“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

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The Beach Boys – LP “The Beach Boys Today”. Apesar de conter algumas músicas citadas pela crítica como muito ruins (?!?!), esse é o LP mais perfeito do grupo, dividido igualmente entre um pop casual do tipo rapaz encontra garota e baladas dramáticas inspiradas nos grupos femininos produzidos por Phil Spector.

Embora gravado um pouco depois de um dos integrantes, Brian Wilson, ter tido um esgotamento nervoso durante uma turnê, levado à exaustão por uma agenda carregada de shows, o álbum abre com uma das faixas mais exuberantes da banda:“Do You Wanna Dance ?”. Começa bem baixinho mas Brian aumenta o volume no primeiro refrão e os anos 60 começam a dançar no toca-discos. O resto desse lado continua a festa com “When I Grow Up”, tida como a música mais complexa e madura composta por Wilson até aquela data. Depois vem “Help Me, Rhonda” , a primeira gravação da faixa que logo se tornaria um de seus singles mais famosos.

Mas é o lado B que faz os especialistas vibrarem. As cinco baladas são canções de amor suculentas, pessoais, sensíveis e vulneráveis, diferentes de tudo o que havia no pop da época. Há uma pista clara do que viria no próximo trabalho, Pet Sounds, nas faixas “Please Let Me Wonder” e ”Kiss Me, Baby”, e esta última é quase tão boa quanto “God Only Knows”, de Pet Sounds. Pela primeira vez Brian superou os Beatles e os Stones, catapultando a banda para o primeira lugar nas paradas e dando início a uma batalha de dois anos pela supremacia musical, que terminou com outra crise nervosa e com o cancelamento das gravações de Smile.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”- Robert Dimery

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CONVITE ESPECIAL

O projeto “MARCOS PRADO CONVIDA” acontece às quintas-feiras no CANDEEIRO PIZZA BAR, ocasião em que meu talentoso amigo produtor e violonista apresenta cantores e instrumentistas ao público fiel que o prestigia durante todo o ano, na mais aconchegante casa de massas e música ao vivo de Franca. O CANDEEIRO PIZZA BAR fica na Av. Antonio Barbosa Sobrinho, nº 809.


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O mundo da música tem despejado muitas fraudes por aí ! Entre tantas delas, artistas medíocres que prosperaram num grau muito acima do próprio talento, o que torna ainda mais trágico o fato de Otis Redding ter vivido tão pouco. Menos de três anos depois do revolucionário disco “Otis Blue: Otis Redding Sings Soul”, gravado em 1965, o avião que levava o astro e sua equipe caiu no Lago Monoma, no Wisconsin, no dia 10 de dezembro de 1967.

Como filho de pastor que era, o gospel estava em seu sangue, mas Otis Blue abrange ainda o soul, o R&B e o pop. Gravado no legendário estúdio da Stax, em Memphis, com um time de músicos que incluía os clássicos M.G.’s, o álbum é um primor. Todos os arranjos foram masterizados pelo próprio Redding.

As faixas misturam músicas originais e versões, duas das quais do mentor de Redding, Sam Cooke, mas a intensidade emocional com que são apresentadas deve-se apenas a Otis. “Respect” mostra um intérprete muito seguro de si, enquanto “Down Valley” é ao mesmo tempo original e suculenta. Há uma versão de “Satisfaction”, dos Rolling Stones que, simplesmente, deixa o vocal de Mick Jagger literalmente “no chinelo”.

O álbum colocou Otis Redding a caminho da fama mundial e ele chegaria ao auge no Festival de Monterey, em 1967, onde empolgou uma platéia predominantemente branca com números como “Try a Little Tenderness”, encerrando com palavras cruelmente proféticas: “Tenho que ir embora, mas não quero”.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”- Robert Dimery

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Gravado em 1970, Canto On Guitar é considerado um dos melhores álbuns de Baden Powell. A primeira faixa do disco é “Samba Em Prelúdio”, com letra do poeta Vinícius de Moraes, cantada excepcionalmente por Baden. A segunda música, “Três Temas da Fé Afro-Brasileira” é, como sugere o título, formada por três composições diferentes, separadas por alguns momentos de pausa: “Pai (Um Canto De Preto Velho)” – que entraria em outro álbum do violonista, lançado no ano seguinte - , “Filho (Batuque Para Um Orixá)” e “Espírito Santo (Oxalá)”. A percussão afro-brasileira é o denominador comum desses três temas. Em “Tributo A Um Amigo” , Baden aparece sozinho com o violão. “Quaquaraquaquá” é uma fusão entre samba e bossa nova, música composta em parceria com Paulo César Pinheiro. Por fim, “Cegos do Nordeste” encerra o álbum de forma brilhante, carregada de tons árabes. Um trabalho essencial e, encaixando-se perfeitamente no título do livro de onde extraímos texto e informações, um dos 1001 discos que você não pode deixar de ouvir enquanto vivo !

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”- Robert Dimery

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O projeto “MARCOS PRADO CONVIDA” acontece às quintas-feiras no CANDEEIRO PIZZA BAR, ocasião em que meu talentoso amigo produtor e violonista apresenta cantores e instrumentistas ao público fiel que o prestigia durante todo o ano, na mais aconchegante casa de massas e música ao vivo de Franca. MARCOS PRADO me convida e eu convido você pra ouvir nossa pequena homenagem a alguns dos grandes compositores da música brasileira. Entre eles, Taiguara, Ivan Lins, Milton Nascimento, Cartola e por aí afora. Nosso encontro acontece na próxima quinta, dia 10, às 9 da noite, e o CANDEEIRO PIZZAR BAR fica na Av. Antonio Barbosa Sobrinho, nº 809. Não abrimos mão de sua presença !

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Difícil imaginar uma voz mais suave que pudesse causar um impacto mais profundo. No território do R&B e do soul, a sonoridade elegante, contida e sofisticada de Sade marcou uma mudança paradigmática após décadas de domínio de Aretha Franklin, Tina Turner e outras cantoras formadas na tradição de blues e gospel. Mais ainda : a inclusão de ritmos de world music em Diamond Life levaria muitos artistas do Top 40 a fazer experiências sutis com ritmos latinos, caribenhos e outros sons exóticos.

O álbum abre com a calorosa bossa nova de “Smooth Operator”- um merecido sucesso mundial- e passa depois às românticas “Your Love Is King” e “Hang On To Your Love”. A interpretação desapaixonada de Sade algumas vezes é quase fria, mas o som aveludado de sua banda (também conhecida como Sade) transforma “I Will Be Your Friend” e “Why Can’t We Live Together” (antigo hit de Timmy Thomas) em músicas sedutoras.

Sua atração transcendeu classes, culturas, raças, idades e sexo. Com Diamond Life, tornou-se aceitável que um homem comprasse um álbum romântico sem que fosse apenas para impressionar uma mulher mas, também, para seu próprio deleite. A chave que abriu essa porta foi a voz de Sade. A mistura hipnótica de blues esfumaçado, jazz cintilante e pop sublime da cantora (na época com 25 anos) era absolutamente única.

O álbum foi sucesso imediato na Grã-Bretanha e seu lançamento nos Estados Unidos, em 1985, teve resultados semelhantes. Seriam vendidos seis milhões de cópias de Diamond Life, um recorde de vendas para o primeiro álbum de uma cantora inglesa.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”- Robert Dimery

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*Esta coluna é semanal e atualizada às segundas-feiras

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Ao se separarem, no fim dos anos 60, os Beatles deixaram um confuso legado em Let It Be. Companheiros da mesma década, Simon & Garfunkel se despediram com mais elegância, com um álbum que tem em sua faixa-título, “Bridge Over Troubled Watar”, um hino clássico.

Pequena em estatura e estilo, a dupla manteve sua grandeza graças a canções maravilhosas como “The Sounds of Silence”, de 1965 e “América”, de 1968. Em 1969, uma prévia de “Bridge Over Troubled Water”- o hit “The Boxer”- confirmou, de uma vez por todas, que o compositor Paul Simon não era mais ofuscado por Bob Dylan.

E, como Dylan, Simon escrevia letras poéticas. Mas, como Smokey Robinson, compunha músicas deliciosas que podiam ser cantadas tanto por crianças como por Aretha Franklin. De certa forma, a épica faixa-título não faz justiça a “Bridge Over Troubled Water”, porque não dá pistas de que, dentro do álbum, há canções vivas e alegres como “Cecilia” e “El Condor Pasa(If I Could)”.

Há também músicas delicadas e ilusórias, no caso de “The Only Living Boy In New York” e “So Long Frank Lloyd Wright”. Ambas foram escritas por Simon para seu futuro ex-parceiro Art Garfunkel, que tinha estudado arquitetura (daí a referência a Frank Lloyd Wright). Garfunkel havia abandonado algumas sessões de gravação para atuar no filme Ardil 22.

“Bridge...” é fácil de se gostar, mesmo para quem não liga para briga de parceiros ou música folk. Ao ouvir este disco, pode-se entender por que tanta gente fica com os olhos cheios d’água toda vez que os velhos companheiros fazem as pazes por tempo suficiente para cantarem juntos.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”- Robert Dimery

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Seu nome era Ernesto Nazareth. Ele ouvia os sons que vinham da rua, tocados por nossos músicos populares e os levava para o piano, dando-lhes roupagem requintada. Sua obra se situa, assim, na fronteira do popular com o erudito, transitando à vontade pelas duas áreas. Em nada destoa se interpretada por um concertista, como Arthur Moreira Lima, ou um chorão como Jacó do Bandolim. O espírito do choro estará sempre presente, estilizado nas teclas daquele ou voltando às origens nas cordas deste. E é esse espírito, essa síntese da própria música de choro, que marca a série de seus quase cem tangos-brasileiros, categoria em que é enquadrada “Odeon”, escrita que foi em 1910. Obra-prima no gênero, esta composição é apenas mais uma das inúmeras peças de Nazareth em que “melodia, harmonia e ritmo se entrosam de maneira quase espontânea, com refinamento de expressão”, como afirma o pianista-musicólogo Aloysio de Alencar Pinto. “Odeon” é dedicada à empresa Zambelli & Cia., dona do cinema homenageado no título, onde o autor tocou na sala de espera. Localizado na Avenida Rio Branco nº 137, possuía duas salas de projeção e era considerado um dos “mais chics cinematógraphos do Rio de Janeiro”.

Em 1968, a pedido de Nara Leão, Vinícius de Moraes fez uma letra para “Odeon”, vindo a ser o tema de abertura da telenovela “A Sucessora”, em 1978.

Em 2000, a canção fez parte da trilha sonora de outra novela, “O Cravo e a Rosa”.

No ano de 2012 entrou para a história da música universal alcançando a impressionante marca de 325 gravações comerciais, feitas em diversos países.

Pra você apreciar, vídeo gravado em 2013, no Vinicius Bar: Thaís Motta com Marvio Ciribelli ao piano e os membros do Azymuth, Alex Malheiros ao contrabaixo e Ivan Conti (Mamão) na bateria.

Fontes : “A Canção No Tempo-85 Anos de Músicas Brasileiras”

Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello _ Editora 34

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O guitarrista Al Kooper sempre foi irrequieto. Aos 15 anos já cantava numa banda chamada Royal Teens, que chegou a emplacar dois hits instantâneos. Logo passou a compor sob encomenda para diversas gravadoras e foi ele quem gravou o riff de órgão em “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan, em 1965. Tinha então 17 anos e topou a gravação ao ser desafiado e meio que desprezado pelo produtor do disco.

Como há muito queria ter sua própria banda,em 1967 uniu-se a Steve Katz e formaram um grupo com o objetivo de fundir um tipo de blues-rock selvagem ao jazz, que batizaram de Blood, Sweat & Tears. Lançaram um bem sucedido álbum denominado Child Is Father To The Man, mas Kooper desistiu do grupo logo após esse fato, o que não desanimou Katz e os demais membros, correndo logo atrás de outro cantor, fechando com o canadense David Clayton-Thomas, o que foi um ótimo negócio. Retrabalhando as idéias de Kooper, numa linha mais pop, o Blood, Sweat & Tears chegou ao primeiro lugar das paradas, faturando um Grammy como disco do ano.

Mesmo pelos padrões dos anos 60, o álbum era muita areia pro caminhão da banda, sustentado por duas releituras psicodélicas da primeira peça das Trois Gymnopedies, de Eric Satie e centrado num pouco ousado tema de jazz-rock de 12 minutos. Mesmo assim, há muita coisa boa: as versões com arranjos de metais de “Smiling Faces”, do Traffic e de “And When I Die”, de Laura Nyro. Também a interpretação muito forte de “You’ve Made Me So Very Happy”, original de Brenda Holloway, e a super destacada “Spinning Wheel”. Era arriscado regravar “God Bless The Child”, de Billie Holiday, mas o convincente Clayton-Thomas mostrou-se à altura de tal tarefa.

O sucesso da banda durou pouco. Após envolver-se em campanhas políticas com apoio declarado, a credibilidade do Blood foi a zero. Apenas os mais apaixonados pelo jazz, jazz-rock, blues e suas derivações, sem quedas pra outro lado que não fosse a música, é que continuaram cultivando a arte desta que foi uma das bandas mais emblemáticas dos últimos tempos.

O que Al Kooper acha disso está em sua divertida autobiografia, Backstage Passes And Backstabbing Bastards.

Veja aí esta raridade : “And When I Die”.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”- Ed. Sextante

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No terceiro álbum do U2, o quarteto de Dublin, Irlanda, articulou suas visões ardentes sobre política e a condição humana. Com um som próximo do “garage”, o álbum batizado de War, gravado em 1983, continua sendo um dos discos do U2 que apresentam um som mais cru. Sem dúvida, a música mais pungente desse trabalho é “Sunday Bloody Sunday”. Os ritmos militares do baterista Larry Mullen Jr. e o riff descendente da guitarra de The Edge formam o suporte perfeito para a declaração pessoal de Bono Vox contra a continuação da guerra entre o IRA e o governo britânico.

“New Years Day” critica a estagnação e, simultaneamente, se alegra com a promessa de mudanças, declarando claramente que, apesar de estar dividido em dois, o mundo também pode ser “como um”.

“Surrender” é uma jóia mais delicada e demonstra a capacidade do U2 de criar música atmosférica.

War também é notável pela inclusão de “Seconds”, uma das duas únicas músicas que a banda gravou com The Edge como cantor.

O hino “40” foi utilizado para encerrar os shows do grupo durante os anos 80.

War entrou para o primeiro lugar nas paradas inglesas (ficou em 12º lugar nos Estados Unidos) e foi o último disco que produziram com Steve Lillywhite no comando. O produtor havia trabalhado anteriormente em Boy e October.

O álbum em questão é um marco: o tratamento dado por Lillywhite às músicas combina energia em estado puro com maestria na produção em estúdio. A voz de Bono se impõe e exige atenção, enquanto as linhas de guitarra de The Edge são vitais, mas sem nunca sobrepujarem a banda. Um disco eterno.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”- Ed. Sextante

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Numa entrevista concedida a um jornal carioca em fevereiro de 1976, o cantor e compositor Moraes Moreira declarou: “Sabe, no fundo eu sou um sambista baiano. E samba baiano é diferente do carioca, é outra coisa. O samba carioca é lindo, mas na maioria das vezes tende pra melancolia. O samba baiano é alegre, é pra cima, é uma outra malandragem”.

Pois bem, o exemplo perfeito de um samba desse baiano de Ituaçu, difusor dos trios elétricos e dos afoxés, é o sucesso “Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira”, feito em parceria com Pepeu Gomes, cujo título foi inspirado numa frase de João Gilberto, ao ver uma mulata descendo o morro pra trabalhar. Vibrante, sacudida, a composição exalta, à sua maneira, a força e a identificação do sambista com o próprio Brasil: “Quem desce o morro/ não morre no asfalto/ lá vem o Brasil descendo a ladeira/ da sua escola/ passista primeira/ lá vem o Brasil descendo a ladeira...”

Valoriza a gravação deste sucesso a boa interpretação do autor, que puxa o samba sustentado por um ótimo arranjo percussivo e um coro nas respostas.

Fontes : “A CANÇÃO NO TEMPO-85 Anos de Músicas Brasileiras”

Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Ed. 34

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Em seu sétimo álbum de estúdio, “The Man-Machine”, o grupo alemão Kraftwerk provou que o poder da música eletrônica não estava em truques elaborados, mas na simplicidade zen do domínio científico.

O criativo projeto artístico da banda deu uma guinada conceitual nesse álbum, lançado em maio de 1978, cuja capa simbólica fazia referência ao modernista russo El Lissitzky e as músicas falavam de um mundo cada vez mais autômato de alienação urbana, de engenharia da era espacial e de fama sem glamour.

Tal visão futurista da fusão da humanidade com a tecnologia está presente tanto na faixa-título como em “The Robots”, outra piada em cima da imagem andróide da banda. Para o lançamento do disco, o quarteto de Düsseldorf encomendou robôs iguaizinhos a seus integrantes, que passaram a ser acessórios permanentes dos shows. O uso de vozes sintéticas se tornaria uma característica do som sempre em evolução do Kraftwerk. O mesmo álbum apresenta um lado dolorosamente romântico e melancólico na faixa “Neon Lights” e a veia satírica dos compositores em “The Model”, referendo-se à indústria da beleza.

O retrato profético da cultura da celebridade tornou-se um cartão de visitas do Kraftwerk, vindo a inspirar futuras gerações de artistas do techno-pop dos anos 80, como Human League, New Order, Pet Shop Boys e Depech Mode.

The Man-Machine revela contida uma grande capacidade de síntese, através das variações de temas percussivos repetitivos e uma interação quase clássica entre as partes de sintetizador.

Confira, a seguir, Kraftwerk em “The Robots”.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” – Ed. Sextante

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