​Dia 7 de janeiro foi o Dia do Leitor

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Machado de Assis escreveu uma das obras mais emblemáticas da literatura brasileira: Dom Casmurro. As listagens oficiais dos vestibulares têm verdadeira obsessão por ela, no entanto, para o aluno, é uma tortura, falta-lhe vivência, experiência linguística e capacidade de mergulhar no universo do texto, por isso fica na pia rasa do mutismo (entenda-se também como o medo de “pagar mico”) e da criticidade: Capitu traiu ou não Bentinho? Seria essa a tábua rasa usada por Machado para navegar?

Aluísio de Azevedo escreveu O Cortiço para ganhar dinheiro, pagar os estudos, formar-se diplomata e jamais voltar a segurar a pena de escritor. Para atingir o seu intento, escancarou o animalesco do ser humano, abusou da sexualidade desaforada dos personagens. Acabou por redigir um verdadeiro tratado sociológico sobre as transformações por que passava o Brasil do final do século XIX. Sua Teoria do Mal dos Trópicos não escondeu seu preconceito contra a maneira brasileira de ser e viver.

Lima Barreto desancou com o preconceito contra os negros em Clara dos anjos e a pseudointelectualidade rastaquera que habitava esse país em Triste fim de Policarpo Quaresma. De quebra, desnudou a corrupção que nos corrompia há séculos. Policarpo tentou absurdamente emplacar o tupi-guarani como língua nacional, para ser entendido. Ridicularizado, tanto quanto seu criador, continuou incompreendido. Sua história frequentou o celuloide, a tevê e as revistinhas em quadrinhos, mesmo assim conviveu com o anonimato.

Como eles, Monteiro Lobato, Graciliano Ramos e até Guimarães Rosa, com seu linguajar peculiar, foram parar nas minisséries da tevê Globo, filmes da Ancine, revistinhas coloridinhas, resuminhos, listagens de vestibulares conceituadíssimos. Autores moderninhos se deram trabalho de adaptá-los para o português atual à caça de novos leitores. Deu no que deu: em nada. As pessoas não adquiriram o hábito na infância e hoje há coisas mais importantes, como tirar selfies. Para que memória, se inventaram o Google que sabe que quase ninguém leu 1984 de George Orwell e acha que Big Brother não passa de um programa que incentiva a idiotia diária.

Kéfera e Paulo Coelho vendem mais livros que banana em fim de feira. Muito legal. Muito bom. Mas, será que nossa literatura ficará nas mãos deles ou da famigerada autoajuda? Agora temos um tipo de literatura perigosa: jovens imberbes, travestidos de escritores, vão para a internet “soltar o verbo” expondo sua intimidade, o desdém recalcado pelos relacionamentos amorosos em crise, seus ideais guardados a sete chaves e a frustração de talvez nunca realizá-los. Convidam os “frustrados por estarem excluídos de padrões estéticos ou comportamentais” (todo mundo está, o capitalismo é camaleônico, joga com padrões inalcançáveis), para definharem deixando de comer ou radicalizarem, morrerem criando modismos para o velho (poetas do Romantismo no século XIX cansaram de fazer isso). Quem sabe, capturem uma baleia azul ou até virem série da Netiflix.

Ah! Há as fadinhas. E como! Poderíamos falar de um novo gênero literário, o das fadinhas adolescentes. Dá uma grana. Muita gente descobriu. Kéfera descobriu primeiro. Há gente construindo grandes obras? Há. Mas, pouquíssimos os leem. Pense e responda rápido: Você seria capaz de citar cinco grandes autores “atuais”? Quantos leem Cristóvão Tezza, Milton Hatoum, Raduan Nassar, Sérgio Santana? Quem os conhece? Mediei os debates de vários deles na Feira do Livro de Ribeirão Preto com salas semicheias, apenas porque despertaram a curiosidade de alguns. E só.

Os sebos estão ganhando a mesma aura sofisticada da qual agora gozam as lojas de vendas de discos de vinil. Vende-se muito e-book neste país. A Amazon deita e rola: 90% são de autores de lacrimosos best-sellers americanos. Os estúdios americanos também. Ah! Os vendedores de lenço também. Melhor que tudo isso é ler algo imediatíssimo no Watsapp e no Facebook ou futilidades em um portal. Selecionei os cinco assuntos mais lidos no UOL na semana (12/01): 1. Paredão eterno! 7 ex-BBBs que a Globo prefere esquecer; 2. 'Tem que pegar o meu patrimônio. Esquece meus filhos', diz Bolsonaro; 3. Conheça dez famosos da TV brasileira que não se entendem quando estão por trás das câmeras; 4. Atriz Paolla de Oliveira fala sobre assédio e diz que, aos 35 anos, não liga para rótulos; 5. Para fechar grupo, Palmeiras quer emprestar 2 e espera Scarpa e Goulart.

Como estamos no mundo da imagem, dos amigos virtuais que pulam na nossa cara com seus sorrisos engessados na velocidade de um “clic”, ler um livro é “um saco”, não é? Há muito que fazer em pouco tempo na tela de um smartphone. As imagens dadas e não imaginadas carimbam mais fortemente a alma. Tudo pronto, sem forço. Preguiçosamente sem pensar, não precisa interpretar.

Falar em público, sem repertório é uma “praga”. E escrever, então, virou um tormento. A redação é a prova que mais elimina alunos no vestibular. E não é de hoje. Desde 1978, essa “praga” atormenta os candidatos a uma vaga na universidade. Uma doença tão forte que muitos milagreiros criaram remédios mágicos para curá-la. O ENEM não me deixa mentir. Viva o Dia do Leitor.

​Os que criticam os críticos do ENEM

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Caro prestador de ENEM, cansei de voltar ao mesmo tema

Parodiando um grande amigo: Os anos se repetem numa mesmice inquietante. Pior, a viseira, também. Pior ainda, o tapa olho "idem, ibidem, na mesma proporção". Confira as reportagens nos veículos de comunicação sobre os resultados do ENEM por escola.

Os alunos com maiores posses ocupam as melhores escolas que ocupam os primeiros lugares nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio: óbvio. O levantamento socioeconômico confirma esse fato todos os anos. Cansou: passou da hora de acordar.

O agora maior vestibular do país é uma grande e sórdida enganação: óbvio. Se assim não fosse, não haveria razão para escrever um artigo como este todos os anos. Provoca estresse, esperança (?), mas não indignação, por incrível que pareça. O Brasil ainda acredita na história do bilhete premiado. É tudo ficará pior ainda, se é que há jeito, com a "disforma educacional".

1. Grande quantidade de alunos que precisavam da isenção das taxas de inscrição, não conseguiu. O sistema "caía" na hora "H": óbvio. O governo "gasta" muito dinheiro com essa prova, diz o ministro. Os apaniguados ganham também? 

2. Em todos os anos, há escândalo. Em 2016, houve dois ENEM: uma prova muito fácil; outra bem difícil. Todo mundo fez e se calou. Ninguém faz nada. Ninguém exige transparência. A segunda prova não poderia existir: é um exame nacional.

3. O que é mais engraçado em tudo isso: os cursinhos não se entendem sobre o gabarito das provas. Que prova bem elaborada, não? E os alunos, coitados, como ficam? 

4. Alunos ricos e alunos pobres não têm as mesmas chances, tanto é verdade, que o índice de abstenção só faz crescer entre os de escolas públicas: óbvio. Como publicado, entre as 10 escolas, que conseguiram melhor desempenho, não há escolas públicas.

5. Tudo mudou, para ficar exatamente igual, como sempre neste Brasil varonil. A professora Maria Inês Fini (mãe do ENEM) rugiu, rugiu e ruiu. Pariu um traque. As provas mantêm os mesmos 90 testes que devem ser resolvidos em 4:30h. O primeiro dia ainda possui uma 1h a mais, mas é "o fim da picada" esperar que alguém escreva sobre um tema como o que foi oferecido pela banca neste exíguo tempo a mais.

6. O tema sobre a "surdez" vinculada "à educação" foi muito bem escolhido, porque abriu uma discussão pertinente, porém poucas vezes vi uma proposta tão mal elaborada. Quais seriam as "intervenções sociais", além das óbvias que a coletânea trazia?Tentando "pegar os modelos de redação", como disse a mãe, a prova continua estimulando a construção de "modelos". O MEC "pegou a si mesmo".

7. Pior, o ENEM manteve o mesmo sistema de incentivo ao "decoreba", ao candidato "robotizado". Isso é incentivar o "ensino criativo?". Desincentiva um jovem a elaborar uma redação "Frankentein"? 

8. Muitas escolas continuam aplicando o velho golpe, usam CNPJ diferentes com o mesmo endereço. A jogada é óbvia, robotizar turmas específicas para alcançarem as melhores notas. Os pais, até hoje, creem que as melhores escolas são as que têm o melhor desempenho na prova. Pior, os alunos também.

9. Desgraça das desgraças: o ensino brasileiro "enenzou", desde o quinto ano as escolas já preparam rebentos para PAPAREM o ENEM. Quer mais? Sinto muito, não cabe aqui.

Será que Chateaubriand tinha razão, quando batia no peito e berrava: "Esse é um país de botocudos"?

​Rombo

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Suor na cara. Música na cabeça. Bate. Bate. Música batida de coração. O ciúme calça luvas. O ciúme esfrega as mãos. Mãos de moedor. Homem puro. Puro músculo. Outro homem. Trator. Roer as unhas. Saia curta. Umbigo por onde se nasce. Umbigo por onde se morre. Mulher umbigo. Mulher pernas. Mulher de batom. Mulher sem perdão. Mulher talher. Talher onde se come de tudo. Comida pra um. Usada por dois. Banquete pra todos

Ciúme. Corpo contra corpo. Corpo empurra corpo. Um corpo agarra o outro. Garras. Rapina. Um rasga a pele do outro. Até. Até não mais poder. Raiva. Ódio. Guerra. Vozes toscas. Grito. Berros. Grunhidos. Perdigoto. Tapa. Murro. Cara amassada. Clinch. Separação. Momento. Dentes quebrados. Rua ringue. Corpos esfarrapados. Briga. Corpos chiclete. Pancada. Porrada. Na cara. No peito. Porrada. Baba. Cachorro louco. Sangue. O soco esmaga a língua. O dente de cima esmaga o chiclete contra os dentes debaixo. Raiva. Soco no ar. Tapa na boca. Chute no saco. Bêbados. Clinch. Porrada. Mais porrada. Vida ringue. Sangue. Pontapé. Dança das vísceras. O pé do nocaute. A carne dança. Que nem maré.

O tiro. A bala. A baba. Carne moída. Rompida. Osso rompido. Dilacerado. Porta da mente. Fechada. Trancada. O coração bate. Bate fraco. A mente às vezes mente. Mundo cão. Cão louco. Cachorro vira-latas. O cano cospe a morte. Morte apontada. Ponto de lápis. Risca a vida. Balada. Dança da vida. A vida dança. Bala perdida abala a vida. Morte. Sorte bandida. Ser humano. Desumano. Inumano. Rua morta. Silêncio cortado. Abalado. Grito abafado. Olho estatelado. Preso no nada. Nenhuma possibilidade. Respiração cortada. Coração parado. Cérebro destroçado. Gosma. Sarjeta estrada. Morte. Come via. É estrada. Trilho. Trem

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Sujeito indeterminado. Coração sem sujeito. Substantivo concreto. Adjetivo agora abstrato. Nada tem sentido. Nada faz sentido. Bala anônima. Endereço certo. Morte agora com cara. Endereço. Carteira assinada. Cara carimbada. Cara identificada. É estatística. Agora o Alguém virou ninguém. Comida de minhoca. Por quê? Estava onde. Onde não devia. Espera-o silêncio. A cova. Sulco na terra. Raízes. O corpo atônito passa sete palmos da superfície do chão. A morte voçoroca. Não... Choro. Não... Grito abafado. Não. A morte tem cara. Cara pendurada na parede. O filho, a mãe, o amigo, o pai, toda gente vai ver. Morte tem retrato. Pintado. Fotografado. No obituário. Até o prego ceder. Terá futuro amarelecido. Até cair no chão. Futuro. De um jeito ou de outro. Chão. 

​Não carregue lixo

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Uma das minhas alunas estava em prantos, porque não passou para a segunda fase do vestibular.

Cheguei perto e perguntei: O que aconteceu? Ela me encarou e me perguntou: E agora, o que eu faço?

Devolvi a pergunta: Quantos vestibulares você ainda fará?

Resposta: Mais três.

Disse-lhe: Então não carregue lixo. O que passou, morreu. O que passou, não pode atrapalhar o que vem.

Ela sorriu espantada: nunca ouvi isso, falado desse jeito.

Continuei: Então, ouça de novo. Não carregue lixo. Se fez algo, não há como consertar. O que fará sim, essa é a parte importante.

Continuou: Sabe! Eu me pressionei demais. Muita coisa me atrapalhou também: meu cachorrinho morreu, o pessoal ficava me chamando para a balada. Não tive tempo para nada, nem ir à aula eu conseguia. Quando ia, não conseguia ficar. Sei que o senhor vai achar que são desculpas. Desculpe, mas não é.

Para quem ela pedia desculpas? Para mim? Para ela mesma? Para o tempo que acredita perdido? Como diria meu grande amigo Neto: “arrependimento custa caro para o bolso e para a alma”.A pior expressão que existe é: desculpe-me. Por quê? Porque vem posterior ao fato. Ninguém desculpa ninguém, apenas pro forme. Na verdade, remoerá o fato, tanto, tanto, tanto, que um dia jogará na cara do outro o lixo que remoeu. Carregar lixo é comprometer o futuro, por causa do passado. E o passado dói, se você, impaciente leitor, permitir.

Assim ocorre com o vestibular, assim ocorre com a vida. Minha aluna passou um ano mergulhada nas próprias fantasias, esquivando-se de uma responsabilidade, que a atingiria, com dia e hora marcadas. Na verdade, eu deveria ter estudado, mas, mesmo não estudando, eu tinha esperança. “Quem sabe / faz a hora / não espera acontecer”. Parodiando: Quem não sabe / não escolhe a hora / se será atropelado pelo que acontecer.

Desculpe-me, professor. Pensei: Passará o ano inteiro no cursinho, arrependida do que não fez. Custará caro para a mente, o corpo, o bolso e a alma. O problema são as desculpas que arrumará para si mesma. Pior ainda, procurará passar em uma faculdade qualquer e resolver se matricular. O arrependimento e as desculpas virão depois da formatura. Como uma desculpa que puxa a outra, uma mentira que puxa a outra, o lixo puxa o outro.

Mudando drasticamente de assunto, num belo dia, você acorda e sai de casa, chega ao trabalho, um amigo vem e lhe diz que não só falaram, escreveram muitas coisas sobre você. Construíram propositalmente uma imagem devastadora de você, manipularam seus supostos amigos contra você, ofenderam-no, desrespeitaram-no, tentaram manchar sua honra e sua história, ou seja, tentaram recolher o próprio lixo e o jogaram em cima de você.

Alguns dos envolvidos, um dia, serão atropelados pela verdade. Diante dela, pedirão desculpas. No raso, você desculpará, mas no fundo, no fundo o fará? Ou pensará: Quem me traiu uma vez, trairá de novo. Quem disse que era meu amigo, não é. Quem me desrespeitou, desrespeitará novamente. Quem tentou macular a minha história, tentará de novo. Isto é, mesmo com um sorriso esquivo, carregará o lixo que lhe jogaram em cima.

No nosso dia a dia, os invejosos, os medrosos, os desonrados carregam seu lixo emocional na língua posando de vítimas. Não têm a lucidez de uma jovem vestibulanda. Não se engane, atento leitor. O dono do lixo, que tenta atingi-lo, tem nome, sobrenome, endereço, carteira de identidade e profissão. Lixo, de tanto se remoer, solta chorume. Lixo fede e chorume contamina. Coitado de quem o armazena. 

​A Fuvest vem aí. E se você não estivesse nem aí?

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A Fuvest é concorrida? É. Há as “feras”? Há claro. Você está com um friozinho na barriga? Que bom! Você acabou de descobrir que é um ser humano. Todo mundo disse que não seria fácil, no entanto algumas pessoas tornam tudo mais difícil. Por quê? Porque acreditam que somente aulas e apostilas passam alunos no vestibular. Por isso, o cansaço físico, que gera o cansaço mental, que gera a ansiedade, que gera o nervosismo.

Tenho visto alunos que entraram para fazer as provas relaxados, logicamente passaram, não queriam cursar aquela faculdade. Tenho visto ótimos alunos que não passaram ainda em uma determinada faculdade, “travaram” na hora da prova, lógico, aquele era o sonho de consumo. Muitos passam mal, assim que abrem a prova, pulam questões, quando vão marcar o gabarito.

A Fuvest uma prova que mete medo muito mais pela “mística” crida em torno dela, do que pela complexidade das questões.

As obras da listagem oficial são exploradas? Sim, e de diversas formas: analogias entre as características das personagens, fatos, clímax etc.

São comuns textos de críticos literários que colocam em cheque algum aspecto importante da obra. São constantes as relações entre as obras e outras disciplinas, como história, filosofia, sociologia, geopolítica, panorama histórico e cultural. Geralmente não é cobrada a leitura da obra, mas sim a capacidade de o aluno reconhecer aspectos gerais de cada uma. Por exemplo, a postura de determinadas mulheres se revela muito próxima: Ondina (Mayombe), Rita Baiana, Leonie e Pombinha (Cortiço) têm postura libertária; ao contrário delas, Iracema, mostra-se submissa. Xenofobia contra os portugueses é clara em Mayombe e Cortiço.

Há, pelo menos, dois textos longos, portanto o seu maior inimigo é o tempo. A gramática aparece, porém a maioria das questões pode ser respondida, a partir da leitura dos textos. As afirmativas categóricas “somente”, “nunca”, “jamais” servem para as “pegadinhas”. Quase sempre estão na opção errada.

Na Fuvest 99% dos alunos estão cansados, nervosos, com medo, um com medo do outro. O mesmo medo que você tem do concorrente, ele tem de você. Pesa mais lado psicológico. Pode ser baboseira, não é? Então largue o seu umbigo e olhe para o lado. Você pode ser o melhor do mundo, sem confiança, torna-se o pior. Observe: aquele sujeito “nem aí”, que você jamais apostaria nele, passa.

Prof. Luiz Cláudio Jubilato.

É consultor pedagógico e diretor do Criar Redação.

​Unicamp sem medo

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Prova  de conhecimentos gerais provocativa.

  • Humanas: 13 questões de língua portuguesa e literatura; 12 interdisciplinares; 9 de história e 9 de geografia.
  • Você saber ler? Tem bom vocabulário? É isso que a prova quer explorar.
  • Você construiu um bom repertório cultural? Está atualizado? Então, uma prova com quatro alternativas, baseada em análise de textos, não trará problema, para quem precisa responder 90 questões em 5 horas.
  • Na verdade, você tem 4h30. Os outros 30 minutos devem ser usados para marcar as alternativas no gabarito. Não marque na medida em que mata a questão, porque gabarito não aceita desatenção e arrependimento.
  • A prova não é confeccionada para alunos especialistas, mas para os que apresentam regularidade em todas as áreas.
  • As alternativas devem ser lidas antes do texto, para que elas direcionem a sua leitura. A resposta está no texto. Releia o verso ou parágrafo, porque a resposta está ali. Os que não têm o hábito de ler poesias são os que mais precisam usar esse método.
  • Essa história de compensar pode não dar certo. Funciona como aquela velha situação de andar devagar por causa do trânsito engarrafado e depois correr para tirar a diferença, quando ele alivia. A ansiedade leva a uma trombada.
  • Oralidade x norma culta: são as questões mais constantes. Tome cuidado com a relação entre como falamos e como escrevemos. Movimentos populares, como o funk, fogem da norma culta.
  • Os gêneros textuais são mais explorados na prova de redação, mas vez ou outra aparecem na prova de testes.
  • Livros: os examinadores exploram pouco as escolas literárias; exploram poucos aspectos específicos das obras, pois são muitas, no entanto são constantes as analogias entre elas são constantes; exploram muito os poemas em verso (principalmente) e em prosa.
  • As obras literárias são exploradas em outras disciplinas, como história, atualidades, filosofia e sociologia. Por exemplo, a questão da “negritude” pode ser bastante explorada.
  • As obras Os Sermões do padre Antônio Vieira e o Espelho, de Machado de Assis, tendem a ser mais exploradas, porque entraram na listagem atual.
Não descarto alguns temas, como a questão da “escravidão” e da “decadência da aristocracia”, porque obras como O Cortiço, O espelho, Negrinha e Poemas Negros, tratam desse tema. Outro é o papel da mulher na sociedade: Rita Baiana, Leónie e Pombinha, em O Cortiço. A xenofobia e o racismo também: O Cortiço e Terra Sonâmbula (Albino – Cortiço); Vera (Caminhos Cruzados); exclusão social (Cortiço – Caminhos Cruzados)

​“Abobrinhas na internet”

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Muita baboseira, muito marketing e desrespeito ao ser humano

O que as pessoas não fazem para aparecer

O que é um aluno? Um ser humano ou uma excelente peça de marketing? Veja, não perguntei quem é o aluno, mas o sim o que é o aluno (coisificação). Aulões, revisões, aulas dicas entupiram os jovens desesperados de informações às portas da boca do “bicho papão”. Canais do Youtube, instagram, redes de televisão não deixaram por menos. Pior, as dicas não batiam, ao contrário, trombavam umas com as outras, como trombam agora os gabaritos de diversos cursinhos, ou seja, marketing de um lado; bagunça oficial de outro.

O Exame Nacional do Ensino Médio fez com que o ensino virasse uma grande “piração” mercadológica. Aluno de baixa renda só é convidado para o show, caso dê retorno de mídia. 1/3 dos alunos desistiu de prestar a prova (o maior número da história). Consulte o cadastro socioeconômico e receberá na cara a resposta óbvia: aumento da exclusão social. Uma pessoa de classe baixa (para ser politicamente correto) não tem condições de competir com um estudante da elite.  A escola pública ficou relegada ao segundo plano.

Alertei para o excesso de informações que mais prejudicava do que ajudava.  A desculpa para “loucura toda” foi dar segurança ao aluno. É isso? Então, “tá bom”. Todo o processo educacional desceu “ralo abaixo”. Essa segurança deveria ser um processo planejado desde que o pimpolho pisou no maternal. Se isso for por demais utópico, então deveria ter sido iniciado no princípio do ano, para evitar a tal da insegurança.

O MEC, para fugir dos famosos “modelitos” de redação, denunciados pelo Guia do Estudante, trouxe um tema esdrúxulo: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. As palavras DESAFIOS e SURDOS eram chaves para desenvolver o tema, mas a coletânea engessava o aluno. O MEC deu um “tiro no pé”. Impediu também o aluno de “pensar” fora do recorte temático. Como sempre, no Brasil, tudo muda para ficar igual.

Por que tanta insegurança? Por que tanto o “piti”? Porque o MEC incentivou, avisou que mudaria muita coisa, mas só mudou quem fez a prova e quem a corrigirá.

Agora aparecem pessoas e mais pessoas afirmando que acertaram o tema que ninguém, de verdade, acertou. Novo show. Sortilégio? Mentira deslavada? Pregação? As cifras que movem a marca ENEM são gigantescas. Vale mentir, espernear. É o vale tudo. Tudo mesmo, até manter a câmera ligada esperando um atrasado para expô-lo em horário pobre.

Quem quer destruir o modelo atual, como eu quero, desista. Não é uma afirmação absurda, nem quero posar de Dom Quixote. Quero destruir o modelo, porque, para mim, ele não incentiva ninguém a estudar, mas sim a adestrar. O “ensino (?)” enenzou, até mesmo nas universidades públicas e agora também nas particulares. A UNESP adora o jeito ENEM de ser. Não à toa, foi convidada a formular o exame. Crianças já falam em ENEM, escolas já são moldadas em função dele. Com a “reforma educacional” (rsrs), tudo ainda piorará.

Fiz duas enquetes na internet, para escrever esse artigo. Primeira: 90% das pessoas concordaram que um aluno de escola pública não trazia o devido repertório cultural para escrever “bem” sobre o tema. A segunda: a “intervenção social”. Não havia como fugir àquela proposta pela coletânea. Agora apareceram os “entendidos” afirmando que o aluno não poderia escrever sobre “deficiência auditiva” e surdez como expressões sinônimas. Quem fizesse isso, tiraria zero. Às duas horas da manhã, recebi uma mensagem desesperada me perguntando se isso era verdade. Ao meio dia, outra trazia o protesto: tema para especialistas.

Nesse exato momento, assisto no JH a uma reportagem sobre a importância do tema para abrir a discussão sobre os desafios para a formação educacional de surdos. Recebi duas revistas de grande circulação que estampavam páginas e páginas de histórias tristes sobre pessoas surdas e os dissabores da vida de um surdo. Jornais trazem agora uma reportagem por dia. Houve gente ameaçando chorar na internet, porque o ENEM tocou em uma questão doída, familiar. Perceberam, porque nem eu, nem vários colegas, nem D. Maria Inês Fini (criadora do ENEM), nem Deus acabaremos com essa praga?

​O show do Enem

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Seu filho ou filha já sofre com a TPV -- Tensão Pré-Vestibular.

Dirijo-me, primeiro, aos senhores pais. Não é hora de cobrar nada de seus filhos ou filhas. Nos próximos dias, tenham paciência: aquela paciência de Jó mesmo. Seu filho ou filha está sofrendo com a TPV. Não há santo ou reza brava que cure o nervosismo, a ansiedade e o medo, principalmente o medo. Não os procurem, esperem que eles os procurem. Qualquer coisa vira cobrança

Conversem com eles, se eles resolverem sair para “tomar uma com os amigos” – nem pensar. Ansioso nunca toma “uma”, a não ser “uma caixa de cerveja”. Não é agora. Amnésia pós-alcoólica, a ressaca são um porre para quem precisa pensar: um ano de trabalho e investimento não podem ser comprometidos por causa de uma bobagem. Não permita que tomem remédio, a não ser com receita médica. Ritalina ou Conserta, nem pensar. Nenhum remédio para “turbinar” o raciocínio. Calmantes não devem ser consumidos, eles reduzem a capacidade de raciocinar. Automedicação é a pior coisa que se pode fazer agora. Médico existe.

Agora me dirijo aos alunos. Chegou a hora de parar. Para aguentar cinco horas e meia de prova, é necessário descanso. O cansaço do corpo é recuperável em até uma noite de sono; a mente, não. Ela precisa de mais tempo. Não adianta chegar à prova, sem lembrar o próprio nome. Essa “mania” de andar com o coração na boca é culpa do cansaço.

A prova do Enem é, como em todo vestibular, um jogo de estratégia. Por exemplo, comece pela redação, você precisa estar descansado (a) para redigi-la e ela vale muito: 20% do total; um zero arruína tudo. Questões da prova de humanas e a coletânea podem ajudar quem não sabe nada sobre o tema. Nunca comece os testes pela matéria que mais sabe. Por quê? Porque ela pode vir com as questões mais difíceis e o seu lado psicológico “vai para o espaço”. Não “chute” nenhuma questão sem ler. Você pode chutar algo absurdo numa questão fácil. Muitas delas são resolvidas por eliminação. Não se esqueça de que há a TRI (Teoria da resposta ao item), que pode "quebrar as suas pernas”.

Não adianta fazer um punhado de redações agora. Além do cansaço, você exercitará erros, não os corrigirá. “Aulas dicas” mais estressam do que ajudam. Valorize agora os exercícios de relaxamento, meditação, a yoga, a acupuntura, a caminhada no shopping para desestressar e encontrar pessoas. Vá ao cinema, abrace e beije muito. Vestibulando “mal amado” é um desastre. Você não tem paciência para isso? É exatamente por isso que precisa fazer. Quem desestressa, dorme. O sono ensina. Cuidado com o excesso de dicas, isso mais confunde do que ajuda. Não vou desejar boa sorte, porque, quem é competente, não precisa de sorte.