Minha preferida

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Assim como quando fazemos uma lista de compras de supermercado e obviamente temos as nossas marcas de produtos favoritas, acredito que para outras coisas na vida também seja assim. Aquela marca de calça jeans que veste melhor, aquele medicamento que temos que tomar todo dia, o shampoo que deixa o cabelo mais brilhante e porque não aquela marca de perfumes que dificilmente lança algo novo que não nos agrade.

Assim aconteceu comigo e a Chanel, um amor à primeira vista! Claro, eu não usaria um Chanel nº5, mas isso não quer dizer que não goste e admire a história e a complexidade que envolve cada parte da produção da fragrância mais icônica do mundo! Mas meu primeiro amor com a marca, foi um perfume que se chama Chance, na tradução ‘chance’, e eu realmente dei uma grande chance a ele e não me arrependi. Antigamente era assim que comprávamos perfumes, pedíamos a algum amigo ou parente que ia viajar para nos trazer uma fragrância. Era inviável comprá-las no Brasil por conta dos preços exorbitantes. E com o Chance não foi diferente, meu pai foi a trabalho para os EUA e não encontrou o perfume que eu amava na época, e assim trouxe ele. E nosso romance começou ali! Depois descobri seus dois outros irmãos: o Fraiche e Tendre.

E a marca acabou de lançar 3 novas fragrâncias, as quais já estou maluca para conhecer. Um trio de colônias frescas e cítricas que se dizem perfeita para o verão. Ganharam o nome de Les Eaux de Chanel, são uma homenagem às 3 cidades que mais marcaram a vida da fundadora da marca, Gabrielle: Biarritz, Deauville e Veneza.

Biarritz é uma cidade localizada no sudoeste da França, tem um estilo praiano bem esportivo, e por esse motivo inspirou a mias fresca das ‘águas de Chanel’ Ela se chama Paris-Biarritz trazendo uma mistura de tornja, íris, gerânio e almíscar. Uma fragrância misteriosa e fresca.

Deauville é uma cidade da Normandia, onde nasceu a primeira boutique de Gabrielle, que foi inaugurada em 1913. Uma cidade meio litorânea e meio campestre. A fragrância se chama Paris-Deauville, e é de certa forma transitória em suas notas, trazendo tanto notas frescas como terrosas, causando essa mistura perfeita entre campo e mar. Notas de frutas cítricas, manjericão, flores como jasmim e rosa e um pouco de patchouli.

Já Veneza, é a única das 3 que saiu da França e foi aterrissar na Itália. A cidade marcou a vida de Gabrielle porque foi para onde ela viajou para se recuperar do luto da perda do namorado Boy Capel, que morreu em um trágico acidente de carro em 1919. Paris-Venise, tem a influência oriental de Veneza, sendo considerada a mais envolvente entre esses lançamentos, com notas que remetem a talco, como o cumaru e baunilha, além de âmbar, frutas vermelhas e neroli.

Um trio para deixar qualquer um confuso na hora de escolher qual usar e que com certeza vai deixar os amantes de Chanel, assim como eu, malucos! Bem vindo verão, bem vindas Águas de Chanel.


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

O lugar bom

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Tento sempre ter um olhar mais atencioso para o mundo ao meu redor, é legal poder aprender mais, nem se for com a folha que cai, ou o porquê de às vezes a chuva ser tão torrencial, ou as cigarras cantando com tanto fervor nesses últimos tempos. Aprender com quem nos rodeia, com a história das outras pessoas, e até mesmo com os programas de TV. Afinal, não é porque é a sua hora de relaxar que você não pode aprender. Um querido amigo me deu dicas de duas séries muito boas no Netflix (sim, meu novo vício), uma eu acabei bem rápido, a outra ainda estou assistindo com carinho, se chama The Good Place.

Um breve resumo, sem spoilers, é que 4 pessoas morrem e são mandadas para o ‘céu’ e descobrem que realmente existe um Lugar bom e um Lugar ruim. Mas não exatamente como imaginamos bucolicamente. O lugar bom seria realmente um paraíso, onde você encontra a sua alma gêmea e é feliz para todo o sempre. Já o lugar ruim, não é simplesmente um inferno, mas um lugar onde as mais diversas torturas cabulosas que se pode imaginar são realmente praticadas. Essa divisão ocorre pela sua pontuação de bons sentimentos e atitudes na terra, aquelas realmente altruístas, livres do egocentrismo. Como um exemplo, não adianta nada você passar sua vida inteira doando seu tempo e dinheiro para as pessoas, se você faz questão que isso seja noticiado.

Mas uma das coisas que mais me chamou a atenção, é que no Lugar bom existe uma sorveteria só que de frozen iogurte. E os sabores são variados, porém não os comuns, eles são sentimentos. Eu sei, parece confuso, mas imagine que interessante um sabor de como o seu cachorro te olha quando você chega em casa, borboletas no estômago quando você encontra quem você gosta. Aliás, o Lugar ruim também tem gostos de cheiros de sentimentos, mas não exatamente dos melhores. E é quase impossível não ficar pensando que cheiro e sabor teriam esses sentimentos.

Pois não me aguentei, como boa virginiana, em fazer listas mentais de quais sentimentos mais me deixam feliz e eu gostaria que se transformassem em cheiros e sabores. Só sei que essa série te faz acreditar que ter boas atitudes, e ser bom consigo mesmo, faz um bem danado. E, crenças a parte, quem garante que realmente não conta pontos para que depois da morte não nos leve ao Lugar bom!

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Que as crianças cantem livres

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Acredito que passar por uma eleição e aceitar um novo candidato que por muitas vezes não foi a sua escolha, seja como aprender a gostar de um novo perfume. Eu sei que isso talvez seja uma comparação inapropriada, mas talvez delicada o suficiente assim como o momento pelo qual nós estamos passando. Imagine só, em seu aniversário, um dos seus melhores amigos lhe presentear com aquele perfume caríssimo que está super na moda, mas que é extremamente doce e não combina em nada com a sua personalidade. Mas como ele trouxe de outro país e você gosta muita dessa pessoa, você quer agradá-la, e se esforça pra isso.

Penso que talvez seja exatamente isso que falte com a democracia, respeito com a opinião alheia. Não é errado ser oposição, mas é errado sim não aceitar o que foi escolhido por uma votação, e transformar isso em uma guerra. Acredite, a democracia apesar de justa ela nunca vai fazer 100% das pessoas felizes.Comecei a votar desde os meus 16 anos, assim que esse direito foi me dado, mas minha consciência política foi mudando muito com o tempo. Tive o privilégio de crescer em uma família em que se debatia, se explicava e discutia esse assunto sempre! Opiniões não eram minorizadas, e cada argumento sempre foi ouvido como até hoje é. Tive exemplos de avós que liam os jornais todos os dias, e debatiam sobre tudo aquilo entre eles, e conosco. Minha avó sempre contava essa história em que o pai dela ‘obrigava’ os 5 filhos a sempre discutir uma das matérias do jornal na hora do almoço, era a forma que ele achava para que sempre se interessassem a estarem informados. E ela cresceu ensinando isso pra gente, essa herança familiar linda de intelectuais e jornalistas.

Talvez o presidente eleito não tenha sido a minha ou sua escolha, mas com certeza o nosso dever independente disso é aceitar e principalmente fazer a nossa parte para que o impacto disso seja positivo. De certa forma ‘aplaudir’ o que for feito de bom (assim como o fiz em outros governos em que os que estavam no poder não eram os meus candidatos), e reivindicar aquilo que não concordamos. Mas além de ser a eleição com mais polaridade da história do Brasil, com certeza foi a eleição em que com esse acesso tão fácil a opiniões se tornou quase insuportável sobreviver até o final desse segundo turno. Piadinhas e provocações, na minha opinião, são extremamente desnecessárias nesse momento. Que tal tentar mudar o mundo à sua volta? Ensine sua família, amigos e alunos a não serem intolerantes. Ensine como é importante cuidar do meio ambiente. Ensine como a guerra é algo que o nosso país nunca passou, e que não seria legal que acontecesse. Ensine como o trabalho engrandece. Ensine como ler é importante para saber argumentar e viver. Ensine como amar pode ser tão fácil, mais fácil ainda que essas comparações baratas que estão acontecendo. Ensine que todos têm a sua chance de fazer a diferença, e que nunca concordaremos com a opinião dessa diferença 100%.

Li uma coisa ontem que me fez resumir tudo isso: A gente não gosta de todo mundo. A gente não concorda com todo mundo. A gente não é amigo de todo mundo. Mas temos que respeitar todo mundo. Indiretamente, a linda Gisele Bundchen escreveu essa semana: “O futuro é uma tela em branco. Cabe a cada um de nós escrevê-lo e co-criar a realidade na qual queremos viver. O que está acontecendo no mundo hoje é simplesmente um reflexo do que está acontecendo no interior de cada um de nós. Sejamos o exemplo do que queremos ver no mundo, afinal ele mudará quando nós entendermos que a mudança começa primeiro dentro de cada um de nós. Quer respeito? Respeite. Quer amor? Dê amor. Quer honestidade? Seja honesto. Se quisermos um mundo melhor, precisamos primeiro criá-lo dentro de nós mesmos.”

Acredite, tudo que vimos e ouvimos nesses últimos tempos foi ódio e intolerância, até daqueles que estão brigando por ela. Amizades e famílias serem desfeitas por tudo isso. A minha opção política não é aquela que chegou nem sequer ao segundo turno, mas infelizmente, independente das nossas escolhas, temos arcar com o nosso presente. E como estamos vivendo e coexistindo nesse mundo juntos, espero que ao invés de tanta guerra como já foi visto nesses últimos tempos, possamos mostrar com exemplos o que é melhor para todos nós! E quem sabe aprender a usar aquele perfume que achávamos tão ruim.

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Rompendo barreiras

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O mundo está em constante mudança e evolução, evolução essa que se faz necessária em todos os aspectos e áreas das nossas vidas, porém que dificilmente conseguimos acompanhar a sua rapidez, principalmente quando se trata de tecnologia que mudou nosso modo de viver em todos os aspectos. E por mais que pareça que essa tecnologia nos propicia inúmeras escolhas, na verdade ela nos faz ter múltiplas renúncias de grandes e pequenas coisas.

O incrível é pensar em como ela está substituindo o trabalho humano e realmente ajudando a criar novas possibilidades para áreas que, por muitas vezes, já se imaginava ser difícil de inovar. Como o ramo da perfumaria, por exemplo. Foi pensando nisso, que a empresa brasileira O Boticário, uma das maiores redes de cosméticos do mundo, se juntou com a Symrise (uma das maiores casas de fragrâncias do mundo) e a IBM Research para criar as primeiras fragrâncias do mundo desenvolvidas com a ajuda de inteligência artificial. Foi a junção perfeita da ‘antiquada’ alquimia dos perfumes com a mais avançada tecnologia, aquela combinação exata de emoção (o nariz do homem) e automatização (o cérebro do sistema). O briefing para esse projeto era até que bem simples: a criação de um produto para quem gosta de aproveitar a vida ao máximo (focado na geração millennial), que gosta de praticar esportes, não tem medo de correr riscos, e quer ser livre para fazer suas próprias escolhas, e que tivesse a ver com o consumidor brasileiro e sua latinidade.

Assim, a Symrise, usou a Phylira (tecnologia criada pela IBM), um tipo de inteligência artificial que usa algorítimos de aprendizado automático para examinar milhões de fórmulas e ingredientes de forma a identificar padrões e novas combinações. O resultado? Nada menos que duas combinações bem inusitadas, um mix de: flores, frutas, notas doces, especiarias, madeiras e até mesmo pepino. Fórmulas que surpreenderam até mesmo os perfumistas experientes da equipe e que só precisaram de pequenos ajustes para ficar completamente perfeitas.

Esse incrível processo com certeza deve estar chegando ao mundo cosmético para ficar, ele otimiza o tempo de criação que costumava ser de pelo menos 3 anos, permitindo que as equipes de marketing e P&D se dediquem muito mais às combinações finais, concluindo a fragrância em tempo recorde. É a combinação perfeita entre qualidade e consumidores ansiosos por novidades.

Obviamente que essa máquina (ainda) não consegue ter a percepção do olfato, mas ao contrário do cérebro humano ela consegue gravar rapidamente milhões de fórmulas e matérias primas e concomitantemente ajustar tudo isso ao gosto do consumidor. O perfumista então será o ‘controle de qualidade’ nesse caso, e finalizará as criações dando mais personalidade. Estamos começando a viver a era de que os limites da perfumaria estão sendo ultrapassados, a última grande mudança nessa área foi emno final do século 19 com a introdução de matérias primas sintéticas nas paletas dos perfumistas. Essa será a nova fronteira a ser cruzada pelas grandes casas de perfumaria. Preparam-se para um novo mundo de fragrâncias surpreendentes!


*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Sobre perseverar

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Sou uma colecionadora de pensamentos, sim, aquelas frases que antigamente a gente encontrava em alguns livros, revistas e jornais, mas que hoje recheiam as redes sociais. E tenho uma guardada que eu li ontem pela manhã e que acredito muito: “Demonstre carinho, fale o que sente, elogie uma pessoa e faça ela sorrir. Pequenos gestos feitos com amor mudam o dia de alguém e mudam o teu dia também.” E coincidentemente uma pessoa assim cruzou o meu caminho à tarde, com aquele tipo de palavra que te faz sorrir e ter certeza que está caminhando pela rota certa.

E assim aconteceu, num papo sobre trabalho eu escutei que o que mais a admirava é que apesar de vivermos num país que nunca saberemos o dia de amanhã, e que é tão difícil de se arriscar, eu estava fazendo o que eu gostava há longos 7 anos e que falava sobre aquilo com entusiasmo e amor. E acredito que tudo isso se resuma em uma única palavra: perseverança! E como que para pessoas, coisas e sentimentos eu sempre tento pensar que cheiro teria, não foi diferente. Qual seria o cheiro da perseverança? Talvez algo leve e fresco, ou algo calmante e aconchegante, não sei exatamente. Mas acredito que seja uma fragrância que te dê energia o bastante para acreditar naquilo que se vive e no que se quer.

Já percebeu como é bonito quando as marcas colocam em suas logos, por exemplo: desde 1900. Porque, de certa forma, o tempo de existência causa uma sensação de confiança, de qualidade e por que não de perseverança! Sim, as empresas que resistem com a passagem dos anos e as mudanças do mundo são extremamente perseverantes por acreditarem no que produzem ou no serviço que fornecem.

Em meio a tanto caos por conta de opções políticas, que possamos encontrar mais pessoas gentis como a que encontrei que sabem transformar momentos comuns em momentos especiais com simples palavras e formas de enxergar os outros. O famoso ‘olhar demorado’ que anda tão sem valor ultimamente. E que possamos aproveitar esses sentimentos e sensações assim como saboreamos uma comida deliciosa ou sentimos o cheiro de um perfume delicioso.

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Frida Kahlo e seus perfumes

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​Dentre tantos nomes de mulheres que se destacaram nos últimos anos, uma delas que pode ter a sua história até desconhecida por muitos, mas que ao menos ao ver uma imagem ou foto com certeza a reconheça: Frida Kahlo. A mexicana que tem como marca registrada suas sobrancelhas unidas era pintora e uma mulher marcante com fortes convicções políticas. Ela é vista hoje, como a feminista mais importante da história, e uma referência quando o assunto é estilo.

Pois em 2004, foi finalmente aberto o quarto da Casa Azul, onde viveu e morreu no distrito de Coyoacán, próximo à cidade do México. Foram descobertos quase 50 anos de história: 6 mil fotografias, 12 mil documentos e 300 objetos pessoais. Uma riqueza de história que permitiu conhecer muito mais profundamente sobre a sua vida, do que já sabia até hoje. Parte desses objetos voou até Londres, diretamente para o Victoria & Albert Museum, para integrar a exposição “Frida Kahlo: Making Her Self Up”.

Entre tantos achados, o que mais se destacou em itens pessoais foram perfumes e produtos de beleza. Perfumes que podem ser encontrados para venda até hoje, interessante detalhe, pois apesar de irreverente ela preferia os clássicos que não saem de moda. Havia também uma coleção de maquiagens como: batons vermelhos, sombras, lápis para as sobrancelhas entre outros. Uma prova de que a imagem carismática de Frida era estudada e cuidada a cada milímetro.

Foram encontradas 3 fragrâncias em seu quarto. A primeira delas, a primeira criação da Chanel, e o perfume preferido de Marilyn Monroe. Talvez até o perfume mais famoso do mundo: Chanel N°5. O qual já contei sobre sua história por aqui, e que recentemente virou livro.

A segunda foi a água de colônia Jean-Marie Farina da Roger & Gallet, criada em 1806 por Jean Marie Farina, a primeira água de colônia da história. Em 1695, Gian Paolo Feminis criou a Aqua Mirabilis, precursora da Eau de Cologne, nome que Jean Marie deu para para a água com propriedades terapêuticas patenteada na Faculdade de Medicina de Cologne, na Alemanha em 1727. Ela se tornou Eau de Cologne em homenagem à sua cidade natal, em 1806 quando se mudou para Paris, ele abriu sua boutique e criou a primeira Água de colônia da história. Com o costume de assinar todas as suas embalagens para evitar cópias, Farina criou uma ampla gama de produtos de cuidados pessoais e se tornou o perfumista mais famoso da corte europeia. Em 1862, Armand Roger e Charles Gallet criaram a Parfumarie Roger & Gallet e compraram o precioso catálogo da casa “Jean Marie Farina’ que já era internacionalmente conhecido. E assim é a marca que produz esse produto tão importante para a história da perfumaria.

A terceira era Shalimar da Guerlain, um perfume criado em 1921 inspirado na história de amor de quatro séculos atrás entre a princesa Mumtaz Mahal e o imperador Shah Jahan, que ordenou a criação dos jardins mais luxuosos de Shalimar, na Índia, como cenário para o seu amor. Mais tarde, ergueu o Taj Mahal, uma das 7 maravilhas do mundo. E toda essa história inspirou Jacques Guerlain a criar um perfume primorosamente sedutor, sendo a primeira fragrância oriental do mundo. Thierry Wasser, o perfume da casa, anos depois criou uma nova interpretação para esse perfume lendário.

Viu como um perfume pode dizer bem mais sobre uma pessoa do que imaginamos?

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O patinho feio

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agressao​Há alguns dias atrás estava brincando com meu sobrinho e fomos escolher livros para ler, uma das coisas que ele mais gosta de fazer. O escolhido foi o do Patinho Feio, uma historinha pela qual eu tenho um grande amor, pois foi meu primeiro papel principal no ballet com direito a solo no municipal ao som de lago dos cisnes. Assim sentamos pertinho um do outro e comecei a contar aquela tão querida história, e logo no comecinho, na frase em que dizia exatamente com essas palavras que ‘assim que nasceram, o irmão que era diferente foi humilhado’, e na imagem do livro aparecia um patinho cinza no meio de um monte de patinhos amarelos.

Da sabedoria e ingenuidade de uma criança de 3 anos que está cursando o maternal 1, e com a qual eu aprendo todos os dias, eu escutei: “Mas titi, ele não é diferente. Olha, ele só é de outra cor”. Ele tinha razão, a figura mostrava um patinho completamente igual, apenas diferente pela sua cor, e assim ele emendou: “Todo mundo é diferente, não podem brigar com ele”. Nessa hora eu me peguei pensando no que responder e só consegui dizer: “É isso mesmo, Fer!”. E é só nessa história que consigo pensar nessa semana de eleição, em como as crianças nascem como livros em branco e acabam sendo ensinadas por aquilo que fazemos e dizemos, e quanta responsabilidade temos sobre isso. Vivo repetindo, que se às vezes eu ensinar algo que seja errado para ele, ele vai tomar aquilo como certo para a vida. E elas serão o nosso futuro, e isso é muito importante sim!

E faltando apenas 4 dias para uma das eleições mais esperadas pela história desse país, eu olho para os lados e só vejo patinhos amarelos humilhando patinhos cinzas pelas suas escolhas. O perfume do respeito está passando bem longe dos nossos narizes. Vejo pessoas que de certa forma agridem os outros, mesmo talvez sem perceber (o que desacredito, por estarem cegas por alguma obsessão política ou até mesmo religiosa), se magoarem quando escutam algo em resposta ao que elas mesmas estão fazendo maltratando as outras. Ou simplesmente, por acharem a sua opinião mais certa que dos outros, xingarem e dizerem coisas horríveis! Talvez se respeitássemos mais os ‘patinhos feios’, aqueles que não pensam como nós, sem tentar ‘enfiar guela abaixo’ a sua opinião, teríamos uma eleição mais justa, mais perfumada, mais bonita e mais próspera. Nessa época de redes sociais, extremismo e línguas soltas os laços se desfazem amizades e até mesmo familiares se perdem no caminho, por simplesmente a falta de respeito. Eu vivi isso por muito tempo na vida de muito perto, e me deixa horrorizada que ainda aconteça.

Que o resultado seja o melhor para o nosso futuro, e que esse futuro tenha menos patinhos amarelos e mais patinhos feios cinzas que se transformem em cisnes!

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O perfume da espera

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Você já deixou de fazer algo, porque sabia que poderia adorar? Pois é! Eu evitava até pouco tempo pensar em assinar o famoso Netflix, porque conheço bem meu amor por filmes e séries, mas decidi testar a algumas semanas como seria. E foi como voltar pelo menos uns 5 ou 6 anos, na época que eu ainda havia vídeo locadoras, e que eu passava uma meia hora ou mais escolhendo ao menos 4 filmes para assistir no final de semana com direito a muita pipoca e coca cola, porque além de tudo nessa época eu não bebia nada alcoólico. E na mesma época, era divertido esperar pelos novos episódios das séries a cada semana, a ansiedade por esperar chegar tal dia e contar cada segundo para escutar a vinheta começando.

O que eu senti agora na era netflix? Que aquele perfume inebriante da espera por algo que nos fazia bem, simplesmente acabou. O mundo está extremamente imediatista, as crianças nem sabem ao certo o que é um comercial, porque nos novos streamings ou eles não existem ou você simplesmente ‘pular’. O gosto da pesquisa, do ter certeza de que será legal, da espera por assistir aquele filme ou aquele programa, do friozinho na barriga por esperar que aquele lançamento não havia sido alugado e estava ali na prateleira te esperando, simplesmente viraram um gostinho do passado.

Acredito que esse aspecto ganha cada vez espaço em outras áreas da vida, e que estamos nos tornando cada dia mais ansiosos por conta desse imediatismo que a vida nos cobra, e que nós mesmo nos cobramos. Se você se dedica a fazer um bom trabalho, mas demora 1 dia a mais para entregar ao cliente, você perde ele. Se você não está em um relacionamento sério no segundo encontro, essa não é a pessoa certa para você. Se você não tiver aquela peça da moda ‘para ontem’, você está perdido no tempo. Entre tantas outras coisas...

Seja qual for o motivo daquilo que te tira a beleza da espera, e te coloco a ser cobrado pelo imediatismo e te torna ansioso, não deixe de parar e respirar fundo. Às vezes é melhor não seguir o padrão e perder algumas coisas, do que poder ser feliz e saber curtir o perfume que as esperar deixam em nossa vida!


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Banheiro, camarim ou extensão do quarto?

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Essa semana estava lendo algumas noticias e me deparei com essa crônica desse escritor que eu amo, e não conseguia pensar em nada mais além disso para dividir com vocês essa semana. Um breve resumo de como é o banheiro de mulheres, que assim como eu, amam esse espaço e não abrem mão de uma deliciosa decoração e de nenhum dos seus produtinhos e perfumes para deixar esse ambiente ainda mais agradável (minha especialidade). Não acrescento nenhuma vírgula além do que Fabricio Carpinejar escreveu para o jornal Gaúcha ZH, um relato fiel, ao menos do meu banheiro (no máximo poderia acrescentar algumas fotos. Garanto ótimas risadas:

“Banheiro é funcional para o homem, jamais para uma mulher. 

Faz uma maior diferença para ela na hora de escolher um imóvel. 

Eu posso ser feliz num cubículo, desde que tenha uma ducha forte e quente. Não me preocupo com mais nada. Banheiro é simplesmente banheiro, não traz nenhum atrativo adicional. Não ficarei nele mais do que 10 minutos. Meus produtos de higiene cabem na mão e só reparo que acabaram quando é tarde demais. 

Já para a mulher, o banheiro é uma sala, uma extensão do quarto, um espaço de convivência, uma varanda interna, um closet dos cabelos. 

O espaço físico é subjugado pela fantasia emocional. Não tem como convencê-la de que são apenas dois metros quadrados.

Há um sonho de que ele vire, um dia, camarim e que tenha um painel de luzes para a maquiagem.

Mesmo que seja um corredor, ela põe lustre no teto. Mesmo que o ambiente seja do tamanho de um trailer, coloca quadros nas paredes e nas estantes – nem aí para o risco de atingir o encanamento com o prego.

Ela entupirá a superfície da pia com objetos variados, como sabonete líquido, álcool gel, florzinhas, velas, sachês, esculturas, aromatizantes. Mal dará para enxergar a torneira. Ao lavar as mãos, desavisados certamente vão esbarrar em algo e quebrar. É como loja de decoração feita para tropeços e ressarcimentos.

O toalete será inteiramente decorado e ampliado com penduricalhos. Se há uma fresta, inventará de enfiar toalhinhas, toalhas e tapetes dobrados em espiral.

Afora a farmacologia básica, ela tem que encontrar lugarzinho de destaque para o secador, para as escovas, para a caixinha de esmaltes.

Mulher não sobrevive sem o armarinho do espelho. É como não ter alma. As prateleiras vergam pelas toneladas de cremes, xampus, condicionadores, perfumes, hidratantes e pomadas. Os frascos seguem estranha hierarquia (ou por data de validade ou por tamanho ou por frequência). Há uma ciência por trás da aparente aleatoriedade. 

Com um só banheiro em casa, o marido tem que entender que é todo dela. Com a sorte de dois banheiros, pode acostumar-se a usar o das visitas sem risco de conflito e de divórcio.”

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Cuidando do chão em que se pisa

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Logo que comecei a trabalhar com aromatizadores de ambiente há 7 anos, as pessoas viviam me pedindo para tentar melhorar a fragrâncias comuns que todos já estavam acostumados em festas e lugares públicos. Creio que em parte conseguimos cumprir sim com essa missão, principalmente em festas, que no início eu mesmo achava um gasto desnecessário, mas é um cuidado especial você ter alguém que cuide, e decore o ambiente dos banheiros em um dia de festa, assim como o seu salão, aquele ambiente é uma extensão do evento.

Além dos sabonetes e aromatizadores, produtos de limpeza são sempre um ‘lugar comum’ quando o assunto é fragrância: Lavanda, eucalipto, coco, talco, e algumas poucas outras. O ramo da limpeza é basicamente liderado por quatro gigantes da indústria, por isso a inovação na área dos cheiros é pouca já que o principal fator na escolha da marca é o preço do produto. Foi pensando em tudo isso e outros fatores que dois ex-banqueiros do ABN AMRO, se juntarem e decidiram investir nesse ramo, iniciaram uma startup chamada YVY, a palavra vem do tupi-guarani e quer dizer terra, chão em que se pisa. E claro, que o nome não somente inspira, mas também é a base da empresa, nada melhor que uma terra sem males e buscar nessa natureza a sua essência. É uma marca que se preocupa 100% com o planeta, todos os produtos são fabricados apenas com insumos naturais. O principal deles é o terpeno, uma substância extraída da casca de árvores e de frutas cítricas como a laranja. Possuem produtos como: desengordurantes, lava roupas, limpadores bactericidas e multiusos e totalmente livre de petroquímicos.

Um dos pontos que eles também pensaram foi na embalagem, os produtos são vendidos em cápsulas recicláveis (parecidas com aquelas de café), na primeira compra, o cliente recebe três borrifadores de plástico nos quais encaixa as cápsulas que se diluem em água. Cerca de 90% da composição dos produtos de limpeza é água, e por esse motivo, eles deixam por conta do cliente sempre reabastecer os borrifadores para a diluição das cápsulas, para diminuir a demanda de plástico nas embalagens e ter gastos menores com transporte. Fora que demanda muito menos espaço para armazená-las, e o lava roupas não necessita nem de amaciante, o que gera ainda menos resíduo. Uma cápsula dos limpadores, produz cerca de 540ml de produto quando diluída.

O modelo do negócio também tem o seu diferencial, você não encontra esses produtos nas prateleiras dos supermercados. As vendas são feitas somente pelo e-commerce da marca e por meio de um clube de assinatura. São três tipos de planos que variam de 120 a 190 reais. As casulas também podem ser compradas por unidade no site da empresa. Você vai se surpreender com as deliciosas e naturais fragrâncias desses produtos, e caso esteja se perguntando, eles não são testados em animais, e em 10 anos de empresa não há casos de alergias, e são livres de conservantes também.

Segue o site, e se delicie com as fragrâncias: https://www.yvybrasil.com/



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