“A MÚSICA E OS MÚSICOS” “LITTLE RICHARD”

Postado em:

“A wop-bop-a-loo-bop-a-lop-bam-boom...tutti frutti, oh rootie!!”

No verão de 1955, o rock’n’roll explodiu em todaparte e Fats Domino, Ray Charles, Chuck Berry e Bo Diddly emplacavam um sucesso atrás do outro nas paradas. Foi solicitado a um caçador de talentos que encontrasse um novo Ray Charles e, sabendo onde procurar, o tal descobridor partiu para o sul dos Estados Unidos onde, em Nova Orleans, achou um cantor e pianista de jump blues, extravagante e assumidamente gay, chamado Richard Wayne Penniman, que pouco depois foi convencido a gravar no pequeno estúdio do cara de nome Cosimo Matassa, o J&M Studio, onde fez história como LITTLE RICHARD.

Ao lado dos músicos mais originais de Nova Orleans, Richard esbanjou energia ao gravar “Tutti Frutti”, que começou a subir vertiginosamente nas paradas logo no mês seguinte ao seu lançamento, em 1955. Em 1956 vieram outras arrasadoras criações, como “Long Tall Sally”, “Slippin’ And Slidin’ ”, “Ready Teddy” e “Jenny Jenny”. Essa série de músicas enlouquecedoras foi reunida em um álbum tido como totalmente clássico, “Here’s Little Richard”, que veio a tornar-se o seu LP mais vendido. É difícil de ser achado em vinil, mas as músicas aparecem em vários CDs e o citado disco é considerado a célula-tronco do rock’n’roll. A partir, principalmente dele, foi que o gênero floresceu.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” – Ed. Sextante

Revista da Música

Arquivo Pessoal de Dados

Foto: Divulgação



“A MÚSICA E OS MÚSICOS” “GETZ/GILBERTO”

Postado em:

A paixão dos Estados Unidos pela música latina é bem antiga. Ao longo do século XX o tango, o cha-cha-cha, a rumba e o mambo foram a trilha sonora de muitos bailes e jazz clubs do país.

Em 1962 o saxofonista Stan Getz, nascido na Filadélfia, gravou um disco com o nome de “Jazz Samba”, contendo uma variação exótica de hard bob lírico combinada com o samba.

Em 1963 encontrou-se com João Gilberto e gravaram “Stan Getz And João Gilberto”, reunindo músicos do naipe de Tom Jobim ao piano, Sebastião Neto no baixo e Milton Banana na bateria. Taxado de irritadiço e purista, com sua voz monótona e hesitante e sua suave batida de violão, João Gilberto acabava de criar o gênero que atravessaria as décadas e conquistaria o mundo, sendo, então,chamado de bossa nova. O disco foi gravado em apenas dois dias, 18 e 19 de março daquele ano.

Reza a lenda que o produtor queria que parte de “The Girl From Ipanema”, uma das faixas, fosse cantada em inglês. Como João não falava a língua, sua então mulher, a jovem Astrud ofereceu-se para gravar um take. Seu vocal infantil e ofegante veio a tornar-se uma das performances definitivas do século XX e as duas faixas em que ela canta - incluindo uma leitura da letra de Gene Lees para “Corcovado”, que vira “Quiet Nights Of Quiet Stars” – estão entre os vários destaques deste álbum. Um relançamento, em 1990, inclui a versão em 45 rpm das duas músicas.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” – Ed. Sextante

Revista da Música

Arquivo Pessoal de Dados

Fotos: Divulgação

“A MÚSICA E OS MÚSICOS” “BROTHERS IN ARMS”

Postado em:


O quinto álbum de estúdio do grupo britânico Dire Straits foi o primeiro disco da banda a chegar ao topo da parada norteamericana, onde permaneceu por nove semanas, além de ter se tornado multiplatina. Gravado no Air Studios, em Montserrat, também tornou-se o mais vendido na Grã-Bretanha em 1985, onde passou três meses no primeiro lugar de vendas. Foi ainda o primeiro CD a vender um milhão de cópias.

Formado à épocapor Mark Knopfler (guitarrista), John Illsley(baixista), Alan Clark e Guy Fletcher(tecladistas) e Terry Williams(baterista), o grupo tornou mundialmente consagradas pelo menos 4 músicas: Brothers is Arms ( que dá nome ao disco), So Far Away, Walk Of Life e Money For Nothing, que tem como co-autor, ninguém menos que Sting e que veio a tornar-se o maior sucesso entre elas, principalmente na Europa e Estados Unidos, com seu riff inesquecível.

Brothers In Arms foi, sem dúvida, o ponto alto da carreira do Dire Straits. Os poucos álbuns lançados depois deste pareciam já não ter a mesma magia. Mark Knopfler embarcou em carreira solo nos anos 90, mas ainda não igualou o sucesso dessa obra atemporal.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” – Ed. Sextante

Revista da Música

Arquivo Pessoal de Dados

Fotos: Divulgação

*Esta coluna é semanal e atualizada às segundas-feiras

“A MÚSICA E OS MÚSICOS” “TRACY CHAPMAN”

Postado em:

Uma nova artista entrava em cena promovendo seu material no Donmar Warehouse, em Londres, no ano de 1988 e chamava a atenção dos jornalistas. Com interpretação “honesta” e letras e músicas puras de alma, todas interpretadas apenas com acompanhamento de guitarra e/ou violão, sem uso de amplificadores, viria a conquistar milhões de simpatizantes mundo afora. Seu nome : TRACY CHAPMAN, nascida em Cleveland, Ohio, EUA, em 30 de março de 1964.

Versões mais trabalhadas das canções foram, então, incluídas em seu disco de estréia, lançado em abril de 1988. Apenas 2 meses depois, sua carreira ganharia um impulso extraordinário. Estreante desconhecida, foi convidada a participar das festividades do 70º aniversário de Nelson Mandela no Estádio de Wembley. Conquistou uma audiência televisiva global com suas baladas blues-folk e suas declarações comoventes, que a levariam de imediato ao topo das paradas.

Vencedora de 4 prêmios Grammy, em maio de 2004 Chapman foi agraciada com o título de doutora honoris causa em Belas Artes, pela Tufts University, por sua contribuição como artista socialmente engajada e por suas realizações profissionais.

Desse seu disco de estréia, as músicas mais marcantes são, sem dúvida alguma, “Talkin’ ‘bout a revolution”, “Fast Car” e “Baby Can I Hold Yoy”, que você confere no vídeo em destaque.

Fontes : “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” – Ed. Sextante

Revista da Música

Arquivo Pessoal de Dados

Fotos: Divulgação

*Esta coluna é semanal e atualizada às segundas-feiras


“A MÚSICA E OS MÚSICOS” “SAMBA DE VERÃO”

Postado em:

Uma espécie de temporão da bossa nova, “Samba de Verão” foi escrita pelos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle. Lembra muito o estilo que consagrou a dupla de compositores Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli e, não por acaso,foi justamente Menescal, um ídolo de Marcos, uma das primeiras pessoas a conhecer a música, ao violão, na Pedra do Arpoador, no Rio, provocando o auspicioso comentário: “Vai ser um estouro !” Marcos havia concluído a canção sem maior esforço, tentando transmitir o seu lado esportivo de surfista, bem como o clima de sensualidade das praias cariocas. E, como vaticinara Menescal, “Samba de Verão” tornou-se um enorme sucesso, uma das músicas brasileiras mais conhecidas, gravadas e tocadas mundo afora. Lançada ainda sem letra pelo grupo Os Catedráticos, de Eumir Deodato, a composição teve sua estréia cantada no LP “O Compositor e o Cantor”, que foi o segundo de Marcos Valle. Seguiram-se então várias versões, que a tornaram uma das mais gravadas, já em 1965. Dois anos depois, estourou nos Estados Unidos, em gravação do Walter Wanderley Trio. Por conta desse sucesso, Marcos foi convidado a se apresentar no show de TV de Andy Williams, que também incluiu a criação dos irmãos Valle em seu disco anual, seguido por artistas como Johnny Mathis, Caterina Valente, Connie Francis e tantos outros, através das décadas seguintes.

No Brasil, uma das gravações mais consagradas foi a de Caetano Veloso.

​Curiosamente, nos discos gravados no exterior, o título da versão de Norman Gimbel aparece ora como “Summer Samba”, ora como “So Nice”.​​​

Fontes : “A Canção no Tempo”- Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello

Revista da Música

Arquivo Pessoal de Dados

Fotos: Divulgação


“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

Postado em:

“THELONIOUS MONK”

Um dos mais reverenciados compositores do século 20, sem falarmos em sua influência universal como pianista, Thelonious Sphere Monk ocupava, porém, uma inexplicável posição marginal em 1957.

Depois de haver exercido papel fundamental na criação do bebop, no Clube Minton, no Harlem,em meados da década de 40, e de ter contribuído com vários clássicos para o cânone do jazz, Monk acabou por ser afastado dos clubes de Manhattan por conta de uma falsa condenação por porte de drogas, que culminou com a total falta de interesse em seu trabalho por parte de sua gravadora. Ficando fora de cena durante os anos 50, foi resgatado por Orrin Keepnews, o homem forte do selo Riverside, especializado em indie jazz, que o contratou, possibilitando assim seu devido reconhecimento por produtores e público.

Keepnews reapresentou Monk aos amantes do jazz com duas sessões de trio, a primeira em cima da obra de Duke Ellington e a segunda, com standards do pop. “Brilliant Corners” marcou seu retorno como um compositor de primeira ordem, acompanhado de seu quinteto formado pelo sax tenor de Sonny Rollins, o sax alto de Ernie Henry (que morreu tragicamente aos 31 anos, em dezembro de 1957), o baixo de Oscar Pettiford e a bateria de Mas Roach. Participaram ainda da gravação o trompetista Clark Terry e o baixista Paul Chambers.

“Brilliant Corners”, de 1956/57, foi a primeira obra-prima dessa fase da carreira de Thelonious Monk.

Pra quem quiser se arriscar, no link abaixo todo o álbum, com 5 faixas e 43 min de duração total.

https://www.youtube.com/watch?v=hRIXys1xMGc

Fontes : 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer- Ed. Sextante

Revista da Música

Arquivo Pessoal de Dados

Fotos: Divulgação

“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

Postado em:

“MARINA”

Dorival Caymmi é um dos maiores, mais consagrados e idolatrados entre os compositores do Brasil. Em sua obra destacam-se três vertentes: as canções praieiras, os sambas de roda e os sambas urbanos. Nos sambas de roda predomina o apelo da Bahia e nos sambas urbanos a inspiração carioca. É a este último grupo que pertencea consagradíssima “Marina”. De melodia e letra bem trabalhadas em sua simplicidade aparente, esta canção conta a bronca de um homem ciumento, que não gosta de ver sua mulher pintada. Uma curiosidade: Caymmi começou a composição pelo final, repetindo uma frase usada pelo filho Dori (então com três anos de idade) que, ao ser contrariado, reagia dizendo: “-Tô de mal com você, to de mal com você...”. Um dos maiores sucesso do compositor, “Marina” já começou sendo gravada por quatro grandes cantores: Dick Farney, Francisco Alves, Nelson Gonçalves e o próprio Dorival, derrubando um tabu adotado pelas gravadoras brasileiras na época, que não admitiam o lançamento de uma composição por mais de um intérprete. A gravação de maior sucesso foi a de Dick Farney que, pode-se dizer, fez de “Marina” peça obrigatória dos shows de boates, ambiente em que ele reinou por longos anos.

https://www.youtube.com/watch?v=enUx5DMiFU8

Fontes : A Canção no Tempo – Zuza Homem de Mello/Jairo Severiano

Revista da Música

Arquivo Pessoal de Dados

Fotos: Divulgação



“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

Postado em:

​​ME CHAMA

Lobão (João Luís Woerdenbag Filho) é classificado como um dos “malditos da música brasileira”. Mas tudo depende do ponto de vista e deixemos isso pra lá. Falemos de uma de suas obras mais marcantes:”Me Chama”

Foi uma das duas faixas que despertaram a atenção da crítica e que se projetaram através da execução nas emissoras de rádio, inseridas que foram em seu segundo LP, “Ronaldo foi pra guerra”, no ano de 1984. Disco este, aliás, recebido com uma incomum repercussão.

Assinada pelo próprio Lobão, a canção possui linha melódica acima da média, superior, inclusive, à de “Corações Psicodélicos”, a outra música de trabalho do disco e a preferida da gravadora para efeito de divulgação. Sua letra focaliza a aflição de quem espera um telefonema (que nunca vem) da pessoa amada. Contém a angústia de músicas dos anos 50 em tempo de rock, daí, talvez, a citação no primeiro verso de uma canção de fossa da época: “Chove lá fora e aqui/ tá tanto frio/ me dá vontade de saber/ aonde está você/ me telefona/ me chama, me chama...”

Lobão é um bom músico. Toca guitarra, mas seu principal instrumento sempre foi a bateria. Tocou nos grupos Vímana, Blitz (do qual foi fundador), Gang 90 & As Absurdettes e trabalhou comvários cantores, como Luiz Melodia, Lulu Santos, Ritchie e Marina Lima. Cara bem articulado, é considerado um dos principais responsáveis pelo “boom” do rock nacional nos anos 80, ao lado de bandas de projeção como Paralamas do Sucesso, Titãs e Legião Urbana.

“Me Chama” recebeu elogiadíssimas gravações através de Marina Lima, Nelson Gonçalves, Ângela Ro Ro, Nelson Gonçalves, Toquinho e uma, inesperada, de João Gilberto, que você pode ouvir em nosso “Beny Chagas Music Show” desta semana. Confira as web rádios que retransmitem o programa no destaque abaixo.

E no link, uma versão ao vivo de “Me Chama” com o próprio Lobão e banda.

Fontes : A Canção no Tempo – Zuza Homem de Mello/Jairo Severiano

Revista da Música

Arquivo Pessoal de Dados

Fotos: Divulgação


*Esta coluna é semanal e atualizada às segundas-feiras

“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

EU E A BRISA

Postado em: - Atualizado em:

EU E A BRISA


Obra encomendada para o casamento de um amigo de Johny Alf, esta música romântica foi uma das concorrentes do III Festival de MPB da Record. Não teve sorte, uma vez que os jurados não se sentiram impressionados com sua beleza, nem com a excelente interpretação da cantora Márcia ou com o arranjo do maestro José Briamonte. Conclusão: não passou apara a fase final do dito festival.

Em tempo: pra quem não sabe, Johnny Alf é considerado um dos papas da bossa nova e autor de outras magníficas canções do repertório brasileiro.

Voltando ao caso de “Eu e a Brisa”: apesar de desclassificada no Festival da Record, aos poucos foi se impondo e ganhando prestígio até se tornar a mais solicitada e gravada canção de Johnny.

“Ah...Se a juventude que essa brisa canta/ ficasse aqui comigo mais um pouco...”

E seu destino inicial acabou sendo cumprido: vetada pelo padre oficiante do casamento do amigo, tornou-se uma de nossas canções mais freqüentemente executadas nessas cerimônias. Eu mesmo cantei “Eu e a Brisa” em inúmeros casamentos em Franca e Região, nos anos 70 e 80. (Quem se lembra, levanta a mão !!!)

Quem já interprtou a canção ? Veja aí : Agostinho dos Santos, Baby Consuelo, Emílio Santiago, A Três, Maysa, Nara Leão, João Gilberto, Caetano Veloso e muitos outros, com registros em discos e filmes.

No link, uma relíquia em preto e branco do Johnny Alf Trio.

www.youtube.com/watch?v=c0CCAldtkfo

Fontes : A Canção no Tempo – Zuza Homem de Mello/Jairo Severiano

Revista da Música

Arquivo Pessoal de Dados

Fotos: Divulgação

“A MÚSICA E OS MÚSICOS”

Postado em:

A GAITA

Gaita, harmônica ou realejo. Alguns dos nomes dados ao pequeno e maravilhoso instrumento que surgiu a partir de adaptações do “sheng”, inventado na China há mais de 5 mil anos e que daria origem a outros instrumentos, acionados por foles ou bombas de ar, como o acordeão e a melódica.


Como a conhecemos hoje (ou quase isso), foi inventado à guisa de brinquedo por um relojoeiro alemão, em 1821, sendo aperfeiçoada logo a seguir, em 1857, por Mathias Honner, tornando-se, com o passar dos anos, instrumento de verdade e muito popular em toda a Europa e nos Estados Unidos. Bandas e orquestras folclóricas especializaram-se nesse instrumento, que logo se incorporou ao gênero country americano, indo parar no blues, jazz, folk music, rock’n’roll e até na música clássica.

Chegando ao Brasil no início do século XX, em 1923 ganhou fábrica própria através do filho de imigrantes Alfred Hering. Com o crescimento da fábrica, chegou a exportar o produto nos anos 40, mantendo-se firme no mercado até 1960, quando vendeu a Fábrica de Harmônicas Hering à Honer, que se manteve no Brasil até 1970.

Em março de 1979 foi fundada em Curitiba a primeira orquestra de gaitas da América Latina, a Orquestra Harmônicas de Curitiba.

Entre os grandes músicos brasileiros que se dedicam à execução deste, como já disse, pequeno e maravilhoso instrumento, destacamos: Rildo Hora, Edu da Gaita, Maurício Einhorn, Gabriel Grossi, Milton Guedes, Tatá da Gaita, Val Tomato, entre outros.

Falando de Maurício Einhorn, podemos afirmar que além de instrumentista é também compositor, sendo co-autor de “Batida Diferente”, composta com Durval Ferreira e “Estamos Aí”, escrita com Regina Werneck, ambas na década de 60, consideradas standards do samba-jazz, gênero primo da bossa nova e muitos outros temas da MPB.

Aos 86 anos, Einhorn ainda compõe e executa sua gaita como maestria.

Confira !


Fontes : Revista da Música

Arquivo Pessoal de Dados

Fotos: Divulgação

*Esta coluna é semanal e atualizada às segundas-feiras