​Gasolina no incêndio

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Temer já sabia que ganhar as eleições seria tarefa impossível. E, com a parada dos caminhões e a alta do combustível, é bom nem falar em votos.

Não é por falta de erros que Temer está em baixa. Mas cai até quando não é sua culpa. A alta do diesel e da gasolina tem vários pais. E uma mãe.

A mãe é Dilma: ao segurar o preço dos combustíveis no país abaixo do custo do petróleo, quebrou as usinas de álcool e endividou a Petrobras. Hoje, a Petrobras vende combustíveis a preços que cobrem o custo do petróleo, do prejuízo que teve, dos juros que paga. O preço varia dia a dia, conforme a cotação do petróleo. Em 12 meses, a gasolina subiu 17,96% (a inflação esteve por volta de 2%). Aí aparece o primeiro pai da alta: o dono dos postos, Quando a Petrobras baixa o preço (e isso aconteceu algumas vezes), o posto o segura lá em cima. Concorrência entre postos? Então tá!

E vai subir mais: o dólar se valoriza e o petróleo marcha para US$ 90 o barril. É o outro pai da crise: a Venezuela já reduziu a produção à metade, por desorganização. O Irã está mais preocupado em mandar na Síria e sofre com as sanções americanas. Menos petróleo, mais preço. Há quem estime que a gasolina chegue a R$ 5,10 se câmbio e petróleo mantiverem o rumo.

Outro pai é o Governo, em todos os níveis: os vários impostos são mais de 40% do preço do litro. Resultado: o litro, para os americanos, custa menos de R$ 2; no Brasil, o custo é de R$ 4,75. E Temer paga em votos.

Temer fora

Ou não paga mais. Deixou a conta para seu ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que disputará o voto de centro com Geraldo Alckmin. Dado o carisma de ambos, pode parecer engraçada a frase seguinte: existe a possibilidade de que um deles seja eleito: basta chegar ao segundo turno, e beneficiar-se do radicalismo do adversário, seja Bolsonaro, seja o poste que Lula escolher. Alckmin, que conhece o jogo faz tempo, tem mais chances que Meirelles, cuja força é a capacidade de pagar sozinho a campanha. O MDB de Meirelles é forte, mas desde 1994 não disputa a Presidência. Se sempre se deram bem aderindo ao vitorioso, por que mudar justo agora?

Pedra no caminho

Há um grupo de parlamentares que tenta convencer Josué Alencar (cujo nome é Josué Gomes da Silva, mas resolveu se lembrar da herança política do pai, José Alencar) a sair para a Presidência, pelo centro – desde que pague sua própria campanha. O líder do grupo é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Se der certo, Alckmin e Meirelles terão mais dificuldades.

O olímpico

Rodrigo Maia tenta também lançar Eduardo Paes para o Governo do Rio. Ele era o prefeito do Rio na época dos Jogos Olímpicos, lembra?

Perdemos todos

Um dos grandes jornalistas brasileiros, Alberto Dines, morreu ontem aos 86 anos. Dines foi repórter, editor, diretor (mandava mais no Jornal do Brasil do que o dono – e merecia), escritor, professor em Princeton, criador do Observatório da Imprensa em TV e site. Foi um dos mestres deste colunista, que escreve sobre ele para a Folha de S.Paulo (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/05/depoimento-nunca-foi-possivel-ser-imparcial-diante-de-alberto-dines.shtml -só para assinantes) ; e, com leitura livre, http://www.chumbogordo.com.br/18854-alberto-dines-enquanto-houver-memoria-por-carlos-brickmann/

Azeredo lá

O Tribunal de Justiça de Minas rejeitou os recursos do ex-governador Eduardo Azeredo, ex-presidente nacional do PSDB, e ordenou sua prisão. Azeredo foi condenado a 20 anos e 1 mês por participação no Mensalão mineiro, uma espécie de ensaio do que viria a ser o Mensalão petista, e que incluiu até a participação do publicitário Marcos Valério. Azeredo pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça, mas não em liberdade.

Onde está o dinheiro

A servidora Mirella Menezes Celestino pediu aposentadoria voluntária do Tribunal de Justiça da Bahia. Com a aposentadoria, a funcionária terá “proventos integrais de R$ 39.936,17”, segundo despacho do presidente do TJ baiano, desembargador Gesivaldo Brito. O salário propriamente dito (o nome oficial é “vencimento básico”) é de R$ 8.276,67. O restante, que põe seu salário acima dos pagos aos ministros do Supremo, são penduricalhos: “vantagem pessoal AFI símbolo”, R$ 17.802,72; “vantagem art. 263”, R$ 7.127,57. O desembargador determina que, na implantação dos proventos, deverá ser observado “o limite do teto constitucional – R$ 30.471,10”. Ou seja, com redução e tudo, uma economista de um Tribunal de Justiça estadual tem direito a ganhar quase tanto quanto um ministro do STF; mais de 90% dos vencimentos dos onze magistrados mais importantes do país –e, não esqueçamos, dentro da lei. Há algum risco de o país dar certo?

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​Pulando num pé só

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Quem tem boa posição nas pesquisas não tem partido para sustentá-la. Quem tem partido para sustentar uma candidatura não tem boa posição nas pesquisas. Lula tem boa posição nas pesquisas e um partido para apoiá-la, mas está preso. Mesmo se for solto, não tem ficha limpa para se candidatar.

O eleitor vota em nomes, não em partidos. É verdade: mas entrar numa campanha com tempo reduzido de TV, consequência de atuar em partido pequeno, torna difícil crescer nas pesquisas. Pior: sem diretórios atuantes em todo o país, quem vigia as urnas de avançada tecnologia venezuelana?

O MDB, fortíssimo, tem Temer, que consegue ser mais impopular do que Dilma, ou Henrique Meirelles, que provavelmente nunca viu um pobre na vida. Bolsonaro cresceu, trabalha bem na Internet, fascina uma parte do eleitorado; mas, sem TV e sem líderes políticos distribuídos pelo país, que fará para crescer até virar majoritário? Marina já mostrou, em duas eleições, que é capaz de ganhar parte do eleitorado; e, nas duas, se mostrou incapaz de chegar ao segundo turno. Álvaro Dias? É um bom sujeito.

Alckmin foi quatro vezes governador, tem partido forte. Mas está mal na pesquisa. Como tem tempo de TV, pode chegar ao segundo turno.

Já Ciro é bom de palanque, tem carisma, só lhe falta um partido grande – como o PT. Mas o PT, imagine!, jamais apoiou nomes de outro partido.

As variações – centro

Alckmin é presidente do PSDB, governou seu Estado mais forte, São Paulo, foi candidato à Presidência, chegou ao segundo turno (onde Lula o destroçou). Mas não é o candidato dos sonhos do partido: há uma ala que prefere Dória. Partidos que sempre se aliaram ao PSDB temem ser esmagados nas eleições. DEM, Solidariedade, PRB, PTB tentam encontrar alguém com mais votos. Se não encontrarem, vão com Alckmin mesmo.

As variações – Centrão

Melhor do que ganhar as eleições e ter responsabilidade de governo é ser amigo indispensável de quem ganhou, e ter do Governo apenas aquilo que é bom e lucrativo. É a estratégia do Centrão, comandado pelo deputado Rodrigo Maia (DEM – Rio) e que reúne parlamentares de várias bancadas, DEM, PP, PRB e PTB, todos loucos para oferecer sua gentil colaboração ao Governo, seja qual for, e desde que trabalhar desinteressadamente não seja tão desinteressado assim. Se não tiverem ninguém melhor, Alckmin. Ou, conforme o acordo, Bolsonaro. Mas pode ser outro, se for generoso.

As variações – bolsonaristas

Há políticos sinceramente bolsonaristas. Ele tem a imagem dura de que gostam e, ao mesmo tempo, não seria ditador. Mas muitos bolsonaristas prefeririam um militar – e sem perder tempo com eleições. Dariam ao novo regime sua experiência em manobras políticas e, em troca, aceitariam cargos nos quais pudessem servir ao país – ou, quem sabe, servir o país.

As variações – esquerda

Há a esquerda do Contra Burguês vote 16, e de outros partidos radicais, que devem apresentar seus candidatos em poucos segundos de TV. E há a esquerda clássica, que tem candidatos (PCdoB, Manuela d’Ávila; PSOL, Guilherme Boulos) mas adoraria entrar numa coligação com Lula à frente.

As variações –MDB

O MDB, há muitos anos o maior partido do país, não tem candidato presidencial desde 1994, quando Orestes Quércia foi derrotado. É melhor ser amigo do governante e usufruir as vantagens dessa ligação. Meirelles e Temer não empolgam: para o MDB é mais negócio ficar com o vencedor.

Sonho

Alckmin espera mobilizar ao menos seu partido e, com grande tempo de TV, subir rapidamente nas pesquisas. Espera também ser o candidato único do centro – aquele que terá a seu lado a maioria silenciosa para derrotar os radicais de esquerda ou de direita. Outro sonho é não ser ultrapassado, no seu próprio partido, por um candidato como João Dória, com mais pique.

Novo nome velho

Mas há quem tente lançar um novo nome de centro: o de Josué Gomes da Silva, filho do falecido vice-presidente de Lula, José Alencar. Josué diz que não é candidato, mas já criou um nome para usar como político: Josué Alencar. Josué seria um nome novo, mas filho de um político conservador que foi vice de um Governo que se apresentava como esquerdista. Alckmin, atento, já lançou a possibilidade de ter Josué como seu vice.

Essencial

Um caminho para progredir? Depois de amanhã, às 19h, o historiador Jaime Pinsky lança na Casa do Saber, em São Paulo, o livro “Brasil – o futuro que queremos”, reunindo especialistas em Educação, Saúde Economia e outros temas. Pinsky é intelectual de peso, fundador da Editora Contexto e articulista do site Chumbo Gordo – www.chumbogordo.com.br

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Professor Dilmo, às suas ordens

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Por pouco, muito pouco, a expressão “Depois de mim virá quem bom me fará” não se confirma de novo: no quesito “que é que quis dizer”, Dilma continua imbatível. Mas quem veio logo depois, Michel Temer, mostra-se competitivo na confusão verbal. Ontem, dia em que festejou dois anos de governo, quis lançar um slogan-bumerangue: “O Brasil voltou, 20 anos em 2”. Duplo sentido: pode significar que o Brasil voltou 20 anos. Ele desistiu.

Temer ensaia há tempos seu lado Dilmo. Há um ano, na reunião do G20, disse que estava “fazendo voltar o desemprego”. Na mesma época, explicou por que o Ministério do Trabalho indicava a redução do desemprego e o IBGE falava em aumento: “Não é que o desemprego aumentou. É que o desempregado, quando a economia começa a melhorar, ele, que estava desalentado, portanto, não procurava emprego, ele se transforma em um alentado. Ele vai procurar emprego. Como não há emprego para todos ainda, ele não consegue o emprego e isso entra na margem do cálculo do IBGE.”

Até dá para entender. Mas o slogan “Ordem é Progresso” pode indicar que a Coreia do Norte progride rapidamente. E a última, de ontem, é notável: o Twitter oficial do Governo Michel Temer traduziu para o inglês, no “Brazil Gov News”, o nome do cônsul-geral em Nova York, Enio Cordeiro. Ele foi transformado em “Ernie Lamb”.

Data vênia, professor, homenageá-lo-emos como Dilmo com Mesóclise.

Matéria de memória

Michel Temer não está sozinho: além da companhia de Dilma, desfruta da solidariedade, em sua busca por um mundo paralelo, de mais uma estrela oposicionista. Manuela d’Ávila, candidata do PCdoB ao Planalto, disse que os governos militares foram “mais nacionalistas” que o atual. Pois este colunista se lembra de Juracy Magalhães, ministro das Relações Exteriores e da Justiça no Governo militar do marechal Castello Branco, afirmando que “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

Matar ou morrer

É difícil entender o raciocínio dos que condenam a correta reação da PM Kátia Sastre, que matou o bandido armado que assaltava mães e crianças à porta da escola. Kátia agiu como agiria qualquer mãe, defendendo a filha; como qualquer pessoa, defendendo a própria vida; como policial, defendendo gente ameaçada. O policial, como o médico, é policial dentro ou fora do expediente.

Qual a alternativa que tinha? Fingir que não era com ela nem com sua filha? Fingir que não era policial? Na hora em que o bandido abrisse sua bolsa e encontrasse a arma e o distintivo, seguiria a Lei do Cão: iria matá-la, por ser policial. E quem, dos que a condenam, pelo menos iria ao enterro?

Ah, mas não precisava atirar no peito. Poderia atirar no braço, no joelho (alvos menores e mais difíceis). Em combate, e era disso que se tratava, é preciso neutralizar o inimigo. O tiro no peito o detém. Mesmo assim, ele atirou nela duas vezes. Parabéns, PM Kátia! E, sr. governador Márcio França, quando irá promovê-la por mérito e bravura?

Imprensa livre

O Supremo acaba de cassar duas decisões de instâncias inferiores que afrontavam a liberdade de imprensa. A primeira decisão derrubada é da juíza da comarca de Fortaleza, que proibia a Editora Três de divulgar notícias sobre uma investigação criminal que, supõe-se, envolveria o ex-governador Cid Gomes, irmão do candidato presidencial Ciro Gomes. A decisão mandava também apreender uma edição de 2014 da revista IstoÉ.

A segunda decisão cassada é da 7ª Vara Cível de João Pessoa: mandava remover postagens de uma jornalista sobre o governador paraibano Ricardo Coutinho (PSB). Diz o ministro Luís Roberto Barroso: “A personalidade pública dos envolvidos, a natureza e o interesse públicos no conhecimento do suposto fato, noticiado em jornal local, são inegáveis” (…) negar o exercício do direito de manifestação implicaria a intimidação não só da reclamante, mas de toda a população, que restaria ainda mais excluída do controle e da informação sobre matérias de interesse público”.

Sem censura

Outra decisão em favor da liberdade de imprensa: o advogado do hotel Maksoud Plaza pediu que a revista Veja fosse impedida de publicar, neste próximo fim de semana, reportagem sobre denúncias contra os administradores da empresa. O repórter de Veja nada comenta; diz apenas que o assunto é bom e deve repercutir. O pedido de liminar para impedir a publicação foi rejeitado em primeira e segunda instâncias, e nada impede Veja de divulgar a matéria na edição deste final de semana.

O repórter não revelou os temas principais. Quem quiser saber, veja a revista.

Correção

A assessoria de Armando Monteiro Neto nega que ele tenha desistido de concorrer ao Governo pernambucano. Sua candidatura, assim, está de pé.

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​Vão botar a mãe no meio

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Acha que há candidatos demais à Presidência? Pois o número se reduziu muito, falando-se apenas dos mais conhecidos; e, do jeito que a coisa vai, sobra pouca gente. Os motivos são variados, mas há um predominante: já estão batendo nos candidatos abaixo da cintura. E vão botar a mãe no meio.

Michel Temer, embora presidente, chefe de um grande partido e dono da máquina oficial, desistiu. É difícil se eleger com tantas denúncias e inquéritos (e com aliados presos). Joaquim Barbosa parou: aos 64 anos, cobrando mais de R$ 200 mil por parecer, com tempo para viajar, sua vida pioraria tendo de falar da casa de Miami (comprada legalmente, mas e daí?), e de uma briga conjugal já resolvida, mas que sempre volta à tona.

Lula está preso e não pode ser candidato, faça as firulas que fizer. Plano B? Haddad está na delação da empreiteira UTC, que afirma ter-lhe passado R$ 2,6 milhões em propinas extraídas da Petrobras. Jaques Wagner? É investigado num caso de R$ 82 milhões de propinas da Odebrecht e OAS.

Alckmin patina (isso antes dos inquéritos). O PSB, possível aliado, está sob investigação em seu maior reduto, Pernambuco. É coisa séria: Armando Monteiro, que há anos se preparava para o Governo, desistiu (como o candidato do partido à Presidência, Joaquim Barbosa). O PMDB poderia dar tempo de TV a Alckmin, mas 70% dos diretórios o rejeitam.

Campanha é para quem tem casca dura. E não teme ficar em evidência.

Meninos...

Quem acha que o regime militar era melhor não viveu o regime ou só se lembra de que, naquele tempo, era quase 50 anos mais jovem. O regime militar foi imaginado inicialmente por seus formuladores civis, entre eles o grande Júlio de Mesquita Filho, notável intelectual, como um período relativamente curto, seis meses, em que o país seria passado a limpo, após o qual haveria eleições livres, nas quais a corrupção não influiria. Foi aí que se descobriu que quem toma o poder não mais quer devolvê-lo. E para que varrer a corrupção se ela facilita a vida de quem está no poder? Essas reformas tão caras de votar, hoje, seriam fáceis na época. Não foram feitas.

...eu vi

E algo que se comentou durante muito tempo foi comprovado, não por brasileiros: pela CIA, em documento de 1974 liberado há dois anos. Ali se confirma um trecho dos ótimos livros de Elio Gaspari sobre o regime militar, a frase de Ernesto Geisel ao general Dale Coutinho: “Ó Coutinho, esse troço de matar é uma barbaridade, mas acho que tem que ser.”

Segundo o documento da CIA, enviado ao secretário de Estado Henry Kissinger, num encontro de 30 de março de 1974, Geisel, Figueiredo (chefe do SNI, serviço de informações do regime), Milton Tavares de Souza e Confúcio Danton de Paula Avelino (ambos generais, Tavares chefe do CIE, Centro de Informações do Exército, Avelino que o sucederia), conversaram sobre assassínios cometidos por ordem do Governo. Geisel deu ordem para continuar a matar, desde que cada vítima fosse aprovada por Figueiredo.

 Há quem defenda a volta da ditadura. Mas ditadura boa não existe.

Verdade e mentiras

O general Hamilton Mourão, futuro presidente do Clube Militar, quer saber por que o documento surgiu justo agora. Simples: porque em 2015, dezembro, acabou o prazo de sigilo. Pergunta também “a quem interessa manchar a reputação das Forças Armadas”. A ninguém – a menos que, por interesses outros, tentem responsabilizar os militares de hoje pelos crimes da ditadura que acabou há 43 anos. Absurdo; outra época, outros tempos.

Mentiras e verdades

O PSOL, depois de uma série de ataques a Israel, decidiu se defender das acusações de antissemitismo – a direção do partido sofre pressões de judeus de esquerda que fazem parte do partido e não são ouvidos no tema. O presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, diz que chamar Israel de Estado genocida (e não se manifestar sobre os anos de mortandade na Síria) não é expressão de antissemitismo. Guilherme Boulos, candidato do PSOL à Presidência, diz que antissemitismo é inadmissível, assim como a islamofobia. Ambos, Boulos e Medeiros, dizem defender as resoluções da ONU que Israel rejeita (embora não se manifestem sobre a resolução da ONU que criou Israel e é rejeitada pelo Irã e boa parte dos Estados árabes).

Falam a verdade? Dois membros importantes do PSOL desmentem a direção: o deputado federal Jean Wyllys escreve Jean Wyllys - CHEGA DE ANTISSEMITISMO NA ESQUERDA — E ... clique para ler: https://www.facebook.com/jean.wyllys/posts/1703806633000670

E Bruno Bimbi, integrante da Executiva do PSOL-Rio, jornalista, professor universitário e ativista gay (como Wyllys, aliás) escreve, sobre as declarações antissemitas do partido, “Não em nosso nome” - http://institutobrasilisrael.org/colunistas/bruno-bimbi/geral/nao-em-nosso-nome/

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​Pixotes – a lei dos mais fracos

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Geraldo Alckmin e Temer conversaram por telefone sobre a chance de unir as forças para, aliados, ter melhores condições de participar da eleição. Marcaram uma conversa pessoal para os próximos dias, mas já desistiram: afinal de contas, para unir forças é preciso ter forças. Coisa de que, agora, nenhum dos dois dispõe. Alckmin ainda tem esperança de crescer ao longo da campanha: embora não seja nenhum campeão de popularidade, ganhou muita eleição majoritária em sua carreira. Temer, não: nunca teve muitos votos, nunca se candidatou a um cargo executivo, e embora tenha nas mãos a máquina da Presidência, não consegue sequer ser reconhecido pelo que aconteceu de bom, como a queda da inflação e a recuperação da Petrobras. Aliás, nem quer muito ser presidente de novo: quer mesmo é manter o foro privilegiado e se livrar dos juízes de primeira instância.

Já as chances de Alckmin dependem de uma série de fatores: o principal é chegar ao segundo turno, de preferência contra Bolsonaro ou o candidato de Lula. Aí, espera ter o voto útil dos que rejeitam seus adversários.

Alckmin já chegou uma vez ao segundo turno; mas enfrentava o melhor candidato do PT, Lula, e num momento em que Lula tinha convencido boa parte do eleitorado de que se transformara no Lulinha Paz e Amor. Fora isso, Lula tentava a reeleição, e tinha a máquina do Governo. Alckmin levou uma surra histórica. Mas enfrentando alguém mais fraco, quem sabe?

Horror, horror

Temer tem duas denúncias no Supremo e um inquérito (que, por ordem do ministro Luís Roberto Barroso, prosseguirá por mais 60 dias, até julho). Problemas um atrás do outro. E, a menos que seja reeleito, apesar da chance mínima, terá pela frente Sérgio Moro ou alguém do mesmo calibre.

Crescendo

Lula não é candidato, embora diga que é. A alternativa petista a ele, Fernando Haddad, foi pesadamente atingida pela delação premiada de João Santana e Mônica Moura, seus marqueteiros da campanha para prefeito. Joaquim Barbosa pensou melhor e desistiu da candidatura: se as costas lhe doíam tanto que o levaram a se aposentar do Supremo, doerão também se for presidente. E histórias como a do apartamento de Miami, de problemas familiares e outras, verdadeiras ou falsas, surgirão no moedor de carne que é uma campanha eleitoral. Melhor dar pareceres e ficar sossegado. No campo que se classifica como “de esquerda”, só Ciro Gomes vai crescendo. É um nome para se prestar atenção – desde que pense bem no que fala. Já perdeu muitos pontos, apesar de ter carisma, dizendo algo que pegou mal.

Sonhar...

Nos meios políticos, excetuando-se setores mais radicais, ninguém está satisfeito com a prisão de Lula. Há quem ache que a prisão só o favorece, há quem sustente que divergência política deve ser resolvida por meios políticos, e que ele deveria ser punido de maneira menos dura, com devolução do que for possível recuperar e proibição de se candidatar. E há quem tema pelo próprio futuro: se Lula, que desperta devoções profundas, vai preso, que acontecerá com outros líderes sem o seu prestígio? Em outras palavras, é bom protegê-lo, pois protegê-lo é sinônimo de proteger-se. Mas há um problema: é preciso mudar a lei de tal maneira que Lula seja só um dos beneficiados. Beneficiá-lo diretamente seria hoje impensável.

...um sonho possível

A melhor maneira de beneficiá-lo indiretamente, até o momento, é a que surgiu em dois dos votos do Supremo que  reduziram o número de políticos favorecidos pelo foro privilegiado. A ideia é que, condenados em primeira instância, e confirmada a condenação em segunda instância nos tribunais regionais federais, só possa ocorrer a prisão depois de julgados os embargos e apelações – no que vem sendo chamado de terceira instância. Com isso, estariam livres Eduardo Cunha, Palocci, Vaccari – e Lula.

Petrobras crescendo

Boas notícias da Petrobras: o lucro do primeiro trimestre, R$ 6,9 bilhões, é alto. A alavancagem (investimentos com recursos de terceiros) caiu de 60%, no quarto semestre de 2015 – governo Dilma -, para 49%.

Como dizia John D. Rockefeller, o lendário criador da Standard Oil (Esso), o melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada. E o segundo melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo mal administrada. Rockefeller jamais pensou na possibilidade de uma empresa de petróleo ser impiedosamente ordenhada.

Calma, Cuoco!

O ator Francisco Cuoco, 84 anos, paga R$ 5 mil por mês pelo plano de saúde. É muito, mas há planos mais caros. A Agência Nacional de Saúde deixa que as operadoras só ofereçam planos coletivos, cujo reajuste é livre. O plano individual, reajustado pela alta dos custos, sumiu do mercado.

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O BUMERANGUE DO SUPREMO

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​O Supremo reduziu os privilégios do foro privilegiado para deputados e senadores: antes, um batedor de carteira que se elegesse só poderia tomar processo se o Supremo aceitasse a denúncia e o Congresso o autorizasse. Agora, depois da decisão do Supremo (que, embora mantenha privilégios à vontade, vai no rumo certo), o foro privilegiado só vale para o que ocorrer durante o mandato, e relacionado a ele. Bateu carteira? Vai para o juiz de primeira instância. E todos têm pavor de encontrar Sérgio Moro pela frente.

Beleza – mas bumerangue vai e volta. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, decidiu tocar uma proposta de emenda à Constituição que completa a decisão do Supremo: extingue o privilégio de foro de qualquer autoridade, exceto quatro: presidentes da República, do Supremo, da Câmara e do Senado. “Creio”, diz Maia, “que a Câmara vai aprovar o texto como está, e colocar todos em igualdade de condições perante a lei”. Como a proposta já foi aprovada pelo Senado, irá diretamente para a sanção presidencial.

Mas calma: como nenhuma reforma constitucional pode ser votada se houver intervenção federal em algum Estado (e há, no Rio) a proposta tem de aguardar que a intervenção termine. Mas pode ir tramitando enquanto isso, de forma a estar pronta para votação assim que houver possibilidade.

Embora o foro privilegiado seja defensável, não pode ser para tanta gente. E é bom que até ministro do STF seja julgado em primeira instância.

Igualando

A decisão do Supremo sobre o foro privilegiado, embora no caminho certo, atinge apenas os 513 deputados e os 81 senadores. Restam, com foro privilegiado intocado, 58.066 pessoas. São governadores, ministros, prefeitos, procuradores da República, promotores de justiça, deputados estaduais, vereadores. A proposta de emenda constitucional que está na Câmara tira de todo esse pessoal o benefício e os iguala ao cidadão comum.

E o benefício é bom: dos processos penais que caíram no Supremo, 20% geraram absolvição, 79% foram devolvidos. E 1% deram condenação.

Misturando tudo

Há quem se queixe de que o Judiciário e o Ministério Público andam legislando e dando palpite na administração, que o Executivo abusa das medidas provisórias, que também fazem parte da legislação. Agora tudo isso pode ser institucionalizado: há hoje 33 policiais federais querendo se eleger (um ao Senado, outros às Assembleias e à Câmara Federal, conforme levantamento do site Poder360 (www.poder360.com.br). Estão dispersos por 17 partidos. E há também os policiais que habitualmente se elegem – como, em outras épocas, o deputado paulista Erasmo Dias.

Lugar definido

O Poder360 estudou a distribuição dos policiais federais. Um quer sair pelo PSDB: nenhum pelo PMDB, nem por PSOL, PT, PSTU. Conclusão do estudo: considerando-se que a maioria esmagadora dos pré-candidatos optou por partidos à direita do arco político, a Federal é majoritariamente de direita. Talvez, entretanto, a campanha desenvolvida por petistas e associados contra a Polícia Federal e o Ministério Público, na Operação Lava Jato, tenha contribuído para afastar muita gente dos partidos lulistas.

Aposentadoria boa

O presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargador Gesivaldo Brito, assinou na última quinta-feira o decreto judiciário que concede aposentadoria voluntária ao motorista Lindenilson Leal de Almeida. Tudo legal, correto, sem maracutaias: a aposentadoria do motorista Lindenilson é de R$ 24.708,97 mensais. Entre os itens que formam os proventos da aposentadoria, estão R$ 5.899,75 de adicional noturno. Nada mais justo, considerando-se que Lindenilson continua aposentado no período da noite.

O caro leitor tem todo o direito de calcular quanto gasta o TJ baiano com seus motoristas. E quanto é gasto com os motoristas aposentados.

Os problemas do Face

Quais as consequências do vazamento de informações dos clientes pelo Facebook, e por seu uso malicioso pela Cambridge Analytics? Houve problemas na Bolsa, há protestos, o pai do Face, Mark Zuckerberg, fala em mudanças. E a Toluna, sólida empresa internacional de pesquisas, apurou que, no Brasil, 54% dos entrevistados atualizaram suas configurações de privacidade, e 5% disseram ter encerrado suas contas. “Os brasileiros, podemos ver pelos números, estão preocupados com a privacidade de seus dados on-line, e tomam medidas para sentir-se mais seguros”, analisa Luca Bon, diretor da Toluna para a América Latina. Os números são imensos: de acordo com o Facebook, 102 milhões de brasileiros o usam. Se 5% desistiram, a perda foi de cinco milhões de clientes. Clique em  https://www.dropbox.com/s/nb9uk0hhcfvkr0p/Report_Facebook_e_Cambridge_Analytica_04-11-2018.pptx?dl=0 para ver a pesquisa sobre o Face.

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​Chegou a hora da bobeira

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O presidente Temer luta hoje não para que o café venha quente, mas que pelo menos venha. O Congresso obteve de Temer cada cargo e cada verba que ele conseguiu arranjar; já não tem interesse em votar nada e só pensa em se afastar de um presidente impopular (além disso, há as festas juninas e a Copa do Mundo). Hoje o Congresso só pensa em Tite e na Federal. Estamos naquela fase que os americanos chamam de silly season, período tolo: não há o que discutir, mas é preciso fingir que o Congresso trabalha.

Hoje, supõe-se, já que a pauta está agendada, que o Supremo restrinja o foro privilegiado para deputados (que só teriam o benefício para casos que ocorrerem durante o mandato, e relacionados à atividade parlamentar). O placar se inicia com 8x0 pela restrição ao benefício – ou seja, a medida tem votos mais do que suficientes para ser aprovada. Por que, então, só se supõe que a decisão será tomada? Porque basta um dos três que ainda não votaram pedir vistas do processo para que tudo seja paralisado. E pedido de vista, na prática, não tem prazo: o processo é devolvido quando o ministro que o requereu resolva, por sua vontade, devolvê-lo. A proposta que espere.

Os americanos, além da silly season, deram o nome de Silly Symphonies a 75 desenhos animados produzidos por Walt Disney de 1929 a 1939, em que a ação seguia o ritmo de belas músicas, muito bem executadas. Foram obras-primas com nome de tolices. Nossas tolices fazem jus ao nome.

A voz divina

Diziam os gregos que os deuses, quando queriam destruir uma pessoa, atendiam seus desejos. Temer quis muito ser presidente, e foi atendido. É presidente, mas os únicos ministros que pode nomear são aqueles de sempre, Eliseu Padilha, Moreira Franco, sua eterna turma; até Renan e Eunício andam flertando com Lula – que, mesmo ainda preso, rende mais que Temer, mesmo que ainda solto. E, mesmo nomeando os ministros que o Congresso exige, não consegue nem votar as medidas essenciais para que a economia funcione. Resultado: a inflação cai, os juros básicos caem, os juros que os bancos cobram continuam altíssimos e o desemprego sobe.

Alô, mamãe

A proposta do deputado petista Vicente Cândido já tem tempo de casa, mas andava meio esquecida. Agora o PT propôs retomá-la, proibindo a transmissão pela TV das sessões do Supremo. Na opinião deste colunista, é uma boa medida: contribuiria para tirar o estímulo de oradores que, para dizer que acompanham o voto do relator, falam durante cinco ou seis horas. O ideal seria que alguns julgamentos fossem transmitidos mais tarde, em outro dia, com os trechos principais dos votos. Se o clássico discurso em que Churchill prometeu sangue, suor e lágrimas durou algo como cinco minutos, como se explica que um voto precise de dez horas para ser lido?

O progresso da Lava Jato

A Procuradoria Geral da República denunciou na segunda-feira ao STF o ex-presidente Lula, os ex-ministros Palocci e Paulo Bernardo, e a esposa de Bernardo, senadora Gleisi Hoffmann (PT-Paraná), por lavagem de dinheiro e corrupção. Diz a denúncia que a Odebrecht prometeu a Lula uma doação de US$ 40 milhões em troca de benefícios. Contra os denunciados há delações premiadas, planilhas e mensagens obtidas pela quebra do sigilo telefônico da empresa. A Odebrecht, diz a Procuradoria, teve o aumento da linha de crédito do BNDES para atuar em Angola. A defesa de Lula diz que as acusações não têm base e seguem a linha da perseguição política.

Excelente notícia

Uma nova empresa israelense de tecnologia, a A1C Foods, é a esperança de boa parte da população: com base num produto que desenvolveu e do qual tirou patente, acena com chocolates, sorvetes, pães e pizzas com baixo teor de carboidratos e açúcares. Esses alimentos, diz a empresa, poderão ser consumidos por diabéticos. Ainda falta um longo caminho – por exemplo, os testes da FDA, a agência americana que aprova ou não alimentos e remédios. Mas é uma esperança: a A1C usa açúcar em suas fórmulas, não adoçantes; e farinha normal – mais o produto que desenvolveu. A empresa foi criada em 2016 por Ran Hirsch, cuja filha tem diabetes.

Dia de balanço

Todas as centrais sindicais anti-Temer – as maiores – convocaram uma manifestação conjunta para a tarde de ontem, em Curitiba, juntando o Dia do Trabalho e o protesto contra a condenação de Lula. Até a central que sempre se opôs a Lula, a Força Sindical, aderiu – claro, o Governo Temer extinguiu o Imposto Sindical, que garantia às centrais um belo e garantido aporte de recursos, mesmo que os assalariados não quisessem contribuir. Jogaram tudo para reunir o máximo possível de gente. E fracassaram: havia um punhado de gente, talvez duas mil pessoas (ou, fazendo um esforço, talvez cinco mil). É mesmo difícil sustentar que um político preso é um preso político, e que sua prisão é ilegal, depois que foi condenado pelo juiz singular, depois que o tribunal de segunda instância confirmou a condenação e ampliou a pena.

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A mentira que finge de verdade

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Feliz com a decisão da FIFA de punir Marco Antônio del Nero com alta multa e o banimento definitivo do futebol, no Brasil e no Exterior?

Pois veja bem, del Nero é  um homem de sorte. A FIFA o acusa de ter recebido altas propinas – a multa de um milhão de francos suíços, uns R$ 3,5 milhões, não fará seus bolsos ficarem menos recheados. E a proibição de exercer cargos no futebol veio pouco depois de, aos 77 anos, ter deixado a Presidência da CBF para o candidato que apoiou. Com que outros cargos sonharia del Nero, com essa idade e com receio de viajar ao Exterior? Pois seu aliado e antecessor na CBF, José Maria Marin, viajou – e terminou preso na Suíça pela Polícia americana. Hoje cumpre pena em Nova York.´

Del Nero é um homem inteligente. No Brasil não pode ser capturado por policiais de outros países. E, apesar de ter o nome de Marco Polo, como o grande viajante que foi da Península Itálica à China e trouxe o macarrão para o Ocidente, desistiu de viajar e se contentou com a massa aqui mesmo produzida. Afinal de contas, já conhece Nova York e sabe os riscos de lá.

Caro leitor: quando as autoridades tomam contra alguém aquelas providências que aprovamos, cuidado: podem estar proibindo alguém de fazer exatamente aquilo de que não gosta. Aqui, somos mestres nisso.

Nem sempre Goebbels, o marqueteiro de Hitler, está certo. Frequentemente a verdade, repetida mil vezes, se transforma em mentira.

Assim é…

Anote a data: 2 de maio, quarta-feira que vem. Por proposta do ministro Luiz Roberto Barroso, o Supremo Tribunal Federal limita o foro especial para deputados e senadores a problemas ocorridos durante o mandato, que tenham relação com sua atividade parlamentar. Alguém que esteja sujeito a processo poderá se eleger, mas responderá perante um juiz de primeira instância. Se, no exercício do mandato, atropelar alguém, também não terá a proteção do foro especial. Sete ministros (num total de onze) já se manifestaram a favor da modificação. Em princípio, será aprovada.

Feliz com essa medida, que reduz os privilégios dos parlamentares?

…se lhe parece

Pois é. Acontece que em algum momento – provavelmente depois das eleições de outubro, para não dar a impressão de que a medida visa apenas beneficiar o ex-presidente Lula – o Supremo deve mudar a norma pela qual os condenados em segunda instância estão sujeitos à prisão. A norma foi aprovada por maioria mínima, 6×5; há ministros que mudaram de opinião, como Gilmar Mendes, invertendo a maioria.

Imaginemos um parlamentar envolvido em crime do colarinho branco: será julgado em primeira instância, apresentará embargos infringentes e embargos de embargos, e irá até a quarta instância, o que pode levar anos. Se até hoje o Supremo não julgou ninguém acusado pela Lava Jato, os anos serão muitos, e lentos.

Só porque…

O empresário pernambucano Eduardo Queiroz Monteiro, filho e irmão de ministros, grande produtor de açúcar e álcool, dono do jornal Folha de Pernambuco, foi condenado em primeira instância a nove anos de reclusão por gestão fraudulenta, quando dirigia o Banco Mercantil de Pernambuco. A sentença é da juíza federal Amanda Torres de Lucena Diniz Araújo.

…você quer

Eduardo Queiroz Monteiro não corre risco imediato de prisão: pode recorrer da sentença ao Tribunal Regional Federal 5. O Banco Mercantil de Pernambuco sofreu intervenção do Banco Central em 1996.

A hora de Dilma…

A delação de Antônio Palocci – ministro de Lula, ministro de Dilma – já está na Polícia Federal. Palocci diz que conversou com o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, sobre levantar dinheiro para a campanha na construção de sondas de águas profundas. Segundo o colunista Cláudio Humberto (www.diariodopoder.com.br), Palocci vai também detalhar a reunião com Lula, Dilma e Emílio Odebrecht, em 2010, mal encerradas as eleições, para acertar a vitória da empreiteira em grandes licitações e a propina que deveria pagar – quanto, a quem e como.

…a vez de Palocci

Só há um problema: faz tempo que Palocci disse a Sérgio Moro que tinha explosivas revelações a fazer, revelações que dariam à Lava Jato pelo menos mais um ano de trabalho. De lá para cá o Ministério Público rejeitou qualquer acordo com ele, até que a Federal entrou no circuito. O MP quer exclusividade na negociação de delações premiadas e isso pode atrapalhar a colaboração de Palocci. Além disso, parece que ele tem a contar algo sobre a atividade bancária nas eleições, e bancos odeiam aparecer nessas horas.

Erramos

A DJ MC Carol é candidata à deputada estadual, não a federal.

O direito de escolher

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O recordista nacional de votos para deputado federal é Enéas Carneiro (“Meu nome é Enéas”). O segundo é Celso Russomanno. O terceiro, eleito e reeleito com mais de um milhão de votos, é Tiririca (“pior do que está não fica”). Os três por São Paulo, o Estado mais rico do país.

O Rio tem agora uma ótima chance de superar esses campeões de votos. A funkeira DJ MC Carol, filiada ao PCdoB fluminense, quer candidatar-se a deputada federal (espera apenas a convenção partidária para ser candidata de direito). A DJ MC Carol ganhou popularidade com este funk de grande sucesso, letra e música de sua autoria, também cantado por ela:

“Tô, Tô/ Tô usando crack/ Tô usando crack

Larguei minha família, a escola/ Você sabe
     Parei com a maconha/ Tô usando crack

A maconha te engorda/ Use crack que é mais light
     Tô usando crack/ Tô usando crack

Vou perder os meus amigos/ Se prostituir faz parte
     Tô usando crack/ Tô usando crack”

O partido, quando lança um candidato, acena para o eleitor com alguém presumivelmente ligado à sua ideologia política. O eleitor vota em quem quiser, presumivelmente em quem tenha sua tendência – no caso, esquerda.

OK – mas, por favor, depois não reclamem do Congresso que elegeram.

Talvez, quem sabe

A data marcada é 25 de abril: hoje. O ministro Marco Aurélio, do STF, pretende levar a plenário a Ação Direta de Constitucionalidade do PCdoB para que seja retomada a norma de só prender alguém após o trânsito em julgado, encerrados apelos, recursos e embargos. Marco Aurélio já avisou que levará a ADC a plenário, mas talvez adie seus planos: neste momento, não há quem creia que a proposta busque apenas a aplicação da norma constitucional. Atribui-se à ADC o objetivo de tirar Lula da cadeia, apenas isso (Lula foi preso depois de condenado em segunda instância). A idéia de que a proposta busca beneficiar um único condenado pode levar ministros a votar contra, derrotando-a. A resposta será conhecida hoje à tarde.

Vergonha 1

O paranaense Sandro Kozikoski foi, até o dia 9, advogado de Juliano Borghetti, réu na Operação Quadro Negro (que investiga a destinação de verbas, para reforma e construção de escolas, que teriam sido pagas mas não executadas). No dia 11, Sandro Kozikoski foi nomeado procurador-geral do Estado pela governadora Cida Borghetti, PP – irmã de seu antigo cliente. Os procuradores paranaenses protestaram: a tradicional festa de boas-vindas que promovem quando da nomeação do novo procurador-geral não foi realizada. Cida Borghetti é esposa do ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros, que deixou o posto para tentar se reeleger deputado federal.

Vergonha 2

O prefeito de Bariri, SP, Paulo Henrique Barros de Araújo, do PSDB,                suspeito de tentar estuprar uma menina de oito anos, foi preso preventivamente e expulso do partido. O PSDB divulgou nota oficial: “O partido se solidariza á família da vítima e espera que o caso seja esclarecido e o culpado severamente punido”. Barros de Araújo é presidente da Câmara e prefeito em exercício. Como prefeito, responde já a dois processos por improbidade administrativa.

Facebook emagrecendo

    Trabalho da agência internacional de pesquisas de consumo Toluna, obtido com exclusividade por esta coluna, mostra que 45% dos usuários do Facebook têm hoje menos confiança no sigilo daquilo que partilham. As desconfianças nasceram com as notícias de violação de dados por parte da Cambridge Analytica; e se estenderam a outros serviços, como o Google, o Twitter e o Instagram. Entre os pesquisados, 54% refizeram suas configurações de privacidade no Facebook; 5% encerraram suas contas. “Os brasileiros estão realmente preocupados com a privacidade de seus dados on-line e estão tomando medidas para se sentir mais seguros”, diz Lca Bom, diretor da Toluna para a América Latina. Considerando-se que, como diz o Facebook, pouco mais de cem milhões de pessoas utilizam a plataforma, uns cinco milhões de brasileiros suspenderam a assinatura,

Para ver o relatório completo das pesquisas acesse:

https://www.dropbox.com/s/dru2j0oykm4wb8p/Report__FACEBOOK_CAMBRIDGE_ANALYTICA_04-11-2018.pptx?dl=0

https://www.dropbox.com/s/nb9uk0hhcfvkr0p/Report_Facebook_e_Cambridge_Analytica_04-11-2018.pptx?dl=0

Como é mesmo?

O caro leitor conhece mais alguém, além do segurança de Lula, que guarde o passaporte e o talão de cheques dentro do carro?

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Os fabricantes de reis

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Quinze senadores envolvidos em inquéritos podem perder o tal foro privilegiado: se não forem reeleitos, responderão diante do juiz de primeira instância – talvez Sérgio Moro, por que não? Cinco governadores investigados, para se candidatar a outros cargos, renunciaram e estão sem foro privilegiado: já respondem ao juiz singular. Só voltam ao foro privilegiado se forem eleitos. Ou seja, é você, caro leitor; é você, caro eleitor, que decide se eles ganharão as eleições, o que significa que anos vão se passar até que os tribunais superiores possam cuidar de seus casos.

Seu voto decide - e só os votos decidem - se Suas Excelências serão julgados como cidadãos que são ou como Excelências que nem todos são.

Ex-governadores: Marconi Perillo, PSDB/Goiás; Raimundo Colombo (PSD/Santa Catarina); Geraldo Alckmin (PSDB/São Paulo); Beto Richa (PSDB/Paraná); Confúcio Moura (PMDB/Rondônia). É improvável que algum seja julgado antes da eleição, mas se não vencer fica sem o foro.

Senadores: Renan Calheiros, PMDB, AL; Humberto Costa, PT, PE; Vanessa Grazziotin, PCdoB, AM; Romero Jucá, PMDB/RR; Dalírio Beber, PSDB/SC; Ciro Nogueira, PP/PI; Benedito de Lira, PP/AL; Eunício Lima, PMDB/CE; Cássio Cunha Lima, PSDB/PB; Agripino Maia, PP/RR; Jorge Viana, PT/AC; Valdir Raupp, PMDB/RR; Aécio Neves, PSDB/MG; Lídice da Mata, PSB/BA; José Pimentel, PT/CE.

Quem é quem

Alguns destes nomes são desconhecidos. Outros são bem conhecidos.

A fé e a força

Fernando Henrique, lançando seu novo livro, deu entrevistas em que se diz confiante na candidatura de Alckmin à Presidência. Garante que, como candidato, o ex-governador paulista é um corredor de maratona, que não dá grandes arrancadas mas chega bem ao final. Pode ser. E quem acha que Alckmin tem um problema se engana. Alckmin tem vários problemas, do baixo índice na pesquisa (paradinho nos 7%) à abertura de inquérito sobre a acusação de que teria recebido R$ 10 milhões da Odebrecht, mais a  carga que será carregar o peso de Aécio, mesmo que o expulse do partido. Há mais: o goiano Marconi Perillo, que foi até cogitado para coordenar a campanha, enfrenta inquérito na primeira instância e delação da Odebrecht.

A multiplicação de candidatos do mesmo setor (Álvaro Dias, Meirelles, Temer, Flávio Rocha) dificulta a tarefa de se consolidar. Pois não há tucanos olhando com esperança a possibilidade de lançar João Dória?

Desigualmente iguais

Outro problema grave de Alckmin é o desgaste da imagem do PSDB. Durante uns 30 anos, o PSDB foi o porto seguro para quem rejeitava o PT. O PSDB aproveitou a oportunidade oferecida pelo PT para um contraste de imagem, mostrando o Governo petista como corrupto. De repente, Aécio também vira símbolo, o Ministério Público inaugura a temporada de caça aos tucanos, o PT acusa tucanos de cometer os mesmos pecados de que os acusavam e o partido, além de moderar os ataques, tem de se defender. Como, se as acusações vêm das mesmas fontes que o PSDB citava contra o PT – e o candidato à Presidência é Alckmin, com todo o seu charme?

Coisa que não pode

Por falar em desgaste: que deu na cabeça do presidente da Petrobras, Pedro Parente, para aceitar acumular o cargo na estatal com um privado, o de presidente do Conselho da BRF (união Sadia-Perdigão)? Parente foi um ótimo ministro, de capacidade reconhecida e irregularidades zero; dirigiu depois um grande empreendimento jornalístico privado, a Rede Brasil Sul, com sucesso; ao assumir a Petrobras, ordenhada à exaustão nos governos anteriores, faz um trabalho impecável de recuperação. Não há suspeitas sobre ele. Mas misturar um grupo privado com a maior estatal do país não é aceitável. É dar a volta ao mundo para pisar numa casca de banana. Estatal é estatal, empresa privada é empresa privada, e ponto final.

Por que lá?

Nada de estranho: um cidadão, o subtenente do Exército Édson Moura Pinto, foi assaltado na madrugada de quarta-feira, em Curitiba, e levaram aquilo que encontraram em seu carro. Moura Pinto havia sido cedido ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e, na forma da lei, designado para a segurança do ex-presidente Lula.

Esquisito: que é que fazia Moura Pinto em Curitiba, considerando-se que o ex-presidente Lula estava preso, sob a guarda da Polícia Federal? Os meandros burocráticos do serviço público certamente explicam esse fato.

Muito estranho: de acordo com Moura Pinto, foram levados do carro o passaporte de Lula e outros pertences do ex-presidente: roupas, talão de cheques, um frigobar. OK: roupas e frigobar poderiam ser levados a Lula.

Mas que fazia o passaporte de Lula no carro? E o talão de cheques?

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