha que vivemos, soe como uma anedota, mas, fazer isso é ir na contramão das diretrizes que o estado insiste em nos apresentar. Os sonhos nos fazem pensar no minuto seguinte, nos possibilitam antecipar às projeções. Não consigo imaginar o ser humano vagando pela terra sem se agarrar a qualquer sonho. Sonhar com a possibilidade de um amanhã melhor, nos permite enxergar além da escuridão dos fatos, é manter-se vivo, enquanto todos jogam a toalha ao redor, é se recusar a mastigar a contragosto o pão amargo que os tantos obstáculos lhe colocam diante do nariz, é reagir. É sonhando com a possibilidade de um amanhã melhor que preparo meus filhos.

     E quanto a você? Quais são os seus sonhos?   

             Todavia, e minha mãe há de dizer que não criara um filho sarcástico, ao que corro imediatamente em sua defesa e digo que somente a vida causara tal transmutação, não há maneiras de esquecer o fato de que sonho mesmo todos os dias, (substancialmente, bem no sentido literal da palavra) com um país onde o ser humano possa ter de fato algum valor, onde as conveniências das alianças que substituem as parcerias não ultrapassem a necessidade de uma pátria inteira.

             Confesso que vivemos em tempos conturbados, ditado pela decrépita situação política, onde, sonho é quase que um adereço mitológico, no qual ninguém parece estar verdadeiramente interessado, mas, sonhar é preciso sempre (De olho aberto, é claro, para que ninguém lhe surrupie as poucas moedas restante). Confúcio disse que sonhar com o impossível é o primeiro passo para torná-lo possível, desta forma, proponho, não somente fazermos exatamente assim, mas, ensinarmos nossos filhos a agirem sob este propósito.

             Laurentino Gomes diz que o Brasil tinha tudo para dar errado e, no entanto, deu certo. Entretanto, (E sempre há um “entretanto” ah-ah) metido a besta que sou, ouso dizer que o Brasil era um país que tinha tudo para dar certo, no entanto, está dando tudo errado, portanto, rogo, imploro, PAREM LOGO ESTA M.... (Ufa! Em tempo, pois, a necessidade de um palavrão me assombra, mas, não pretendo cometer tal deslize, não no primeiro artigo). Vou logo pegar meus sonhos, colocar tudo num saco e descer, antes mesmo da próxima estação.

             Pensamento:

A vida não acaba quando deixamos de viver e sim quando deixamos de buscar algo nela.

Bob Marley

*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.