​Rombo

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Suor na cara. Música na cabeça. Bate. Bate. Música batida de coração. O ciúme calça luvas. O ciúme esfrega as mãos. Mãos de moedor. Homem puro. Puro músculo. Outro homem. Trator. Roer as unhas. Saia curta. Umbigo por onde se nasce. Umbigo por onde se morre. Mulher umbigo. Mulher pernas. Mulher de batom. Mulher sem perdão. Mulher talher. Talher onde se come de tudo. Comida pra um. Usada por dois. Banquete pra todos

Ciúme. Corpo contra corpo. Corpo empurra corpo. Um corpo agarra o outro. Garras. Rapina. Um rasga a pele do outro. Até. Até não mais poder. Raiva. Ódio. Guerra. Vozes toscas. Grito. Berros. Grunhidos. Perdigoto. Tapa. Murro. Cara amassada. Clinch. Separação. Momento. Dentes quebrados. Rua ringue. Corpos esfarrapados. Briga. Corpos chiclete. Pancada. Porrada. Na cara. No peito. Porrada. Baba. Cachorro louco. Sangue. O soco esmaga a língua. O dente de cima esmaga o chiclete contra os dentes debaixo. Raiva. Soco no ar. Tapa na boca. Chute no saco. Bêbados. Clinch. Porrada. Mais porrada. Vida ringue. Sangue. Pontapé. Dança das vísceras. O pé do nocaute. A carne dança. Que nem maré.

O tiro. A bala. A baba. Carne moída. Rompida. Osso rompido. Dilacerado. Porta da mente. Fechada. Trancada. O coração bate. Bate fraco. A mente às vezes mente. Mundo cão. Cão louco. Cachorro vira-latas. O cano cospe a morte. Morte apontada. Ponto de lápis. Risca a vida. Balada. Dança da vida. A vida dança. Bala perdida abala a vida. Morte. Sorte bandida. Ser humano. Desumano. Inumano. Rua morta. Silêncio cortado. Abalado. Grito abafado. Olho estatelado. Preso no nada. Nenhuma possibilidade. Respiração cortada. Coração parado. Cérebro destroçado. Gosma. Sarjeta estrada. Morte. Come via. É estrada. Trilho. Trem

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Sujeito indeterminado. Coração sem sujeito. Substantivo concreto. Adjetivo agora abstrato. Nada tem sentido. Nada faz sentido. Bala anônima. Endereço certo. Morte agora com cara. Endereço. Carteira assinada. Cara carimbada. Cara identificada. É estatística. Agora o Alguém virou ninguém. Comida de minhoca. Por quê? Estava onde. Onde não devia. Espera-o silêncio. A cova. Sulco na terra. Raízes. O corpo atônito passa sete palmos da superfície do chão. A morte voçoroca. Não... Choro. Não... Grito abafado. Não. A morte tem cara. Cara pendurada na parede. O filho, a mãe, o amigo, o pai, toda gente vai ver. Morte tem retrato. Pintado. Fotografado. No obituário. Até o prego ceder. Terá futuro amarelecido. Até cair no chão. Futuro. De um jeito ou de outro. Chão. 

​Não carregue lixo

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Uma das minhas alunas estava em prantos, porque não passou para a segunda fase do vestibular.

Cheguei perto e perguntei: O que aconteceu? Ela me encarou e me perguntou: E agora, o que eu faço?

Devolvi a pergunta: Quantos vestibulares você ainda fará?

Resposta: Mais três.

Disse-lhe: Então não carregue lixo. O que passou, morreu. O que passou, não pode atrapalhar o que vem.

Ela sorriu espantada: nunca ouvi isso, falado desse jeito.

Continuei: Então, ouça de novo. Não carregue lixo. Se fez algo, não há como consertar. O que fará sim, essa é a parte importante.

Continuou: Sabe! Eu me pressionei demais. Muita coisa me atrapalhou também: meu cachorrinho morreu, o pessoal ficava me chamando para a balada. Não tive tempo para nada, nem ir à aula eu conseguia. Quando ia, não conseguia ficar. Sei que o senhor vai achar que são desculpas. Desculpe, mas não é.

Para quem ela pedia desculpas? Para mim? Para ela mesma? Para o tempo que acredita perdido? Como diria meu grande amigo Neto: “arrependimento custa caro para o bolso e para a alma”.A pior expressão que existe é: desculpe-me. Por quê? Porque vem posterior ao fato. Ninguém desculpa ninguém, apenas pro forme. Na verdade, remoerá o fato, tanto, tanto, tanto, que um dia jogará na cara do outro o lixo que remoeu. Carregar lixo é comprometer o futuro, por causa do passado. E o passado dói, se você, impaciente leitor, permitir.

Assim ocorre com o vestibular, assim ocorre com a vida. Minha aluna passou um ano mergulhada nas próprias fantasias, esquivando-se de uma responsabilidade, que a atingiria, com dia e hora marcadas. Na verdade, eu deveria ter estudado, mas, mesmo não estudando, eu tinha esperança. “Quem sabe / faz a hora / não espera acontecer”. Parodiando: Quem não sabe / não escolhe a hora / se será atropelado pelo que acontecer.

Desculpe-me, professor. Pensei: Passará o ano inteiro no cursinho, arrependida do que não fez. Custará caro para a mente, o corpo, o bolso e a alma. O problema são as desculpas que arrumará para si mesma. Pior ainda, procurará passar em uma faculdade qualquer e resolver se matricular. O arrependimento e as desculpas virão depois da formatura. Como uma desculpa que puxa a outra, uma mentira que puxa a outra, o lixo puxa o outro.

Mudando drasticamente de assunto, num belo dia, você acorda e sai de casa, chega ao trabalho, um amigo vem e lhe diz que não só falaram, escreveram muitas coisas sobre você. Construíram propositalmente uma imagem devastadora de você, manipularam seus supostos amigos contra você, ofenderam-no, desrespeitaram-no, tentaram manchar sua honra e sua história, ou seja, tentaram recolher o próprio lixo e o jogaram em cima de você.

Alguns dos envolvidos, um dia, serão atropelados pela verdade. Diante dela, pedirão desculpas. No raso, você desculpará, mas no fundo, no fundo o fará? Ou pensará: Quem me traiu uma vez, trairá de novo. Quem disse que era meu amigo, não é. Quem me desrespeitou, desrespeitará novamente. Quem tentou macular a minha história, tentará de novo. Isto é, mesmo com um sorriso esquivo, carregará o lixo que lhe jogaram em cima.

No nosso dia a dia, os invejosos, os medrosos, os desonrados carregam seu lixo emocional na língua posando de vítimas. Não têm a lucidez de uma jovem vestibulanda. Não se engane, atento leitor. O dono do lixo, que tenta atingi-lo, tem nome, sobrenome, endereço, carteira de identidade e profissão. Lixo, de tanto se remoer, solta chorume. Lixo fede e chorume contamina. Coitado de quem o armazena. 

​A Fuvest vem aí. E se você não estivesse nem aí?

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A Fuvest é concorrida? É. Há as “feras”? Há claro. Você está com um friozinho na barriga? Que bom! Você acabou de descobrir que é um ser humano. Todo mundo disse que não seria fácil, no entanto algumas pessoas tornam tudo mais difícil. Por quê? Porque acreditam que somente aulas e apostilas passam alunos no vestibular. Por isso, o cansaço físico, que gera o cansaço mental, que gera a ansiedade, que gera o nervosismo.

Tenho visto alunos que entraram para fazer as provas relaxados, logicamente passaram, não queriam cursar aquela faculdade. Tenho visto ótimos alunos que não passaram ainda em uma determinada faculdade, “travaram” na hora da prova, lógico, aquele era o sonho de consumo. Muitos passam mal, assim que abrem a prova, pulam questões, quando vão marcar o gabarito.

A Fuvest uma prova que mete medo muito mais pela “mística” crida em torno dela, do que pela complexidade das questões.

As obras da listagem oficial são exploradas? Sim, e de diversas formas: analogias entre as características das personagens, fatos, clímax etc.

São comuns textos de críticos literários que colocam em cheque algum aspecto importante da obra. São constantes as relações entre as obras e outras disciplinas, como história, filosofia, sociologia, geopolítica, panorama histórico e cultural. Geralmente não é cobrada a leitura da obra, mas sim a capacidade de o aluno reconhecer aspectos gerais de cada uma. Por exemplo, a postura de determinadas mulheres se revela muito próxima: Ondina (Mayombe), Rita Baiana, Leonie e Pombinha (Cortiço) têm postura libertária; ao contrário delas, Iracema, mostra-se submissa. Xenofobia contra os portugueses é clara em Mayombe e Cortiço.

Há, pelo menos, dois textos longos, portanto o seu maior inimigo é o tempo. A gramática aparece, porém a maioria das questões pode ser respondida, a partir da leitura dos textos. As afirmativas categóricas “somente”, “nunca”, “jamais” servem para as “pegadinhas”. Quase sempre estão na opção errada.

Na Fuvest 99% dos alunos estão cansados, nervosos, com medo, um com medo do outro. O mesmo medo que você tem do concorrente, ele tem de você. Pesa mais lado psicológico. Pode ser baboseira, não é? Então largue o seu umbigo e olhe para o lado. Você pode ser o melhor do mundo, sem confiança, torna-se o pior. Observe: aquele sujeito “nem aí”, que você jamais apostaria nele, passa.

Prof. Luiz Cláudio Jubilato.

É consultor pedagógico e diretor do Criar Redação.

​Unicamp sem medo

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Prova  de conhecimentos gerais provocativa.

  • Humanas: 13 questões de língua portuguesa e literatura; 12 interdisciplinares; 9 de história e 9 de geografia.
  • Você saber ler? Tem bom vocabulário? É isso que a prova quer explorar.
  • Você construiu um bom repertório cultural? Está atualizado? Então, uma prova com quatro alternativas, baseada em análise de textos, não trará problema, para quem precisa responder 90 questões em 5 horas.
  • Na verdade, você tem 4h30. Os outros 30 minutos devem ser usados para marcar as alternativas no gabarito. Não marque na medida em que mata a questão, porque gabarito não aceita desatenção e arrependimento.
  • A prova não é confeccionada para alunos especialistas, mas para os que apresentam regularidade em todas as áreas.
  • As alternativas devem ser lidas antes do texto, para que elas direcionem a sua leitura. A resposta está no texto. Releia o verso ou parágrafo, porque a resposta está ali. Os que não têm o hábito de ler poesias são os que mais precisam usar esse método.
  • Essa história de compensar pode não dar certo. Funciona como aquela velha situação de andar devagar por causa do trânsito engarrafado e depois correr para tirar a diferença, quando ele alivia. A ansiedade leva a uma trombada.
  • Oralidade x norma culta: são as questões mais constantes. Tome cuidado com a relação entre como falamos e como escrevemos. Movimentos populares, como o funk, fogem da norma culta.
  • Os gêneros textuais são mais explorados na prova de redação, mas vez ou outra aparecem na prova de testes.
  • Livros: os examinadores exploram pouco as escolas literárias; exploram poucos aspectos específicos das obras, pois são muitas, no entanto são constantes as analogias entre elas são constantes; exploram muito os poemas em verso (principalmente) e em prosa.
  • As obras literárias são exploradas em outras disciplinas, como história, atualidades, filosofia e sociologia. Por exemplo, a questão da “negritude” pode ser bastante explorada.
  • As obras Os Sermões do padre Antônio Vieira e o Espelho, de Machado de Assis, tendem a ser mais exploradas, porque entraram na listagem atual.
Não descarto alguns temas, como a questão da “escravidão” e da “decadência da aristocracia”, porque obras como O Cortiço, O espelho, Negrinha e Poemas Negros, tratam desse tema. Outro é o papel da mulher na sociedade: Rita Baiana, Leónie e Pombinha, em O Cortiço. A xenofobia e o racismo também: O Cortiço e Terra Sonâmbula (Albino – Cortiço); Vera (Caminhos Cruzados); exclusão social (Cortiço – Caminhos Cruzados)

​“Abobrinhas na internet”

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Muita baboseira, muito marketing e desrespeito ao ser humano

O que as pessoas não fazem para aparecer

O que é um aluno? Um ser humano ou uma excelente peça de marketing? Veja, não perguntei quem é o aluno, mas o sim o que é o aluno (coisificação). Aulões, revisões, aulas dicas entupiram os jovens desesperados de informações às portas da boca do “bicho papão”. Canais do Youtube, instagram, redes de televisão não deixaram por menos. Pior, as dicas não batiam, ao contrário, trombavam umas com as outras, como trombam agora os gabaritos de diversos cursinhos, ou seja, marketing de um lado; bagunça oficial de outro.

O Exame Nacional do Ensino Médio fez com que o ensino virasse uma grande “piração” mercadológica. Aluno de baixa renda só é convidado para o show, caso dê retorno de mídia. 1/3 dos alunos desistiu de prestar a prova (o maior número da história). Consulte o cadastro socioeconômico e receberá na cara a resposta óbvia: aumento da exclusão social. Uma pessoa de classe baixa (para ser politicamente correto) não tem condições de competir com um estudante da elite.  A escola pública ficou relegada ao segundo plano.

Alertei para o excesso de informações que mais prejudicava do que ajudava.  A desculpa para “loucura toda” foi dar segurança ao aluno. É isso? Então, “tá bom”. Todo o processo educacional desceu “ralo abaixo”. Essa segurança deveria ser um processo planejado desde que o pimpolho pisou no maternal. Se isso for por demais utópico, então deveria ter sido iniciado no princípio do ano, para evitar a tal da insegurança.

O MEC, para fugir dos famosos “modelitos” de redação, denunciados pelo Guia do Estudante, trouxe um tema esdrúxulo: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. As palavras DESAFIOS e SURDOS eram chaves para desenvolver o tema, mas a coletânea engessava o aluno. O MEC deu um “tiro no pé”. Impediu também o aluno de “pensar” fora do recorte temático. Como sempre, no Brasil, tudo muda para ficar igual.

Por que tanta insegurança? Por que tanto o “piti”? Porque o MEC incentivou, avisou que mudaria muita coisa, mas só mudou quem fez a prova e quem a corrigirá.

Agora aparecem pessoas e mais pessoas afirmando que acertaram o tema que ninguém, de verdade, acertou. Novo show. Sortilégio? Mentira deslavada? Pregação? As cifras que movem a marca ENEM são gigantescas. Vale mentir, espernear. É o vale tudo. Tudo mesmo, até manter a câmera ligada esperando um atrasado para expô-lo em horário pobre.

Quem quer destruir o modelo atual, como eu quero, desista. Não é uma afirmação absurda, nem quero posar de Dom Quixote. Quero destruir o modelo, porque, para mim, ele não incentiva ninguém a estudar, mas sim a adestrar. O “ensino (?)” enenzou, até mesmo nas universidades públicas e agora também nas particulares. A UNESP adora o jeito ENEM de ser. Não à toa, foi convidada a formular o exame. Crianças já falam em ENEM, escolas já são moldadas em função dele. Com a “reforma educacional” (rsrs), tudo ainda piorará.

Fiz duas enquetes na internet, para escrever esse artigo. Primeira: 90% das pessoas concordaram que um aluno de escola pública não trazia o devido repertório cultural para escrever “bem” sobre o tema. A segunda: a “intervenção social”. Não havia como fugir àquela proposta pela coletânea. Agora apareceram os “entendidos” afirmando que o aluno não poderia escrever sobre “deficiência auditiva” e surdez como expressões sinônimas. Quem fizesse isso, tiraria zero. Às duas horas da manhã, recebi uma mensagem desesperada me perguntando se isso era verdade. Ao meio dia, outra trazia o protesto: tema para especialistas.

Nesse exato momento, assisto no JH a uma reportagem sobre a importância do tema para abrir a discussão sobre os desafios para a formação educacional de surdos. Recebi duas revistas de grande circulação que estampavam páginas e páginas de histórias tristes sobre pessoas surdas e os dissabores da vida de um surdo. Jornais trazem agora uma reportagem por dia. Houve gente ameaçando chorar na internet, porque o ENEM tocou em uma questão doída, familiar. Perceberam, porque nem eu, nem vários colegas, nem D. Maria Inês Fini (criadora do ENEM), nem Deus acabaremos com essa praga?

​O show do Enem

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Seu filho ou filha já sofre com a TPV -- Tensão Pré-Vestibular.

Dirijo-me, primeiro, aos senhores pais. Não é hora de cobrar nada de seus filhos ou filhas. Nos próximos dias, tenham paciência: aquela paciência de Jó mesmo. Seu filho ou filha está sofrendo com a TPV. Não há santo ou reza brava que cure o nervosismo, a ansiedade e o medo, principalmente o medo. Não os procurem, esperem que eles os procurem. Qualquer coisa vira cobrança

Conversem com eles, se eles resolverem sair para “tomar uma com os amigos” – nem pensar. Ansioso nunca toma “uma”, a não ser “uma caixa de cerveja”. Não é agora. Amnésia pós-alcoólica, a ressaca são um porre para quem precisa pensar: um ano de trabalho e investimento não podem ser comprometidos por causa de uma bobagem. Não permita que tomem remédio, a não ser com receita médica. Ritalina ou Conserta, nem pensar. Nenhum remédio para “turbinar” o raciocínio. Calmantes não devem ser consumidos, eles reduzem a capacidade de raciocinar. Automedicação é a pior coisa que se pode fazer agora. Médico existe.

Agora me dirijo aos alunos. Chegou a hora de parar. Para aguentar cinco horas e meia de prova, é necessário descanso. O cansaço do corpo é recuperável em até uma noite de sono; a mente, não. Ela precisa de mais tempo. Não adianta chegar à prova, sem lembrar o próprio nome. Essa “mania” de andar com o coração na boca é culpa do cansaço.

A prova do Enem é, como em todo vestibular, um jogo de estratégia. Por exemplo, comece pela redação, você precisa estar descansado (a) para redigi-la e ela vale muito: 20% do total; um zero arruína tudo. Questões da prova de humanas e a coletânea podem ajudar quem não sabe nada sobre o tema. Nunca comece os testes pela matéria que mais sabe. Por quê? Porque ela pode vir com as questões mais difíceis e o seu lado psicológico “vai para o espaço”. Não “chute” nenhuma questão sem ler. Você pode chutar algo absurdo numa questão fácil. Muitas delas são resolvidas por eliminação. Não se esqueça de que há a TRI (Teoria da resposta ao item), que pode "quebrar as suas pernas”.

Não adianta fazer um punhado de redações agora. Além do cansaço, você exercitará erros, não os corrigirá. “Aulas dicas” mais estressam do que ajudam. Valorize agora os exercícios de relaxamento, meditação, a yoga, a acupuntura, a caminhada no shopping para desestressar e encontrar pessoas. Vá ao cinema, abrace e beije muito. Vestibulando “mal amado” é um desastre. Você não tem paciência para isso? É exatamente por isso que precisa fazer. Quem desestressa, dorme. O sono ensina. Cuidado com o excesso de dicas, isso mais confunde do que ajuda. Não vou desejar boa sorte, porque, quem é competente, não precisa de sorte.

​Excesso de dicas para o ENEM prejudica

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O ENEM virou uma luta de MMA. Para vencer, os alunos estão batendo cabeça. Muitos parecem um caminhão desgovernado, morro abaixo. Há uma enxurrada de informações. Só na quarta-feira (25/10/17) recebi um clipping da minha assessoria de imprensa com 44 dicas de diversas publicações que tentavam acertar o tema da redação, algumas delas esdrúxulas...

Como, além de professor, sou mantenedor de escola, consultor e orientador pedagógico, recebo o tempo todo, na minha sala, alunos à beira de um ataque de nervos. Agora passei a receber pais que não sabem o que fazer para aliviar o estresse do pimpolho. As minhas aulas se tornaram uma espécie de terapia de grupo.

O estresse é fruto de um acúmulo de vários fatores: excesso de aulas; não dormir (tomam café o dia inteiro para ficarem “acordados”, confundindo ficar acordado com tempo para estudar). Afinal a cafeína é um poderoso excitante, ninguém dorme, tomando excitante o dia inteiro; falta de atividades físicas; excesso de dicas; excesso de vestibulares (só nessas duas semanas, houve mais de dez, há os que já fizeram quase todos e não se deram bem, o psicológico foi para o espaço); promessas de “milagres”; acreditar que “sua vida” se resolverá em uma semana; medo de fazer cursinho no próximo ano; medo da prova; auto cobrança...

Lancei um e-book com orientações de especialistas: neurologista, nutrólogo; psicólogo; orientador físico; terapeutas de várias áreas para ajudá-los em uma área crucial: o bem-estar. Está disponibilizado nas páginas do Facebook das unidades do curso Criar Franca e do Criar Ribeirão Preto ou no site www.cursocriar.com.

Desde o momento em que lancei o texto dizendo que não tenho a pretensão de “acertar” o tema da redação do ENEM, curiosamente choveram perguntas sobre o que acho que vai cair, então fiz uma compilação dos temas mais discutidos pelos veículos de comunicação deste ano, só não esqueçam de que a banca examinadora mudou e o ENEM pode surpreender, como outros vestibulares vêm fazendo para evitar os “modelos” pré-fabricados de redação, portanto não se fiem nos “adivinhos”.

Vamos optar pela lógica do ENEM:

Como o ENEM gosta de se apropriar de todo tema em que há uma lei em discussão, a mobilidade urbana e a acessibilidade estão na pauta, como estão os estatutos da família, de proteção aos deficientes, aos idosos, à demarcação das terras indígenas.

Como o ENEM gosta das questões mais abrangentes: apropriação cultural, chegada de refugiados de países latino americanos ao Brasil; os problemas ambientais com o lixo e a água, o consumismo destruindo o meio ambiente; a cultura do ódio nas redes sociais; conflitos no campo entre índios e posseiros e grileiros, o culto desmedido à imagem podem aparecer.

Como o ENEM está sempre atrasado, as últimas três provas trouxeram temas sobre a intolerância: violência urbana; a riqueza de uns significa a miséria de muitos podem estar.

O último dos absurdos: o “Movimento ESCOLA SEM PARTIDO” entrou com um pedido na justiça para que as intervenções sociais possam ferir os direitos humanos. Isso evitaria que os alunos, ideologicamente alinhados com a esquerda, entrassem nas universidades. Depois disso, tudo pode acontecer, até mesmo eu “acertar o tema”.

Liguei o chutômetro

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Não tem jeito. Chegando a prova do ENEM, todo mundo, até a minha avó, “do outro lado do mistério”, resolveu dar pitacos nos temas que podem cair na prova. Cair, literalmente, porque a quantidade de “zeros” é brutal. O prestador conhece as regras do jogo, há anos.Para quem, ao longo de sua ainda imberbe vida, não apostou na construção de um bom repertório cultural (expressão da moda), agora está à beira de um ataque de nervos. Os critérios, que mais eliminam candidatos, são “a fuga ao tema proposto” e a “falta de uma intervenção social convincente, que não fira os direitos humanos”. Vamos lá:

Todos os temas trazem palavras-chave. Se a tese não as trouxer, ocorrerá a fuga. Abaixo sublinhei essas palavras chaves nos cinco últimos exames:

2012: Imigração para o Brasil no século XXI.

2013: Os Efeitos da Lei Seca

2014: Publicidade Infantil em questão no Brasil.

2015: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira.

2016: Caminhos para Combater a Intolerância Religiosa no Brasil.

Ferir os direitos humanos é uma regra muito complicada, por isso a cartilha (disponível no site do Inep) lista crime em exames anteriores. Um exemplo: Para acabar com a fome, o melhor é matar todo mundo que está com fome.

Não adianta agora fazer um “caminhão” de redações, se você não as corrigir com um professor especializado e receber as orientações necessárias, para não “cair nos braços” do jeito ENEM de “estuprar” o candidato. Parodiando Gabriel Garcia Marques, podemos chamar de “A crônica do estupro anunciado”. Por quê? Porque, como bons brasileiros que são,alunos acreditam em sorte: Na hora, “eu se viro”. Por que, como brasileiro que é, o professor jura que adivinhará o tema. Dá uns 40 temas na semana da prova e grita a plenos pulmões: “Viu? Eu não disse que ia cair?”.

Como bons brasileiros, que são, muito candidatos deixaram para a última hora, esperando um milagrezinho. Quando percebem que não há milagre, alguém lhes oferece um: plagiar outras redações que já caíram: a famosa Redação Frankenstein ou optar pela “forma de bolo”: a famosa Redação Padaria. É ético fazer isso? Nem um pouco. Mas, estamos no Brasil e, se até as autoridades, responsáveis por coibir a corrupção, são corruptas, ser loirinho e disputar a vaga pelo sistema de cotas para negros ou “copiar” redações já prontas, é apenas corrupçãozinha, um pecadilho.Afinal vestibular é competição e, em competição, vale tudo. Ademais, ninguém é de ferro.

Como dirão que estou enrolando, vamos a banca examinadora mudou, para manter tudo igual. Os últimos dois temas foram sobre violência contra alguém, portanto os “massacres contra os índios” e a “violência urbana” podem aparecer. Os últimos cinco temas trouxeram questões que envolvem leis, portanto “as questões que envolvem deficientes físicos e idosos” podem aparecer. Como o ENEM está atrasado em relação aos outros vestibulares, “A constituição da família nova brasileira”, “A corrupção”, “O trabalho escravo”, “A crise dos refugiados” podem cair.

Provavelmente não acertarei o tema, mas você, caro vestibulando, não pode dizer que não me orientei pela lógica. Ah! Se o Exame Nacional do Ensino Médio fosse orientado pela lógica! Se fosse, não existiria. Pelo menos, dentro desse modelo, não.

​A grande estratégia para fazer a prova do ENEM

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​Criar a própria estratégia ou não ter estratégia nenhuma​.

Se o aluno for seguir todas as estratégias que lhe forem aconselhadas nos últimos dias, enlouquecerá. Cada professor, cada cursinho, cada publicação traz uma estratégia diferente. Todo mundo sabe como fazer o “milagre” da multiplicação dos pontos. Depois de ler “um caminhão” delas, cheguei à conclusão de que todas parecem livros de autoajuda. Não conhecemos individualmente cada aluno, suas necessidades, seus desejos, seu preparo físico. Jogamos todos na vala comum.

Depois de uma aula na minha escola, uma aluna me fez repensar os meus conceitos: ela preferiu a academia a assistir a uma palestra sobre temas atuais. No momento, pensei: como ela pode fazer isso às vésperas do vestibular? Depois percebi que ela tinha total razão. O corpo é dela, ela é que deve decidir sobre o que é mais importante para ela, não para mim. Alguém poderia dizer: “em plena semana do saco cheio, sua escola oferece palestras sobre atualidades”. Sim, oferece, porém não obrigo ninguém a ir.

–“Comece a prova pela matéria que mais sabe” – esse é o conselho comum. Mas, e se a matéria que o aluno mais sabe trouxer as questões mais difíceis? Já imaginaram como o psicológico do “pobre coitado” desabará?

–“Comece a prova pelo início” – outro conselho muito comum. Não é melhor deixá-lo começar por onde quiser? Conheço muita gente que “desce o pau” nos livros de autoajuda, contudo se comporta como autor de um. Nessa época, aluno desesperado segue qualquer um.

–“Comece pela redação” – esse supostamente é o mais lógico. É?! E se, como de praxe, a prova de testes trouxer assuntos que ajudarem o aluno a redigir o texto, quando o “repertório cultural” (cultura geral) for pobre ou ele não souber nada sobre o tema?

Outro conselho: – “Faça o início da redação com essa frase, depois tasque o tema aqui. No segundo parágrafo, escreva essa e tasque essa outra aqui. No terceiro parágrafo, tasque essa conjunção e esse exemplo aqui. Use essa frase como intervenção social. Não há erro. Não mude nada, nada mesmo. Essa é a única fórmula para tirar 1000”. Mas, e se aluno resolver pensar, vai dar um “tilt” na cabeça dele? Vai entrar em parafuso? Coitado!

– “Acorde de manhã, tome um café e depois um comprimidinho de Ritalina (meu amigo tomou e, mentira de todo mundo, não faz mal). Ajuda a turbinar o cérebro. Antes da prova, tome outro. Turbina o cérebro e você vai passar!”. Eh! Talvez da prova para a ambulância e depois da ambulância para o hospital.– “O Conserta não ajuda mais?”. Sem receita médica, o Conserta desconserta mais.

– “Hoje vou dar aula sobre um dos temas que cairá na prova, você não pode perder”. Será? Será que o MEC deu ao professor a prova e não contou para ninguém? 

– “Na aula dica, você vai ganhar uma camiseta, um pirulito e o que vai cair”. “E ainda haverá um show para você descontrair”. Será? Há alunos que saem dali desesperados para estudar algo que o professor jurou que vai cair e ele não sabe. E o cansaço? O aluno se sente obrigado a ir. Dizem que é melhor do que ficar em casa pensando na prova.

– “Refaça as provas de anos anteriores, para que você saiba como é a prova”. Mas, a banca que fará a prova não mudou? O aluno, em um ano, não mudou? Será que ele cronometra o tempo para cada questão em casa? Em casa, não muito diferente da escola?

Então, o que fazer? Sei lá! Não tenho a fórmula mágica para engessar todos os alunos e não tenho a mínima vontade de fazer isso.

Não é melhor conversar com o aluno e saber o que tem a oferecer e o que ele quer fazer? Deixe-o traçar estratégias de acordo com as suas potencialidades.

Esses talvez sejam os grandes problemas: o negócio é usar o aluno como peça de marketing para fazer negócios. Tratar a todos do mesmo jeito. A vaidade do professor de acertar o tema da redação e os temas das questões. E o aluno? O aluno, bem...


​Outubrite

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A outobrite vem aí, previna-se desde já.

Outobrite é medo disfarçado de depressão e ansiedade.

Você está à beira de perder ou conquistar a vaga na universidade.

Vestibular é um jogo de estratégias. Você construiu a sua?

Estresse é salutar? Atletas de alta performance dizem que sim: só batem recordes, quando estão com aquele friozinho na barriga. Traçam uma estratégia durante o treinamento e a executam na hora da prova. Tudo se decide na hora da prova.

Vestibulando é atleta de alta performance intelectual. No entanto, desespero nada tem a ver com estresse. O medo é a causa dele. O desespero é a consequência nefasta dele. Juntos trazem altas doses de adrenalina, nada de dopamina, portanto problemas psicológicos e físicos.

Não dá tempo de fazer atividade física? Então, não há estratégia para driblá-lo. Você virou vítima dele e um “reclamador” 24 horas  por dia. Assistir bem às aulas é muito mais importante que estudar em casa. Uma atividade física ajuda em ambas as situações.

Pense em Darwin: não é o mais forte, nem o mais inteligente, mas sim quem melhor se adapta às regras do jogo, quem vence. Quem criou a estratégia mais eficiente. Quem gerencia melhor o tempo. Qual a sua estratégia para gerenciar o seu tempo? Fazer 50 exercícios de uma única matéria e deixar as outras de lado? Mas, as outras também caem e não há tempo para fazer todas sobre tudo. Tudo o que você não faz, o seu concorrente faz.

Tomar pau: Essa frase faz parte do inconsciente coletivo, advém do período da escravidão. Ninguém quer apanhar no tronco sob o olhar de todos. Essa expressão atormenta. Psicologicamente frágil, você crê que amigos, parentes, família cobram desempenho tempo todo. Em qualquer olhar, atitude, frase, suspiro, identifica a cobrança: tomarei pau. Pior, passa o tempo todo pensando no ano que vem. Quem vive de futuro, não observa o presente. Quem pensa no cursinho do ano que vem, está estudando para o cursinho do ano que vem e não para passar no vestibular.

Outobrite não é uma brincadeira, não é um mero chilique de vestibulando. É sintoma de quem vive de futuro “negro”. Se traça uma estratégia de acordo com suas próprias condições físicas e psicológicas, tem maiores possibilidades de conquistar a sua vaga. Quem “deixa a vida me levar “não tem chance. Quem toma café o dia inteiro para ficar acordado, não dorme. Quem não dorme, fica pensando “besteiras” durante a noite. Quem não dorme, não tem desempenho, portanto “baba” durante a aula, assim nasce o ciclo vicioso: insônia, gastrite, impaciência, olhares perdidos durante as aulas, crises de humor. As consequências são os problemas físicos e a vontade de atirar as apostilas pela janela. Dá arrepios falar em aulas extras.

Outobrite não é frescura de filhinho mimado. É fruto da má preparação, de quem só apostou no conteúdo programático, na sorte. Não teve uma preparação integral. Deixou de ser um ser humano, para se tornar apenas vestibulando: engolidor de aulas e apostilas. Ou não sai de casa, ou chora o tempo todo, ou cai na “balada” ou passa a maior parte do tempo reclamando de tudo. A sensação é a de que o ano está perdido.

Estudar tudo, de todas as matérias? Fazer todos os exercícios? Creia: é impossível. A matéria vai acumular sim. Não há como evitar isso. Mas, ninguém morre por causa disso.

Remédios? Remédio, café, Coca-Cola, guaraná, vale tudo para ficar acordado e estudar. Você está confundindo ficar acordado com tempo para estudar. Uma coisa nada tem a ver com a outra, acredite.

Nada de tomar remédios sem receita médica para “turbinar o raciocínio”. Ritalina? Você enlouqueceu? Sem o devido repertório cultural, o seu cérebro vai turbinar o quê? Não há saídas milagrosas. Estude bem, o que é possível estudar.

Importantíssimo:

Redação

Dê especial atenção a ela. É a única prova eliminatória. A redação decide a vaga na faculdade, mas não é possível ter uma tese ou propor intervenções sociais com meros “achismos”. É também o primeiro critério de desempate. Todos os temas discutem fatos atuais. Você lê jornais, revistas, blogs? Mantém-se informado(a)?

Escreve? Corrige? Escreve? Corrige? Escreve? Corrige? Tenta, usando novas estratégias? Foge dos modelos prontinhos? Tem chance.

A multidisciplinaridade atesta a sua capacidade de ler, entender e analisar textos. Essa é a tendência.  As faculdades não estão interessadas em alunos especialistas e sim nos que trazem consigo cultura geral, tanto que as provas de testes são chamadas de provas de Conhecimentos Gerais.

Não confunda: estuda-se na escola; em casa, revisa-se. Se você está invertendo os papeis, está fazendo tudo errado: virou autodidata. Está perdendo tempo demais tentando aprender sozinho. Esse é o principal motivo do seu medo de tomar pau. Carregar a sensação de não saber nada.

É possível sair dessa roda viva desde que você construa a sua estratégia agora para esse tempo que falta e a coloque em prática.