​Rir, rir, rir com papai noel

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Para extrair o melhor humor desta história real, é bom relembrar a figura de seus personagens. O primeiro, Fernando Henrique Cardoso, ele mesmo! – o presidente da República que contratou a chef de cuisine Roberta Sudbrack para incrementar as refeições em palácio. O segundo, mau humor permanente, é o senador José Aníbal. Floriano Pesaro, secretário de Dória; e o poeta e cientista político Fernando Fefo Guimarães. Todos tucanos; e Guimarães, além disso, criador da ala tucana Esquerda pra valer. Pois é.

Um encontro tucano, claro. E, claro, num bom restaurante de carnes importadas, harmonizadas com os vinhos caros da moda. Assunto maior, fora o cardápio: a necessidade de uma guinada do PSDB à esquerda. Nada mais justo, recordando-se a origem política muroesquerdizante dos tucanos.

A folhas tantas, após sabe-se lá quantas harmonizações bem sucedidas no cardápio, liberaram-se os espíritos, e o grupo começou a cantar o hino clássico do comunismo, A Internacional. Pense, caro leitor: Fernando Henrique e José Aníbal soltando a voz, “De pé, famélicos da Terra/ De pé, oh vítimas da fome/(...) Messias, Deus, Chefes Supremos/ Nada esperemos de nenhum/ Sejamos nós que conquistemos/ A Terra-Mãe livre e comum”.

A radical tentativa de buscar a esquerda pra valer ocorreu na última sexta, em Brasília. Ainda bem que o tempo voa: pense em ACM, sempre ao lado de Fernando Henrique, cantando com ele no Orfeão Vermelho.

Humor de Natal

Fernando Henrique se esforça, faz coisas esquisitas, mas Natal é uma festa onde Lula se sente melhor e se destaca sem precisar de bebidas harmonizadas com comida metida a besta. No sábado, 10, em comício, disse que o Rio de Janeiro “não merece que governadores eleitos democraticamente estejam presos porque roubaram dinheiro público”.

Essa coisa horrorosa de prender governantes democraticamente eleitos só porque roubaram dinheiro público irrita Lula. Política não é cadeia.

Proposta do horror

Há quem diga que quem fala demais dá bom dia a cavalo. Mas é pior: quem fala demais acaba revelando o que realmente pensa – e muitas vezes sua reputação sofre com isso. O juiz Sérgio Moro, avesso a badalações, sempre profissional, falando nos autos, acabou abrindo parte daquilo que pensa – e que horror! Moro propôs que a Petrobras institucionalize a virtude da delação. Disse que os bons funcionários, preocupados em garantir o sucesso da Petrobras, deveriam delatar colegas a seu ver corruptos. E que a empresa deveria estudar como gratificar o dedo-duro.

É bobagem por vários motivos – a começar porque não funciona. Não há grande empresa no mundo com sistema semelhante porque todas sabem que o clima de desconfiança as destruiria. Que Moro fique onde é mestre.

Quem com quem?

Quem acha que a posição tucana para 2018 está definida, após a escolha de Geraldo Alckmin para presidir o partido, engana-se. O PSDB enfrenta, em primeiro lugar, o risco do isolamento. Aliados tradicionais (PSB, DEM, partidos pequenos) se afastaram dos tucanos e têm alternativas – a começar pelo PMDB, que, no Governo, e se mantiver o sucesso da política econômica, pode lançar um candidato à sucessão de Temer. Pode ser, por exemplo, Henrique Meirelles, do PSD, mas flexível quanto a legendas; pode ser o próprio Temer – para ele seria ótimo, pelo foro privilegiado. Sem o tempo de TV dos aliados, as chances do PSDB são pequenas.

Bicadas no muro

E há outro problema que poucos tucanos levam a sério, mas que é sério: o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, tem a promessa de Alckmin de que o candidato será escolhido em prévia nacional, com debates entre os postulantes. Virgílio está disposto a brigar pela prévia; e, considerando-se a tradição tucana, terá muita gente a seu lado, querendo liquidar Alckmin de uma vez. Já houve brigas na convenção, quando a segurança hesitou em permitir que Virgílio subisse ao palco. O clima é tenso e pode piorar.

Olho nas exportações!

O Brasil parece, enfim, despertar para o comércio exterior: no dia 19, terça, o Instituto Aliança Procomex promove um seminário internacional Programa OEA no Cone Sul. O seminário ocorre no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo. Segundo o coordenador executivo do Instituto Procomex, John Mein, “o foco principal do Programa OEA é aumentar o nível de confiança das empresas intervenientes, objetivando facilitar os procedimentos aduaneiros, tanto no país, quanto no exterior, além de dar celeridade ao processo”. Até o dia 18, inscrições emwww.procomex.org.br; no dia 19, só inscrições presenciais. Mais informações com Linoel Dias, assessor de Imprensa do Procomex, (11) 3812-4566, (11) 9 9619-6108

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As magias do Natal

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A frase é de Lula, nesta terça, no Maranhão: “Todo ladrão tem de ir para a cadeia”. O Maranhão, Estado mais pobre do Brasil, é dirigido pela família Sarney, aliada de Lula, ou pelo PCdoB, aliado de Lula.

O PSDB está dividido, com relação ao Governo Temer, entre o Muro e o Muro do B. O Partido do Muro, chefiado pelo chanceler Aloysio Nunes, aceita tudo, menos descer de lá de cima. O Muro do B, chefiado por quem não tem força no Governo, combinou com o presidente Temer “uma saída elegante”. Como diria Temer, tê-la-ão: o PSDB certamente ficará feliz quando souber que o pé que vai levar no local adequado usa calçados finos.

Sérgio Cabral, PMDB, ex-governador do Rio, condenado em primeira instância a 72 anos de prisão (mas pode me chamar de 30, pena máxima a ser cumprida), presta o Enem nesta semana para História. Cabral, formado em Jornalismo, diz que adora História. Nada mais justo: o Brasil foi descoberto pelo Cabral português, e outro Cabral, carioca, soube pesquisar os tesouros que o país escondia. Tem mais: o estudo permite abater parte da pena. Se o Brasil não mudou, será com certeza um bom abatimento. Quem sabe teremos ainda novas chapas peemedebistas com Cunha e Cabral?

Cabral lembra algo de nossa história. Diz, por exemplo, que não é como Adhemar de Barros, ex-governador paulista que cunhou o slogan “rouba mas faz”. E não é mesmo: obra de Adhemar podia ser cara, mas era feita.

Bom velhinho sempre vem

Lembra-se do doleiro Lúcio Funaro, envolvido desde 2003 na remessa de dinheiro ilegal ao Exterior? Em 2003, foi apanhado por Moro, mas sabe como é, o tempo passa, o tempo voa e ele foi se mantendo no ramo. Agora. apanhado de novo, delatou muita gente e conseguiu pegar apenas dois anos de pena. Mas vai passar o Natal em casa, porque o bom Papai Noel não se esquece de ninguém. Sai da Papuda nesta semana, seis meses antes de completar os já generosos dois anos com que havia conseguido se safar. Se Funaro, que não pertence a partidos, sai tão cedo, por que outros vão ficar?

Conexão africana

O ex-ministro Antônio Palocci, um dos homens mais importantes do Governo Lula, coordenador da campanha de Dilma, totalmente abandonado pelos companheiros quando foi preso, está concluindo sua proposta de delação premiada, informa a revista Veja. Palocci promete provar que Moamar Khadaffi, ditador da Líbia, deu um milhão de dólares à campanha de Lula em 2002 – dinheiro lavadinho, a fundo perdido, “empréstimo” sem devolução. Lula chamava o líbio de “irmão”. Khadaffi, ditador da Líbia por 42 anos, foi deposto e morto em 2011. Palocci diz ter outras coisas a contar sobre movimentação ilegal de recursos, mas a de Khadaffi tem um sabor especial: a lei brasileira pune com o cancelamento de registro do partido o recebimento de dinheiro do Exterior. Lula não poderá ser candidato, nem o PT poderá apresentar outros candidatos: o partido talvez seja extinto.

Espada a prêmio

Num dos quatro encontros que teve com Khaddafi, Lula ganhou uma espada de aço e ouro branco, cravejada de pedras preciosas. Ao deixar a Presidência, Lula guardou a espada num cofre do Banco do Brasil, em nome de sua esposa Marisa e do filho Fábio Luís Lula da Silva. A espada foi localizada pelo juiz Sérgio Moro e devolvida ao Tesouro.

Alerta

Quem conhece o empreiteiro Marcelo Odebrecht está convencido de que o período na prisão não o modificou de forma alguma. Como dizia do rei Luís 18 da França o chanceler Talleyrand, após a Revolução Francesa e o período de Napoleão Bonaparte, “nada aprendeu e nada esqueceu”. 

A reforma vem chegando

A votação será mesmo apressada, atrapalhada, como aliás é frequente ocorrer em nosso Congresso, principalmente quando se aproxima o recesso. Mas tudo indica que a reforma da Previdência – meio esfarrapada – será aprovada. E talvez seja aprovada até por mais do que se imagina, especialmente se o pessoal mais resistente do PSDB descobrir que, se continuar no muro, vai deixar claro que não teve a menor importância no resultado da votação. É o risco que também corre o PSD de Kassab: assistir à aprovação, deixando claro que, com ou sem PSD, Temer vai vivendo.

Pior do que estava, fica

Não se iluda com a suposta beleza do gesto de renúncia do deputado Tiririca. Em oito anos, é seu primeiro discurso – a primeira vez que nos deixa entrever sua posição política. Levou esse tempo todo desfrutando os benefícios, aliás indecentes mesmo, que agora denunciou. E ainda aproveitou para pagar as despesas de um espetáculo de circo do qual era o astro com dinheiro da Câmara. Tiririca, ao contrário do que prometeu, não contou o que é que um deputado federal faz. Mas seguiu o exemplo deles. 

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​As tornozeleiras de grife

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Atenção para o dia 19: o Príncipe dos Empreiteiros, um dos responsáveis confessos por alguns bilhões de dólares em propinas, pixulecos, acarajés, presentes e quetais, aquém e além fronteiras, nunca assaz louvado em terras bolivarianas e africanas, livra-se enfim da prisão. Vai para casa cumprir pena domiciliar; restam-lhe, dizem, R$ 14 bilhões para garantir-lhe um mínimo de conforto. Dizem também que, apesar de não ter ficado pobre, sente-se injustiçado: por exemplo, não teria nada a ver com o sítio de Atibaia, aquele que não é de Lula, e que o presente que Lula jura que não recebeu foi-lhe dado por seu pai, Emílio Odebrecht. As relações de Marcelo com o pai, a mãe, o cunhado, a irmã parecem abaladas. Pior: embora não se considere responsável por boa parte da pixulecagem, seu nome e rosto é que ficaram marcados para a opinião pública, a ponto de se considerar perigosa qualquer indicação sobre sua viagem de retorno. 

Há quem tema, dentro da Odebrecht, os próximos depoimentos de Marcelo. Ao que se comenta, ele tem sido muito critico das confissões dos 77 diretores da empresa, e insinua a possibilidade de corrigi-las. Conforme o tipo da correção, isso pode significar a anulação da delação premiada, com a cassação dos benefícios outorgados aos delatores. Mas é tudo muito estranho: o alto comando da empresa confessou os crimes. Se a empresa se responsabilizou pelos crimes todos, como poupar o Príncipe Herdeiro?

A luta de Lula

O juiz-relator do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, o TRF-4, já entregou seu voto sobre o apelo de Lula, condenado a 9 anos e meio de prisão pelo juiz Sérgio Moro. O voto é agora encaminhado ao juiz-revisor. Mantida a média de prazo, o recurso de Lula será julgado até março.

Togas em luta

Caso seja condenado em segunda instância, o ex-presidente Lula seria obrigatoriamente preso, mesmo que o processo não tenha ainda transitado em julgado? Uma decisão do STF autorizou a prisão do condenado em segunda instância, situação em que Lula se enquadraria se o apelo fosse rejeitado. Mas o ministro Gilmar Mendes disse que o Supremo autorizou a prisão, mas não a tornou obrigatória. O problema então é outro: Lula, que já lançou sua candidatura à Presidência, estaria ou não enquadrado na Lei da Ficha Limpa, mesmo sem aprisionado? Como a questão de Lula envolve posições políticas complexas, haverá boas discussões nos tribunais.

Prisão bem-bão

Três deputados fluminenses, Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertasi, detidos desde 16 de novembro na Cadeia Pública de Benfica, Rio, recebem normalmente seu salário de R$ 25.322,00. E, embora estejam em outro endereço, custodiados pelo Tesouro do Estado, recebem também auxílio-moradia de R$ 3.190,00 cada um.

Não estranhe: de acordo com a Mesa da Assembléia, como os três foram afastados pela Justiça e não se licenciaram dos cargos, “têm direito ao pagamento decorrente do mandato outorgado pelo voto popular”. Os Nobres Parlamentares se baseiam também num antecedente: em março, cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado foram presos por suspeita de envolvimento em corrupção, e receberam tudo di rei ti nho.

Quem mandou estudar e trabalhar, caro leitor, para ganhar bem menos?

É assim que se faz

André Puccinelli, ex-governador do Mato Grosso do Sul, foi eleito no último sábado, em chapa única, para a Presidência Regional do PMDB. O líder peemedebista foi eleito por aclamação 17 dias depois de deixar a prisão, envolvido na Operação Papiros de Lama da Polícia Federal: segundo a acusação, uma empresa de prestação de serviços comprava livros jurídicos superfaturados em quantidade suficiente para atender o Governo.

Puccinelli foi duas vezes prefeito de Campo Grande, duas vezes governador do Mato Grosso do Sul, sempre pelo PMDB; e tem ótimas possibilidades de vencer as próximas eleições para o Governo, em 2018.

Reforma, nos descontos

Ao que tudo indica, a reforma da Previdência do Governo Temer deve passar – por margem pequena, insuficiente, após negociação extremamente cara, num dos últimos dias do prazo – mas, mesmo assim, passa. O Governo espera 320 votos, quando o mínimo legal seria de 308. Há ainda um pouco de folga para ampliar a vantagem: o PSD do ministro Kassab, por exemplo, tem 38 deputados, dos quais só oito se comprometeram com a votação. Kassab dificilmente deixará seu partido sair com a pecha de infiel aos amigos. E definitivamente não irá concordar em perder ministérios por passar a mão na cabeça de deputados infiéis. Na segunda-feira, Temer avaliou quem é quem e se convenceu de que a reforma pode ser votada.

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Bicos compridos e voo curto

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O presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, provável candidato em 2018, disse no início da semana ao jornalista José Luiz Datena, na Rádio Bandeirantes, que no comando do partido faria o PSDB se afastar do Governo Temer. Apoiaria as reformas, mas de fora. A seu ver, não havia nenhum motivo para se manter no Governo. O partido sai? Na hora das promessas, ia sair. Mas o chanceler Aloysio Nunes já disse que não sai, não há motivo para sair. Apoiar de fora não gera limusine nem viagens. Bruno Araújo saiu, mas Luislinda Valois, a que se sente escrava com menos de R$ 60 mil mensais, só sai obrigada. Tem razão: se sair, quem vai notar?

Aloysio usou o mais puro tucanês ao dizer que o problema do afastamento entre PSDB e Governo é outro. “O PSDB não faz parte da base do Governo, o PSDB apoia o Governo, não rompeu com o Governo”. A prova de que Aloysio tem razão é o número de reuniões que os tucanos marcam para discutir como apoiar sem apoiar: as decisões estão tomadas, todos em cima do muro, mas só numa reunião é possível que todos ergam os braços, se abracem, e nessa posição apunhalem os amigos pelas costas.

Mas o próprio Aloysio, chefe da diplomacia tucana, anunciou outra decisão: se o partido decidir se afastar do Governo, ele, Aloysio, se mantém no cargo. Irritou-se muito com os repórteres que insistiram em fazer perguntas sobre o tema. Afastar-se de limusines não é algo que lhe agrade.

Tinha uma prévia…

Alckmin tem tudo para sair em 2018, mas precisa vencer (ou esmagar)  o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, que pede prévias no PSDB. Alckmin defendia prévias para escolher o candidato, mas isso, era quando não tinha maioria. Agora tem Arthur na disputa.  E se algo ocorre e Arthur ganha?

…no meio do caminho

Há Serra, candidato a alguma coisa (pode sair pelo PSD de Kassab). Há os partidos aliados a Alckmin que o apoiariam, mas queriam retribuição na eleição estadual. Se não ganharem o apoio tucano, não faltará quem o dê.

Tucanos, enfim, como sempre: brigando a bicadas mas incapazes de voar longe. Fernando Henrique voa longe. Mas ninguém aprendeu com ele.

Democracia vermelha

O deputado petista Paulo Pimenta mandou deter a militante Carla Zambelli, do Nas Ruas. Carla queria entrevistá-lo, ele a mandou trabalhar, ela disse que estava trabalhando e não roubando como ele. Ele mandou a Polícia Legislativa prendê-la. Quem é Paulo Pimenta, além de chefe de policiais legislativos prendendo cidadãos de quem discorda? Sim, é o petista fotografado por Júlio Redecker quando entrava no carro de Marcos Valério, controlador do Mensalão.

Pimenta é chamado de “Montanha” pela Odebrecht e é inimigo de Sérgio Moro. “Montanha” – por que será?

O caldeirão…

Por que Luciano Huck anunciou que não seria candidato, justo quando, segundo o Estadão, crescia seu caldeirão de votos? É provável que nunca tenha tido a real disposição de disputar, a menos que houvesse uma avalanche de adesões. Alguns anos atrás, uma respeitada senhora do Interior paulista, força notável na política da cidade, era pressionada a candidatar-se.

Esse colunista, consultado, foi contra: a senhora comandava as principais entidades de classe e era mais poderosa que o prefeito. Para que se candidatar? Perderia o status de unanimidade e entraria no moedor de carne das campanhas eleitorais. Mas que diriam dela, de conduta tão transparente? Insisti: se nada encontrarem, inventam. Mas que poderiam inventar contra ela? Sugeri: vão dizer que o filho dela é pai solteiro.

Silêncio na sala: era. Já se faziam os exames. Desistiram da candidatura.

…do Huck

Imagine-se na situação de Huck, astro da maior rede de TV do Brasil, rico por si próprio, rico de família, um ídolo ligado a programas “do bem”. É bem educado, forma um casal de anúncio de margarina com uma moça que também é ídolo. Entrar numa campanha para ser xingado todos os dias, com denúncias, esculachos, armações? Melhor emprestar seu prestígio a um candidato de sua confiança, para quem contribuirá, a quem referendará.

Um é…

O candidato do Partido Novo, João Amoêdo, com plataforma liberal (é favorável, por exemplo, à venda de todas as empresas estatais), informou ao site O Antagonista que atingiu 1% das intenções de voto. Amoêdo, oriundo do sistema bancário, se propõe a pagar a maior parte das despesas de campanha com seu próprio dinheiro e o dos companheiros de chapa.

…outro não

O senador brasiliense José Antônio Reguffe, do Livres (ex-PSL), disse ter sido convidado a disputar a Presidência pelo partido, mas recusou, por ter o compromisso de terminar o mandato – que acaba em 2023.

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​O velhinho sempre vem

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Job Ribeiro Brandão era assessor parlamentar do deputado Lúcio Vieira Lima, o irmão de Geddel. Suas digitais estavam nas notas daqueles R$ 51 milhões do apê em Salvador. Participava da contagem do dinheiro; confessou ter destruído provas contra Geddel; para continuar no esquema, devolvia a Lúcio Vieira Lima parte de seu salário como assessor. Usou o que era bom e, na hora da queda, denunciou os companheiros. Está livre.

Gustavo Pedreira do Couto Ferraz era do esquema, levou dinheiro a Salvador, ajudou na contagem, e, acabado o bem-bom, delatou. Tirou da reta. Sua defesa pede que fique livre, já que o caso é como o de Job.

Agora, três casos levantados por Marco Antônio Birnfeld, do ótimo site gaúcho Espaço Vital (www.espacovital.com.br). Nestor Cerveró: a partir de 24 de dezembro, poderá sair de casa nos dias úteis, de 10 às 18h. Quase!

Também na véspera do Natal, o lobista Fernando Baiano Soares se livra das tornozeleiras. Fica obrigado a dormir em casa, na Barra da Tijuca, Rio, e a prestar seis meses de serviço comunitário. Depois disso, em julho, livre.

Pedro Barusco, que era gerente da Petrobrás e devolveu à Lava Jato uns R$ 200 milhões, sofre mais uma semana. Em 31 de dezembro, fica livre da tornozeleira. A partir de março, estará livre de vez, sem restrição. Diz o Espaço Vital que, se quiser viajar ao Exterior, tudo bem, sem problemas, tem cacife. E completa: “Já tem gente pensando que o crime compensa”.

Cada caso é (1) caso

Eduardo Cunha tentou, mas falhou: o STF negou-lhe habeas corpus. Se desse, não faria diferença: há outras ordens de prisão no caminho.

Cada caso é (2) caso

Job Brandão teve a prisão revogada a pedido da procuradora-geral Raquel Dodge. Nem ela nem o ministro Edson Fachin têm dúvidas sobre o papel de Job no esquema; mas a liberdade fazia parte da delação premiada.

Cada caso é (3)caso

O caso de Gustavo Pedreira do Couto Ferraz é igualzinho ao de Job: ambos funcionários de confiança, felizes em ajudar os chefes, talvez levando um pedacinho. Ambos fizeram delação. Por que um já está livre e o outro não? A ladroeira já custou a Gustavo cinco meses de domiciliar!

Cada caso é (4)caso

Nestor Cerveró fez tudo o que se sabe, talvez alguma coisa de que não se saiba, contou muito, foi alvo de uma tentativa de fuga do país – que, para muitos, seria uma maneira de tirá-lo da condição de arquivo vivo. Ficou nove meses com tornozeleiras, em sua casa – uma bela casa, aliás. E a promessa judicial, ao que tudo indica, será cumprida na íntegra.

Cada caso é (5) caso

Nem todas as promessas judiciais são cumpridas conforme entendidas pelos delatores. O caso mais interessante foi o de Joesley. Criou problemas imensos para Temer e saiu sem qualquer punição visível, como herói: barco de alto luxo levado para os EUA, declarações do tipo “nóis num vai sê preso”, e acabaram dando margem a investigações que envolveram procuradores e levaram à suspensão das promessas. Está preso.

Cada caso é (6) caso

Fernando Baiano e Pedro Barusco seguiram a regra do jogo, cumpriram penas beeeeem suaves, e estão com data marcada para a liberdade.

Tucanudos não se beijam

A roda dos candidatos ainda vai girar muito. Como esta coluna antecipou, Luciano Huck não foi candidato. Para ele, seria interessante avaliar a repercussão de uma candidatura; candidatar-se é outra coisa. João Dória, se sair, não será a presidente (e, se sair, terá de convencer o patrono da candidatura de que ele é confiável). Alckmin, hoje, é o candidato do PSDB. Mas tem, contra ele, Tasso (que gostaria de ser), Aécio, Serra (quer perder até aprender). E agora apareceu a esquerda tucana, que quer se reunir com PSOL, PSTU, PT – e, pior, quer que acreditemos nisso.

Nomes possíveis

Ainda falta muito para a eleição, mas ainda há Henrique Meirelles, João Amoêdo (que fará campanha fortemente liberal), a eterna Marina Cintra, que até hoje sempre foi destruída no caminho mas que um dia pode acertar o passo, algum poste indicado por Lula – que, se Lula estiver preso, ou impedido legalmente de se candidatar, ganha ainda mais força.

Até Requião

O senador Roberto Requião, do PMDB paranaense, é improvável. Mas tem até slogan, vindo das velhas campanhas de Getúlio: “Condenação absurda de Dona Marisa, massacre de direitos de trabalhadores, entrega de nosso petróleo, tentativa de humilhar Lula, não apenas condená-lo. Lembram Getúlio? Bota o retrato do velho outra vez, bota no mesmo lugar. Consequência lógica! Outra vez!”

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The Black Mask da ladroeira

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Já que falar estrangeiro no dia a dia parece estar no rigor da moda, tratemos em inglês da Black Week: que roubada, de ponta a ponta! A Black Week do Brasil foi copiada dos gringos. Só se esqueceram dos descontos.

A ideia, os objetivos (de vender mais entre o Dia da Criança e o Natal), a propaganda, é tudo igual. Mas, nos Estados Unidos e Europa, liquida-se de verdade; aqui, como mostraram a Folha O Globo, os preços sobem antes para dar a impressão de que houve desconto. Em outras palavras, os preços da Black Week são a metade do dobro. Há ocasiões em que o preço parece ter caído; mas confira o frete, que subiu e muito.

E aí surge a segunda roubada, a dos cartões, que supostamente parcelam o valor da compra. Só que não é bem assim: o cliente só tem a compra aprovada se dispuser no cartão do valor somado de todas as parcelas, O cartão pode parcelar uma bicicleta em duzentas prestações, sem risco: se o cliente não tiver no cartão o suficiente para pagá-las todas, a compra não é aprovada. Não é muito diferente de pagar a vista, em cheque ou dinheiro: só que, em vez de seu dinheiro liquidar a conta na hora, e de o caro leitor trocar seu saldo por um produto, o dinheiro fica bloqueado no cartão e não pode ser usado até que a conta inteira seja paga com seus próprios recursos.

E não acredite em “sem juros”. Os juros estão embutidos no preço. Banco não é entidade de benemerência. Sem jurinho não tem negócio.

No freshness

Alguém poderia nos dizer por que Black Week, e não Semana Negra? A ideia é evitar conotações de discriminação? Nesse caso, usa-se o inglês por achar que o cliente, sem conhecê-lo, não entende o significado do nome. Pode ser; mas por que Liquidação é chamada de “Sale”, ou “Off”?

O Rio, quebrando mais

Os dirigentes cariocas ainda não acham que o Rio já esteja sufocado: a Câmara de Vereadores (antigamente conhecida como ”Gaiola de Ouro”) aprovou, por 40 votos a 1, o retorno dos cobradores aos ônibus da cidade. A proposta foi de dois vereadores, do PT e PTB. Só que o cobrador tem salário, que aumenta as despesas dos ônibus; e não têm serviço. Em São Paulo, só 7% dos passageiros pagam a passagem em dinheiro. Cobrador hoje dorme, ou mexe no celular. Sua atividade é tão essencial quanto a de ascensorista. Mas quem paga o ascensorista, quando há, é o condomínio, não uma cidade com economia quebrada, capital de um Estado quebrado.

Quem é quem

Dos sete governadores eleitos do Rio desde 1982, três estão presos, todos por corrupção: Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral (dois mandatos). O governador atual, Pezão (suspeito de receber doações irregulares da Odebrecht) e Moreira Franco (Quadrilhão do PMDB), eleito entre os dois mandatos de Brizola, têm problemas com a Justiça. Moreira virou ministro para ter foro especial –a manobra que Dilma tentou com Lula e não deu certo. Brizola e Marcelo Alencar morreram. Qual Estado aguenta vinte e tantos anos sendo sugado?

Fora, Kátia

A senadora Kátia Abreu, Tocantins, foi expulsa do PMDB por infidelidade partidária. Kátia é do ramo: dirigia a Confederação Nacional da Agricultura, ferozmente antipetista, e era do DEM. Saiu do DEM para o PSD de Kassab; e, logo em seguida, saiu do PSD para o PMDB. De repente, virou ministra de Dilma e sua amiga de infância, e aliada do PT. Contra a posição do partido a que pertencia, rejeitou o impeachment e vota sistematicamente contra as reformas propostas pelo Governo do PMDB.

Daqui a pouco, fora Requião

O senador paranaense Roberto Requião deve ser o próximo alvo do Conselho de Ética do PMDB (sim, existe – e ainda bem, que Requião, como Kátia, está aliado ao PT para votar contra as propostas de Temer). Requião ameaça “soltar os cachorros” contra Romero Jucá, presidente do PMDB. Bobagem: Jucá está habituado alimentar-se de cães ferozes.

Pode ser... mas Renan?

     Há quem aposte que Renan Calheiros, que vem liderando a oposição a Temer, pode entrar na lista dos expulsos. Este colunista não acredita: Renan vem há anos fazendo o que quer e escapando de punições.

E Marun?

Pior que os que foram e serão afastados do PMDB é um peemedebista do Mato Grosso do Sul, Carlos Marun, ex-Eduardo Cunha, hoje Temer. Marun diz que as denúncias contra Temer deixaram os deputados “um pouco fatigados”, e que não vê disposição para votar a reforma da Previdência. O que ele não diz é como ligar esses parlamentares: nomeá-lo para o Ministério do Governo, no lugar do tucano Antônio Imbassahy. Ali nunca faltam mimos para distribuir a aliados pouco dispostos a trabalhar.

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Muito trovão, pouca chuva

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Esta semana política tem tudo para ser quente: hoje recomeça a CPMI da JBS, e para que se tenha uma ideia do ânimo parlamentar, o primeiro a ser chamado seria Eduardo Pellela, que foi chefe de Gabinete de Rodrigo Janot, o procurador-geral da República que fez aquele acordo com Joesley Batista. A CPI do BNDES também recomeça, e conforme anunciou, quer passar o pente fino no banco, incluindo financiamentos no Exterior (R$ 50 bilhões, na maior parte para obras da Odebrecht) e contratos com Estados. Isso pode chegar a Lula, cujo papel na concessão de créditos é investigado pelo Ministério Público. Aldemir Bendine, que foi presidente do Banco do Brasil e da Petrobras no Governo Dilma, acusado de receber R$ 3 milhões de propinas da Odebrecht, deve depor hoje ao juiz Sérgio Moro. Ele tentou adiar o depoimento ou evitar que fosse gravado. Nos dois casos, perdeu.

Amanhã, quinta, o Supremo retoma a discussão da validade do foro privilegiado. O privilégio vale para sempre, para qualquer caso, ou apenas para fatos ocorridos durante o mandato e ligados ao exercício político? Quatro dos 11 votos já são conhecidos e restringem o foro privilegiado.

O barulho está assegurado. As consequências, nem tanto. O ministro Dias Toffoli, do Supremo, impediu a convocação de Pellela. O BNDES até hoje se livrou de problemas (e, se atingido, ficará em silêncio?) E o debate do STF sobre foro privilegiado pode parar se algum ministro pedir vistas.

Calma no Brasil

O problema é que os escândalos se alastraram tanto que ninguém tem certeza de que, ao atingir um adversário, não irá também atingir aliados. Joesley Batista não imaginava que, ao montar uma armadilha para Michel Temer, estaria se jogando na cadeia, junto com seu irmão, e derrubando as ações de suas empresas. Nem o procurador Miller esperava fazer parte do rol dos atingidos. Eduardo Cunha não esperava cair com Dilma, nem Dilma com Cunha. Hoje, todos querem ir devagar, até saber quem cai com quem.

Exemplo da velocidade com que o bonde anda: o julgamento do foro privilegiado foi iniciado pelo STF em 1º de junho, há quase seis meses. E não se sabe se termina amanhã – afinal, será julgado também o pedido de libertação do ex-ministro Palocci, e é preciso evitar trabalho excessivo.

Cuidado com seus desejos

O ministro Antônio Imbassahy, do PSDB baiano, tem boa reputação – tanto assim que não foi bem aceito pelos aliados de Temer como ministro do Governo. Deixa o cargo; seu substituto, ao que tudo indica, será Carlos Marun, do PMDB (MS). Os antigos gregos diziam que, quando os deuses queriam destruir alguém, atendiam a seus desejos. Pois é: o caro leitor não desejava que houvesse substituição de ministros neste Governo?

Lugar de tucano

Além de Imbassahy, os tucanos ministros são Luislinda Valois, aquela que se compara aos escravos por ganhar apenas R$ 33 mil mensais, mais penduricalhos, e Aloysio Nunes Ferreira, das Relações Exteriores. Desde seu pedido de aumento, Luislinda não abre a boca (ainda mais para pedir demissão); e Aloysio, amigo de Temer, já disse que não pensa em sair. Hoje há tucanos contra Temer, como Tasso Jereissati; a favor de Temer, como Aécio e Aloysio; tico-tico-no-fubá, como Alckmin, que não quer o PSDB na situação nem na oposição, nem muito pelo contrário. Em resumo, os tucanos se mantêm firmes e unidos, como de hábito em cima do muro.

Trovão de verdade

Numa semana tão rica de eventos (mas frios), o que desperta as atenções é o lançamento de um ótimo livro: Laços de Sangue, do procurador Márcio Sérgio Christino e do jornalista Cláudio Tognolli. O livro informa que o chefão do crime organizado violento, Marcola, entregou à Polícia informações sobre os dois chefes da época, ambos fundadores do PCC: Geleião Cesinha. Com isso, a Justiça impôs mais restrições aos dois, que foram isolados e perderam o poder. O PCC diz que a acusação é falsa.

Carcará paulista

Aquele pássaro malvado, “que avoa que nem avião”, sobrevoa a Assembleia paulista e ameaça provocar uma demissão em massa a menos de um mês do Natal. O pássaro predador não é convocado por causa de nenhuma irregularidade – não é surpreendente? A TV Assembleia é gerida há quatro anos, após concorrência pública, pela Fundação Fundac, a mesma que gere a TV Justiça no STF. Seu contrato deve acabar no fim de 2018.

Mas o atual presidente da Assembleia, deputado Cauê Macris (PSDB), quer rescindir o contrato – o que provocará a demissão de 80 funcionários, a substituir por outros, da empresa que assumirá o contrato. Economia? Não deve ser: Cauê Macris se propõe a contratar por R$ 35 milhões uma agência de propaganda, para divulgar a Assembleia. Se o contrato for rescindido, a empresa prejudicada entra com processo. É tudo muito caro.

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Rio de Janeiro que eu sempre hei de amar

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Um sucesso de 1954, de Fernando Martins e Victor Simon, com os Anjos do Inferno, era explícito e verdadeiro: “Rio de Janeiro, cidade que nos seduz, de dia falta água, de noite falta luz”. Meu pai contava que já nos anos 30, quando estudava Medicina no Rio, luz e água faltavam na cidade.

Foram décadas de queixas. Bastou um grande Governo, o de Carlos Lacerda, para que o problema da água fosse resolvido (o que vale até hoje, mais de 50 anos depois). E bastou que a Eletrobras pusesse ordem na casa para que o problema da eletricidade fosse resolvido: hoje, há água e há luz.

O problema agora é a insaciável máquina de corrupção, unida ao tráfico e ao contrabando. Os narcotraficantes herdaram o poder dos bicheiros, multiplicando-o ao torná-lo mais sangrento. Agora? Isso vem de longe – o governador Brizola apôs obstáculos ao trabalho policial na década de 1980, há quase 40 anos; parte significativa da classe média, média-alta e rica se rendeu aos secos e molhados; o eleitorado perdeu oportunidades excelentes de eleger políticos corretos, como Fernando Gabeira, para escolher, veja só, Sérgio Cabral (Miro Teixeira, embora politicamente oscilante, manteve-se livre de acusações e ninguém duvidou de suas boas intenções).

Mas a vida segue. O paraense Billy Blanco, com Tom Jobim, compôs a Sinfonia do Rio de Janeiro. O Rio é a cidade, cidade mágica, que o mineiro Ruy Castro escolheu como sua. Quando o Rio vai bem, o Brasil vai bem.

Cultura útil

A cornucópia (em latim, o chifre da abundância) representava, no ritual pagão de Roma, a fertilidade, a fortuna, as riquezas da Terra. A palavra é hoje pouco usada – até porque, com essa história de corno, pode parecer indecente. E é indecente, mas não pelo corno: por representar as riquezas da Terra, simboliza também certas fortunas que apareceram do nada.

Dinheiro vem...

O Ministério Público Federal em Brasília pediu ao juiz Vallisney de Oliveira que bloqueie R$ 21,4 milhões das contas do ex-presidente Lula e de um de seus filhos, Luís Cláudio. No processo a que se refere esse bloqueio, Lula é acusado de tráfico de influência na compra, pelo Brasil, dos caças supersônicos Grippen, da empresa sueca Saab.

Detalhe curioso, que pode ter várias interpretações: na negociação com o Brasil, cada caça saiu por US$ 150 milhões. Alguns anos depois, a Suíça rejeitou a compra, por julgar excessivo o preço de US$ 140 milhões por caça. Diferenças nos modelos podem explicar a diferença de US$ 10 milhões por caça; ou não. Considerando-se o bloqueio de R$ 10 milhões já determinado pelo juiz Sérgio Moro, nos últimos meses Lula teve suspenso o acesso a mais de R$ 30 milhões de seus bens. Considerando-se os salários que recebeu nos seus anos de serviço, seus cachês de conferencista devem ter sido excelentes.

A defesa de Lula diz que ele e o filho não interferiram no negócio, feito integralmente de acordo com os pareceres técnicos da Aeronáutica.

…dinheiro vai

Luiz Marinho, um dos dirigentes petistas mais próximos de Lula, que há pouco deixou a Prefeitura de São Bernardo e é cotado para disputar pelo PT o Governo paulista, também foi denunciado à Justiça: ele é acusado, em companhia de empreiteiros, de fraudes nas concorrências para a construção do Museu do Trabalhador. As acusações envolvem uso de empresa de fachada, cláusulas de restrição à competitividade e propostas “de cobertura”, cuja utilidade é dar ao vencedor previamente definido a garantia de que seus preços serão os mais baixos. Duas das empresas que o Ministério Público aponta como participantes das fraudes venceram 19 licitações para a execução das obras públicas mais lucrativas durante a administração do prefeito Luiz Marinho.

Chico Xavier…

O desenhista Maurício de Souza, criador da Turma da Mônica, já premiado pela ONU por uma notável historia que demonstra a imbecilidade do racismo, acaba de colocar seus personagens num livro infantil sobre um dos maiores médiuns brasileiros, Francisco Cândido Xavier. No livro, Mauricio e a Turma da Mônica mostram grandes exemplos de Chico Xavier; o novo personagem André, primo de Cascão, apresenta aos leitores 25 ensinamentos do líder espírita. Há histórias inéditas de pessoas que conviveram diretamente com Chico Xavier e dele receberam lições de vida.

…em quadrinhos

Cebolinha se surpreende ao saber que Chico Xavier doou todo o dinheiro que ganhou com milhões de livros vendidos a instituições de caridade – “ele podelia ter ficado lico!” André lembra que Chico Xavier escrevia por amor, e uma vez disse: “Ame sempre porque isso faz bem a você, não por esperar algo em troca”. São 64 páginas por R$ 11,00.

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Tudo será como dantes

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Hoje é feriado nacional, 128º aniversário da Proclamação da República. A República foi proclamada pelo marechal Deodoro, amigo do imperador D. Pedro 2º e antirrepublicano (um de seus ministros, Ruy Barbosa, era um dos maiores defensores da monarquia). O povo, disse Aristides Lobo, “assistiu bestializado” à Proclamação – e Aristides Lobo, além de líder republicano, era ministro de Deodoro. Por que Deodoro, monarquista, virou líder republicano? Porque o convenceram de que Silveira Martins chegaria a primeiro-ministro do Império. Deodoro e Silveira Martins se detestavam: ambos disputaram a baronesa do Triunfo (que escolheu Silveira Martins).

Claro, houve a questão financeira: o Império tinha prometido obter um empréstimo no Exterior para indenizar os donos de escravos pela Abolição. O empréstimo foi obtído, mas o dinheiro jamais chegou ao destino.

O DNA do Brasil é antigo. Já se sabe, portanto, quem ganha as eleições de 2018. É bom acompanhar o processo para saber quem fica com os cargos, com a caneta das nomeações, com a possibilidade de viajar em boa companhia e conseguir um Porsche ou outro e alegrar as atuais Baronesas do Triunfo. Mas é bom saber também que, seja qual for o resultado na urna, o povo poderá  “assistir bestializado” ao triunfo de Jucá, Renan, Eunício, Geddel, Jader, Moreira, Padilha, nesta terra descoberta por Cabral. Não nos espantemos com mais do mesmo. Quem sai aos seus não degenera.

Tudo junto...

Houve quem duvidasse quando esta coluna informou que PT e PMDB estavam negociando um acordo para 2018, e que Lula tinha mandado parar a campanha contra “o golpe”. Agora é tudo oficial: Lula diz que “perdoou os golpistas”; Dilma disse na Alemanha que era preciso perdoar “os que bateram panelas, equivocadamente”, contra ela. Uma curiosidade: quem foi o intérprete que traduziu o português de Dilma para o alemão? É gênio!

...e misturado

Eunício Oliveira, PMDB, um dos primeiros-amigos de Temer, quer porque quer chegar ao Governo do Ceará. José Guimarães, PT, o deputado cearense cujo prestígio no partido é imenso? Pois José Guimarães disse ao jornal Valor que Eunício ligou para Lula no dia 27, para cumprimentá-lo pelo aniversário e oferecer-lhe apoio à candidatura presidencial. Jader Barbalho, PMDB, que já teve de renunciar ao mandato de senador para não ser cassado por seus pares, cacique maior do Pará, diz: “Minha relação com o Lula não é boa, é excelente. Lula é um candidato fortíssimo. Como a classe política em geral está sob suspeição, o eleitorado vai dizer: ‘Todos não prestam, mas ele fez’. Se concorrer, ninguém ganha do Lula”.

Há negociações também, além de Ceará e Pará, em Minas (onde o governador petista Fernando Pimentel tenta lançar a candidatura de Dilma ao Senado), Piauí, Paraná (o dirigente peemedebista Roberto Requião está há muito tempo aliado ao PT), Sergipe e Tocantins, onde a senadora Kátia Abreu, antes ferrenha antipetista, virou ministra e amiga de Dilma. Requião está tão petista, e há tanto tempo, que até apoia o governo venezuelano de Nicolás Maduro; e se interessa tanto em agradar Lula que, quando o então presidente lhe mostrou uma semente de mamona, ele imediatamente a mordeu, imaginando que fosse uma oleaginosa como amendoim ou nozes.

Cadeia de comando

O PMDB do Mato Grosso do Sul está enfrentando um problema sério: no sábado, faria a convenção para entregar o comando estadual do partido ao ex-governador André Puccinelli, que seria candidato de novo em 2018. Ontem, terça, surgiu um contratempo: Puccinelli foi preso preventivamente na Operação Papiros de Lama, suspeito do desvio de R$ 235 milhões. Seu filho também foi colocado em prisão preventiva, e houve bloqueio de contas bancárias. A situação de Puccinelli está piorando na operação: na fase anterior, teve de usar tornozeleiras, mas não tinha sido preso. De acordo com os investigadores, houve uso de documentos falsos, compra irregular de produtos e obras e concessão de créditos tributários aos amigos. E agora? Ainda não se sabe: fazer a convenção na cadeia não é possível; e fora seria engraçado, ainda mais quando o vencedor não tivesse condições de discursar. Mas o PMDB local saberá lidar com o problema: um de seus dirigentes é o deputado federal Carlos Marun, aquele que vivia na TV defendendo Temer e, antes, era o maior defensor de Eduardo Cunha. Tem experiência com políticos enrolados.

Modéstia

A Polícia Federal anunciou que três deputados do Rio são suspeitos de receber propina. Três? Só se a Polícia Federal considerar que boa parte dos nobres parlamentares já ultrapassou a fase das suspeitas. Sua situação está estabelecida – nada de suspeitas - e só falta completar o trabalho.

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Vencer o inimigo invencível

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Um Governo grande, caro, metido na vida de todo mundo; ou, depois de mais de 500 anos, um Governo enxuto, leve, que libere a criatividade dos brasileiros e se preocupe em exercer as funções típicas de Governo, sem a tentação de regulamentar até os quadros que cada museu pode exibir.

Um balanço dos candidatos e seus assessores econômicos parece indicar que o Governo, enfim, deixará de sufocar o país. Alckmin deve ter a seu lado um dos pais do Plano Real, Pérsio Arida. Aécio, antes da queda, pensava em Armínio Fraga (também companheirão de Luciano Huck e de João Amoêdo, fundador do Partido Novo, ligado ainda a Gustavo Franco). Amoêdo é sócio da Casa das Garças, centro liberal de estudos político-econômicos. O Pastor Everaldo, do PSC, tem Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES (fala-se até na candidatura de Rabello, no lugar do Pastor Everaldo). Bolsonaro, conservador linha-dura na área de costumes, reserva a Adolpho Sachsida, do Instituto Liberal, seu programa econômico. Henrique Meirelles, ex-tucano, ex-Lula, hoje Temer e Kassab, pode ser ele mesmo o candidato. E Lula? Não se sabe – mas já usou Palocci.

Terá chegado a hora de desmontar os empregões estatais? Talvez – mas Roberto Campos, Delfim e Simonsen, defensores da iniciativa privada, tentaram controlar até o preço do cafezinho. Falharam; é fantástico o poder da maquina estatal de gerar nomeações. Mas nunca desistiram do cargo.

Irmãos Bobagem

Aécio Neves, mesmo com o prestígio abaixo dos rastros da cascavel que destrói candidatos, continua ostentando o título de presidente do PSDB. Era só para constar, para não parecer que o próprio partido o tinha abandonado. Mas a falta de poder subiu-lhe à cabeça: afastou o dirigente interino, Tasso Jereissati, colocou Alberto Goldman no lugar e implodiu o partido que já tinha explodido. Goldman detesta Dória, que pode ser candidato a alguma coisa, embora não a presidente – e que lhe retribui a ojeriza; e é ligado a José Serra, que candidato à Presidência também não será. E abriu mais uma divergência: quem vai controlar o PSDB e tentar uni-lo de agora em diante, Fernando Henrique, Alckmin ou o senador Antonio Anastasia? Aécio, sem dúvida, só herdou do avô Tancredo, um sábio, o sobrenome Neves.

Parente é serpente

Muitos colunistas disseram que o PSDB vive uma luta fratricida, e foram criticados: luta, sim, mas não fratricida, já que todos ali se odeiam. Mas é fratricida, sim: afinal de contas, Caim e Abel eram irmãos.

Os jardins do Paraíso

Por falar em Bíblia, em Gênesis conta-se a história do fruto proibido, da Árvore do Bem e do Mal. Adão e Eva viviam no Paraíso, livres da fome e da morte. Um dia, convencida pela serpente, Eva colheu o fruto proibido e o ofereceu também a Adão. A Humanidade foi então expulsa do Paraíso, conheceu a morte e a fome; e Deus determinou que os seres humanos tivessem de trabalhar para comer – “ganhar o pão com o suor de seu rosto”.

Avancemos no tempo. O desembargador Vulmar de Araújo Coêlho e o juiz trabalhista Domingos Sávio Gomes dos Santos, de Porto Velho, Rondônia, foram punidos: o desembargador, por deslocar uma ação de R$ 5 bilhões da 2ª para a 7ª Vara, onde o juiz trabalhista manteria a causa sob controle. O Conselho Nacional de Justiça determinou a aposentadoria compulsória de juiz e desembargador – e só. Ambos continuarão a receber integralmente seus vencimentos, embora sejam proibidos de trabalhar.

Ambos têm deuses poderosos: ganham o pão sem o suor de seu rosto.

Juntos de novo

A informação que chegou a ser recebida com desdém – o grande acordo eleitoral entre PMDB e PT – já está publicamente confirmada. Em Minas, o PMDB informou ao diretório nacional que pretende se aliar ao governador Fernando Pimentel – o mais próximo aliado de Dilma Rousseff, alvo de diversas investigações. Objetivo: aumentar as bancadas estadual e federal do partido, esquecendo as divergências recentes. Serão eleições curiosas: Aécio Neves terá fôlego para concorrer? E votos para ser levado a sério?

Paz nas ruas

Se depender das manifestações da oposição para mostrar força, Temer pode avançar tranquilo nas reformas: o protesto contra a reforma trabalhista, amplamente divulgado, organizado com grande antecedência,  com apoio de todas as centrais sindicais, reuniu menos gente que os jogos de futebol das equipes mais mal colocadas na tabela. Os congestionamentos de trânsito foram raros e rápidos; mais problemas eventuais do que muita gente nas ruas. A manifestação de sexta-feira, ocorrida na véspera da entrada em vigor da nova lei trabalhista, não chegou sequer a incomodar quem dela não participava. E, não esqueçamos, não houve qualquer acordo sobre o imposto sindical. Neste momento, e desde ontem, está extinto.

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